Exposição Industrial do Porto 1891
Exposição Industrial do Porto 1891 – 1891 Porto Industrial Exhibition
#EXP INDUSTRIAL PORTO 1891
CIDADE / CITY: Porto – Oporto
LOCAL / PLACE: Palácio de Cristal
ORGANIZAÇÃO / ORGANIZATION BY: Associação Industrial Portuense
Jorge Fernandes Alves – As Exposições Industriais no Porto Oitocentista.
In O mundo ibero-americano nas Grandes Exposições, edição de Mourão, J.A., Matos, A. M. C. de, Guedes, M., p. 165-176. Republicado in O Tripeiro, 7.ª série, ano XVIII, n.º 3, 1999, p.69.97.
1891
Só nos inícios da década de 90, numa fase já de nova crise nacional (política e económica) e de uma conjuntura favorável ao militantismo pautal se vão organizar novas exposições industriais. Nos finais de 1891 conhece-se o desejo de afirmação pública da indústria nortenha, de novo liderada pela Associação Industrial Portuense, então renovada após um longo período de apagamento. A Associação tinha agora como grande objectivo a reforma pautal, para a qual procurava mobilizar os associados, e de que ela própria era um efeito, pois renascera por alguns associados militantes pelo proteccionismo reconhecerem a necessidade de uma representação colectiva que funcionasse como orgão de pressão favorável aos seus interesses. Uma proposta de 11.9.1891 apontava para a realização de uma exposição que traduzisse o salto qualitativo que a indústria nortenha entretanto experimentara. É neste contexto que emerge a estratégia governamental de trazer o rei ao Porto, para desfazer os boatos sobre o estado de sublevação que a Cidade viveria, na ressaca da revolta republicana de 31 de Janeiro de 1891, como forma de provar a popularidade da monarquia através de alguns banhos de multidão e de convivência com as personalidades mais representativas. O ministro da Fazenda de então, Mariano de Carvalho, fez sentir esse propósito ao monárquico Conde de Samodães, que presidia à Sociedade do Palácio de Cristal e que, por seu lado, não poderia perder uma oportunidade de relançar o Palácio para a organização de eventos para que o edifício estava vocacionado e que poderiam ajudar a resolver a grave crise financeira que pesava sobre a Sociedade desde a sua fundação. A Sociedade toma a iniciativa de promover a Exposição, convocando para esse efeito a Associação Industrial Portuense.
Apesar das reticências iniciais e ameaça de abstenção por parte da Associação, onde já se sentavam alguns republicanos, a conjugação de objectivos acabou por se realizar numa exposição “exclusivamente nacional”, de forma a agradar aos industriais proteccionistas. De forma precipitada, quase de improviso, dada a sobreposição dos objectivos políticos aos interesses económicos. A exposição abriu as suas portas de 22.11.1891 a 17.1.1892, pois como reconheceu o Conde de Samodães, “quase que não foi anunciada, e arranjou-se de um dia para o outro”, mais precisamente os expositores tiveram menos de um mês entre a recepção do convite e o dia da abertura. Era preciso obsequiar o Rei com “elementos de vida” da cidade do trabalho, dado que da parte do Palácio havia apenas um lago com gruta a inaugurar 11. Diz o Conde de Samodães:
Nunca se realizou exposição em tão pouco tempo. Ao sinal de reunir, compareceram os industriais com os seus produtos, não fabricados ad hoc, mas aqueles que formam o seu stock comercial, o que é muito mais útil, prático e verdadeiro do que essas exibições de mera curiosidade que enchem por vezes as vitrines das exposições. A apresentação que neste momento se fez ao público é exactamente aquilo que a indústrias tem sempre pronto para oferecerem aos seus fregueses 12.
Foi, portanto, uma exposição simples, que excluíu júris e diplomas, esse ritual de confronto e de incentivo que sempre permite fazer distinções entre os expositores. Dado o carácter apressado da exposição, predominaram os produtos de indústria ligeira, fáceis de transportar e organizar em pouco tempo, não se vendo as habituais galerias de máquinas que normalmente constituíam os centros de atenção dos visitantes. Os têxteis ocupavam as atenções, mas no total a mostra distribuía-se por 24 classes e tinha a particularidade de apresentar produtos industriais novos, revelando a introdução da mecanização em sectores tradicionais, como era o caso dos lacticínios, conservas, cortiças, químicos, etc., ainda que de forma modesta, a persistência dos artesanatos tradicionais (como a ourivesaria) ou a exibição de produtos minerais de extracção nacional (carvão).
Exposição Industrial do Porto 1891 – 1891 Porto Industrial Exhibition

As Exposições Industriais no Porto oitocentista
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