Setúbal entre a República do Pós-Guerra e a Ditadura Militar

Diogo Filipe dos Santos Ferreira

Tese de Doutoramento em História Contemporânea – Maio 2023

Parte II - De vila piscatória a epicentro industrial: A cidade do Sado entre a segunda metade do século XIX e a Grande Guerra

Desde épocas remotas que a pesca foi o motivo central para a ocupação humana da margem norte do rio Sado. O longo processo de evolução urbanística deste território, a partir da Baixa Idade Média, teve como ponto de partida a concentração populacional em torno da Igreja de Santa Maria da Graça e da ermida primitiva de São Julião, estrategicamente protegidas pelas muralhas edificadas no reinado de D. Afonso IV.
O velho burgo medieval setubalense era cercado pelos arrabaldes de Troino (a oeste) e de Palhais/Fontainhas (a leste), espaços naturais de expansão habitacional.

O período da Expansão Marítima foi decisivo para a afirmação e crescimento da vila de Setúbal, no quadro do Império Português, ganhando a construção naval e o comércio de sal e pescado um peso relativamente significativo no circuito comercial internacional. No contexto do pós-Guerra da Restauração, o monarca D. João IV sentiu necessidade de defender as populações (e as suas atividades económicas) residentes nos arrabaldes, ordenando a construção de uma segunda linha de muralhas. Na transição de seiscentos até meados da segunda metade do século XIX, a ocupação urbana pautou-se por um ritmo progressivo, mas seriamente afetado pelos terramotos de 1755 e de 1858.

A paz social garantida pela Regeneração, a partir de 1851, foi essencial para a política impulsionada por Fontes Pereira de Melo, frequentemente qualificada como ‘melhoramentos materiais’ ou ‘materialismo progressista’. A estabilidade política suscitou um combinado de reformas económico-financeiras no país, que estiveram na génese do “conjunto de transformações que lhe permitiu [a Setúbal] passar de uma comunidade mercantil e piscatória para um espaço fabril em ascensão”. Os sinais de progresso económico, social e cultural, expressos ao longo da década de 50 do século XIX, elucidam o dinamismo de uma vila ansiosa pela elevação a cidade: obras de regularização, terraplanagem e calcetamento da antiga Avenida da Praia (hoje Luísa Todi), obra iniciada em 1848 e concluída em 1895; surgimento da primeira fábrica de conservas alimentícias, utilizando o método de Appert (1854); introdução do telégrafo (1855); fundação do primeiro periódico, O Setubalense (1855); conceção do Teatro Bocage e do Club Setubalense (1855); criação da Associação Setubalense das Classes Laboriosas (1855); primeiro plano de reestruturação do porto de Setúbal (1855); instalação do Liceu Municipal Setubalense no edifício da Igreja da Boa-Hora (1858).

Pelo meio, com vista à ampliação das circunscrições concelhias e à modernização do sistema liberal, a reforma administrativa de 24 de outubro de 1855, dirigida por Rodrigo da Fonseca Magalhães, extinguiu os concelhos de Palmela e de Azeitão, tornando-os freguesias de Setúbal. Até 22 de dezembro de 1926, com a fundação do distrito de Setúbal, o concelho sadino foi um dos mais extensos do país.

Num esforço conjunto de personalidades associadas ao poder local, como Aníbal Álvares da Silva, dos deputados eleitos pelo círculo de Setúbal (como Garcia Peres) e das ‘forças vivas’, D. Pedro V, em 19 de abril de 1860, elevou Setúbal a cidade: “a muito notável vila de Setúbal goza naturalmente da primazia de ser a povoação imediata de importância às primeiras cidades do Reino, não só pela sua grande população […] mas também pelo seu movimento e vastidão do seu comércio […] onde anualmente se faz uma considerável exportação de géneros e produtos agrícolas”.

Os decénios de 1860 e de 1870 prosseguiram a consolidação infraestrutural que colocou Setúbal como um dos mais relevantes epicentros portugueses. Em 1861, foi inaugurado o caminho de ferro, que estabelecia a ligação da cidade do Sado ao Barreiro, potenciando o comércio terrestre com a capital. Seis anos depois, tiveram início as carreiras fluviais, unindo Setúbal a Alcácer do Sal. O gasómetro, que entrou em laboração em 1868, garantiu a iluminação pública ao coração citadino. 111

Sob a presidência de António Rodrigues Manitto, à frente do município de Setúbal, nos mandatos de 1866-1868 e de 1870 a 1880, montou serviços de abastecimento de água, reformou o cemitério, criou a biblioteca, arborizou parte da futura Avenida Luísa Todi e foi inaugurado o Mercado do Livramento, em 1876. Chegados a 1880, Pinho Leal descreveu que o porto de Setúbal era “um dos mais concorridos deste reino: todos os anos o frequentam centenas de navios estrangeiros e nacionais”. A cidade estava pronta para o que aí vinha.

Na literatura histórica setubalense, existe um consenso quanto ao combinado de fatores explicativos que justificaram o aumento populacional e o desenvolvimento experienciados à beira-Sado entre o último quartel de oitocentos e as primeiras décadas do século XX, apontando-se o take-off industrial como génese de todo este processo. Até então, e crendo no testemunho de Raúl Proença, os residentes dedicavam-se, praticamente em exclusivo, à produção e comércio de sal, de laranjas ou vinhos, e à pesca. Dominadas pelo caráter familiar e rudimentar, algumas indústrias faziam-se representar desde os anos 50 de oitocentos: conservas de peixe e de fruta (1854); fósforos (1863); tipografia (1879); moagem (1879); adubos de peixe (1880); curtumes (1881); litografia (1893).

Em meados de 1830, um espanhol instalou uma fábrica de conservação de peixe que conciliava um método de prensagem e salga, representando a preambular introdução de capital estrangeiro neste setor. Os setubalenses Manuel José Neto e Feliciano António da Rocha foram os pioneiros da utilização do método de Appert (assente na esterilização) em Portugal, investindo, em 1854, o seu capital neste setor, e fizeram-se representar, no ano seguinte, na Exposição Universal de Paris. Para Albérico Afonso Costa e Carlos Mouro, deste ano até 1880 teve lugar o primeiro ciclo conserveiro, atestado pela existência de três fábricas de conservas alimentícias. Gustavo Herlitz foi responsável pela abertura do terceiro estabelecimento industrial conserveiro, em 1861.

No decurso do decénio de 1880, a costa da Bretanha foi afetada por uma extraordinária crise da principal matéria-prima da sua indústria de conservas de peixe: a sardinha. Para se compreender a dimensão do problema, em terras gaulesas, o número de estabelecimentos industriais deste tipo caiu de cerca de duas centenas para um, em menos de dez anos. Os empresários franceses viram-se forçados a deslocalizar as suas unidades fabris para regiões em que os recursos materiais (e.g. estação portuária; frota piscatória), humanos (e.g. mão de obra barata e em número) e naturais (e.g. sardinha) fossem ricos o suficiente — como Setúbal — para manterem os seus negócios ativos.

Estes novos atores do palco setubalense contribuíram decisivamente com o seu capital, conhecimento técnico e experiência para a afirmação e consolidação da indústria conserveira na região: “Montaram as suas fábricas, educaram o pessoal e a indústria generalizou-se porque os industriais portugueses rapidamente imitaram os franceses. Hoje, Setúbal está coberta de fábricas de conservas”¹²¹. Em novembro de 1880 foi assinado o contrato de arrendamento da antiga doca sadina, entre o industrial de Lorient, F. Delory, e D. Maria Meneses Barreto, significando a entrada do investimento francês¹²². Muitos outros conserveiros franceses seguiram os seus passos, nomeadamente Firmin Julien (1884), Wenceslas Chancerelle (1887), Arsène Saupiquet (1891)¹²³, Ferdinand Garrec (1894), Dandicole & Gaudin (1894), Léon Delpeut (1897), E. Esquiró (1899), Pierre Chancerelle (1901) ou Callé (1904)¹²⁴. A imponência das suas fábricas era incomparavelmente superior à da maioria dos portugueses, que, em simultâneo, foram abrindo as suas unidades fabris¹²⁵. O crescimento da indústria foi muito intenso, multiplicando-se o número de estabelecimentos industriais por toda a zona ribeirinha de Setúbal, especialmente a este (Estrada da Graça) e a oeste (Estrada da Rasca)¹²⁶: 1861 –1861 – 3; 1887 – 9; 1893 – 26; 1906 – 35; 1912 – 42.

[ver Tabela – Evolução do número de fábricas de conservas de peixe sediadas em Setúbal (1861-1964)]

A sua localização reduzia os custos no transporte do pescado e garantia a sua frescura, influenciando o sabor do produto. Algumas destas chaminés, ainda hoje, integram a paisagem urbana¹²⁷, tendo-se metamorfoseado “de um lugar industrial para um lugar de memória”¹²⁸.

Setúbal tornou-se na capital portuguesa — e numa das maiores referências internacionais — da produção de enlatados de sardinha, assumindo um perfil monoindustrial. O ciclo do sal deu lugar ao ciclo das conservas na ‘economia de mar’ setubalense¹²⁹. No plano nacional, em 1913, a cidade distanciava-se no número de empresas aqui sediadas (44), em contraste com as 19 de Olhão, as 13 de Lagos, as 6 de Vila Real de Santo António e de Portimão, ou as 3 de Sesimbra.

[ver Tabela – N.º de fábricas de conservas no País (1913)]

E o mesmo se pode dizer relativamente à quantidade de trabalhadores, registados em 1912: 3 720¹³⁰.

A mão de obra da indústria conserveira era marcada pelo trabalho infantil, incorporado através de familiares ou amigos que exerciam funções neste ramo ou em atividades anexas. Num campo profissional predominantemente ocupado por mulheres, o processo de aprendizagem das operárias era transmitido mimeticamente pelas trabalhadoras mais experientes (as «mestras») e durante a concretização das operações, reproduzindo gestos e técnicas, nomeadamente o «descabeçar» do pescado. Por seu turno, os homens, por utilizarem máquinas, tinham obrigatoriamente um período de observação e experimentação prévio: “Esta aprendizagem coerciva constituía um treino duro para os que a ele se submetiam, mas resultava fácil e barato para quem dele se apropriava”¹³¹.

Uma vasta gama de soldadores – uma espécie de elite proletária, em termos salariais e técnicos – foi formada por congéneres provenientes de Nantes. Em 1891, a partir da Société Métallurgique, desembarcaram 50 franceses para o ensino do ‘vazio’ (designação informal para produção de latas). A introdução das cravadeiras, inovação tecnológica que substituía um número muito significativo de soldadores e exercia as tarefas a uma velocidade bem maior, foi o grande desafio destes homens, que se socorreram do sindicalismo para lutarem pela manutenção dos seus postos de trabalho¹³².

A hegemonia da indústria conserveira, ainda que tenha asfixiado por completo o surgimento de outra grande atividade em Setúbal, induziu setores subsidiários, em particular a caixotaria, a produção de azeite, a serralharia, a latoaria, a litografia e a pesca¹³³. Para além da litografia aberta em 1893, também tiveram um peso significativo a Nova Litografia Sado (1920) e a Sociedade Mecânica Setubalense (1923)¹³⁴.

Os riscos associados à indústria de conservas de peixe eram variados, apesar de o investimento inicial ser baixo. Dependia permanentemente da importação de matérias-primas (azeite, folha-de-flandres ou carvão) que, em determinadas conjunturas, poderiam encarecer com facilidade ou simplesmente não se encontrar disponíveis no mercado. O setor estava sujeito, também, ao sucesso da captura da sardinha¹³⁵. Os horários de trabalho variavam constantemente de acordo com a chegada do pescado à lota (‘peixe para já’, como se gritava na época¹³⁶), sendo muito frequente executarem-se tarefas em turnos noturnos, o que exigia boas condições de iluminação. A abundância de água era igualmente determinante em diferentes operações (descabeçamento ou lavagem de entranhas). Por este conjunto de razões, numa cidade monoindustrial como Setúbal, o comércio e os serviços locais sofriam seriamente em períodos de crise e instabilidade nas fábricas de conservas: “Em volta da sardinha gira toda a vida de Setúbal. Ela é a rainha de quem depende a prosperidade desta terra. Quando há sardinha, há fartura, há riqueza, gira dinheiro, respira-se alegria”¹³⁷.

A intensificação do processo de industrialização conserveiro na zona ribeirinha afastou a cidade do Sado de se tornar num destino turístico. No final do século XIX, a “colónia balnear espanhola chegou a reunir, em Setúbal […] mais de 4 000 pessoas”¹³⁸. O rei D. Carlos I, nos primeiros anos da década de 1890, escolheu a região para passar os seus verões, hospedando-se numa renovada torre do Outão, local onde pintou a natureza que o rodeava¹³⁹. Bastou a pressão exercida por Jaime Pinto, presidente da C.M. de Cascais, e por José Maria dos Santos, cacique agrícola de Palmela, junto da Coroa, para que a família real transferisse a sua residência de férias para a localidade cascalense¹⁴⁰.

A edificação do ‘Estabelecimento de Banhos’, estrutura projetada pelo arquiteto Ventura Terra como investimento na área da vilegiatura marítima, surgiu num contexto de contracorrente. Foi inaugurado em 1904, quando se assistia à diminuição do número de banhistas, como resultado da proliferação das fábricas de conservas junto ao rio¹⁴¹. A urgência em adquirir imóveis de cariz habitacional para a instalação de unidades conserveiras, principalmente no decurso da Grande Guerra, foi de tal ordem que a estância balnear de Setúbal foi adaptada a fábrica de conservas (Regina). Era paradigmático: a indústria dos enlatados venceu o turismo como principal atividade económica¹⁴².

O Palácio da Comenda, projetado pelo arquiteto Raúl Lino e construído entre 1903 e 1908 para a família francesa do conde de Armand, marcou o imaginário burguês setubalense¹⁴³. Talvez por essa razão, em junho de 1918, Câmara Reis tenha escrito: “Um momento supôs-se que, desde Setúbal até ao Portinho da Arrábida, se estenderia, em poucos anos, uma linha de construções marginais, chalets de luxo e vivendas formosas, em volta das quais iriam tomando vulto povoações de recreio e de repouso”¹⁴⁴.

A transformação do pequeno núcleo piscatório sadino num centro fabril conserveiro, por via da deslocalização do capital francês e de algum investimento de industriais locais, levou Vasco Pulido Valente a declarar que “o processo de industrialização de Setúbal provocou um forte fluxo migratório que, por sua vez, determinou um surto demográfico de grandes dimensões”¹⁴⁵. O crescimento demográfico de Setúbal foi muito veloz para a época, considerando o médico Fernando Garcia, contemporâneo, que se tratou de um processo “à americana na intensidade de atração das gentes desarreigadas do seu terrunho, pela facilidade do ganho deste Eldorado sardinheiro”¹⁴⁶.

Em poucos decénios, a cidade tornou-se no terceiro maior meio urbano de Portugal, um polo atrativo para desempregados de outras zonas industriais ou para trabalhadores rurais: 1864 (15 541 hab.); 1878 (18 758 hab.); 1890 (21 252 hab.); 1900 (25 406 hab.); 1911 (32 096 hab.); 1920 (41 131 hab.); 1930 (50 456 hab.); 1940 (49 765 hab.). As freguesias urbanas, em quatro décadas, cresceram de 17 891 residentes, em 1890, para 46 342 habitantes, em 1930¹⁴⁷.

[ver Tabela – Evolução da população residente no atual concelho de Setúbal entre 1864 e 1960]

Esta simbiose entre o take-off industrial conserveiro e as migrações internas gerou o surgimento de duas microcomunidades de pescadores e à ocupação dos bairros populares das freguesias de N.ª Sr.ª da Anunciada e de São Sebastião¹⁴⁸. No antigo arrabalde de Troino, provenientes maioritariamente do Algarve (Olhão, Lagos ou Vila Real de Santo António), os marítimos dedicavam-se à pesca da sardinha para o abastecimento das fábricas de conservas, em embarcações de cerco americano, constituindo a espinha dorsal da Associação de Classe dos Trabalhadores do Mar. Dada a natureza das funções que exerciam, passavam jornadas de quinze dias na faina¹⁴⁹.

Por seu turno, a partir de Ovar, Ílhavo, Aveiro ou da Murtosa, umas centenas de famílias concentraram-se nas Fontainhas e em S. Domingos, formando “uma verdadeira colónia varina”¹⁵⁰. Estes pescadores dedicavam-se à captura de um conjunto diversificado de pescado (e.g. salmonetes, robalos ou linguados), para o fornecimento do mercado, trabalhando por conta própria através dos seus saveiros¹⁵¹.

Entre estes dois núcleos habitacionais – inseridos fora do perímetro muralhado medieval e do centro político-institucional da cidade – formou-se uma forte rivalidade. Manifestou-se, por exemplo, na recusa dos varinos em aderirem ao sindicato dos marítimos, optando por criarem, em 1914, a Associação de Classe dos Pescadores da Murtosa em Setúbal¹⁵². O mesmo se evidenciou do ponto de vista das manifestações religiosas: os primeiros eram devotos de N.ª Sr.ª dos Prazeres, enquanto os segundos adoravam N.ª Sr.ª da Arrábida. Apenas a Nossa Senhora do Cais os unia¹⁵³. O bairro de Troino e os bairros de S. Domingos e das Fontainhas tornaram-se o coração da Setúbal industrial¹⁵⁴. Como nota, a cidade recebeu muita gente proveniente da capital¹⁵⁵.

A vaga migrante que vem sendo descrita causou uma enorme pressão no acesso à habitação, questão crónica durante várias décadas. O intenso aumento populacional, em poucos anos, não foi acompanhado pela edificação de estruturas habitacionais. Em 1930, a cidade dispunha de aproximadamente 8 238 fogos para cerca de 46 mil pessoas¹⁵⁶. O estudo de Paulo Guimarães elucida como, no decurso do primeiro quartel do século XX, a expansão da habitação popular urbana se concretizou a um compasso elevado para zonas periféricas da cidade, cujas condições eram marcadas pelo mau cheiro, humidade, insalubridade, dificuldades no acesso à água, rendas elevadas ou reduzida dimensão¹⁵⁷.

Estas construções abarracadas (algumas devidamente licenciadas) e clandestinas – em madeira ou alvenaria – multiplicaram-se a nascente e a poente do burgo, formando novos bairros: Olhos de Água, Bairro do Vale do Grou, Bairro Rendeiro, Bairro Barreto, Bairro Rosalina, Bairro Trindade, Bairro Dias, Bairro Melo, Bairro Rio da Figueira, Bairro Monarquina, Bairro Lopes, Bairro do Maltalhado, Bairro Libertário¹⁵⁸, Bairro João Ferreira ou Bairro da Folha¹⁵⁹. O nome deste último demonstra como diversas casas eram fabricadas: restos de folha-de-Flandres (ou com defeito), das fábricas de conservas, serviam como paredes e como cobertura dos tetos¹⁶⁰. Fialho d’Almeida, no V volume (1892) da sua obra Os Gatos, descreve esta dura realidade: “Nos bairros velhos, como as construções são primitivas, nulo o conforto, a higiene um mero acinte acontece que a podridão dos lares corre nas ruas”¹⁶¹.

A ampliação urbanística setubalense foi absolutamente anárquica, tendo apenas como exceções os bairros Salgado, Baptista e Santos Nicolau. O primeiro foi a concretização da fundação de um espaço pequeno-burguês, localizado na periferia da cidade (mas junto à estação ferroviária e ao Campo do Bonfim), tendo sido edificado entre a fase final do século XIX e as primeiras décadas de novecentos, com maior expressão nos anos de 1903-1909¹⁶². O quadrilátero foi ocupado por comerciantes e empresários conserveiros (como Ange Aleno) em ascensão social – que se pretendiam demarcar territorialmente das zonas residenciais dos trabalhadores –, decorando as habitações em Art Nouveau¹⁶³.

Do ponto de vista político e social, a industrialização e a vaga migratória intensificaram a tendência comunitária para o associativismo e incentivaram o surgimento de um ambiente propício à difusão do sindicalismo revolucionário, do republicanismo e, em menor escala, do socialismo, ansiando o mundo do trabalho por uma ‘República Social’¹⁶⁴. A dimensão operária setubalense, ainda que manifestamente inferior às barriere de Turim, ao cinturón de Barcelona ou às banlieues de Paris, não deixou de cultivar um expressivo movimento associativo. Estes espaços de sociabilidade eram de capital importância na promoção e divulgação das diferentes correntes político-ideológicas que circulavam no seio do universo operário, possuindo, também, um evidente poder de influência no quotidiano da comunidade e na ocupação dos tempos livres.

O desenraizamento relativamente ao local para onde milhares de jovens recomeçaram as suas vidas, as visíveis desigualdades sociais da comunidade e as péssimas condições de vida e de trabalho permitiram desenhar relações de vizinhança, construíram redes de solidariedade e teceram linhas de combate e resistência à exploração capitalista. Em 1916, o repórter Adelino Mendes testemunhou, em primeira mão, esta unidade interclassista: “Entre as diversas classes de trabalhadores existe, nesta cidade, a mais estreita solidariedade. Basta que uma delas reclame, insista e se declare em greve para que todas as outras a acompanhem e façam causa comum com ela”¹⁶⁵. Para a esfera pública transbordou a elevada politização deste vasto grupo de pessoas, com agitação social latente, reclamando contra as longas jornadas de trabalho e os baixos salários¹⁶⁶.

No último quartel de oitocentos, foram fundados dezenas de organismos associativos na cidade: mutualistas (e.g. Associação Operária dos Socorros Mútuos Setubalense, de 1888); cooperativistas (e.g. Clube Operário de Setúbal, de 1877; Sociedade Cooperativa de Crédito e Consumo e Caixa Económica Operária, de 1892; Sociedade Cooperativa de Consumo dos Operários da Arrábida, de 1896); musicais (e.g. Sociedade Filarmónica Operária, de 1892¹⁶⁷); sindicais (e.g. Associação de Classe dos Soldadores de Setúbal, de 1891); teatrais (e.g. Teatro Santos Silva, de 1873); entre outros. As classes dominantes, não querendo ficar atrás, formalizaram grupos económicos, designadamente a Associação Comercial e Industrial de Setúbal (1888), a Associação Agrícola de Setúbal (1888) ou a Associação dos Lojistas de Setúbal (1889)¹⁶⁸.

De entre este grupo de instituições, a Associação de Classe dos Trabalhadores do Mar de Setúbal destacava-se pela sua dimensão. Tendo como antecessoras a Corporação Marítima dos Pescadores de Anzol (1862) e a Sociedade de Pescaria Franciscana (1871), a sua sede foi inaugurada em 15 de maio de 1913 e foi construída com fundos próprios de mais de dois mil sindicados: “A Casa dos Pescadores de Setúbal é um verdadeiro palácio. A classe tem a sua catedral, com o seu Papa, que é o presidente da sua Associação, e com o seu Sacro Colégio, que são os seus dirigentes”¹⁶⁹.

Neste edifício, demolido para dar lugar à Casa dos Pescadores, observava-se uma embarcação e cabos, alusivos à força da organização, que foram arrancados após o 28 de Maio “como forma de quebrantar-lhe o espírito, preparando o terreno para a afirmação do novo ideário”¹⁷⁰.

No início do século XX, Setúbal era a terceira cidade do País, não só em termos demográficos, comerciais e industriais, mas também do ponto de vista do número de associações de classe, revelando a existência de um proletariado fortemente politizado e “com um grau de organização e de estruturação significativos, que intervém na defesa dos seus interesses de classe”¹⁷¹. Em 1909, Setúbal contava com perto de três mil filiados em sindicatos livres, destacando-se os 1 900 da Associação de Classe dos Trabalhadores do Mar de Setúbal e os 710 da Associação de Classe dos Soldadores de Setúbal¹⁷².

Nos derradeiros anos da monarquia, a cognominada ‘Barcelona Portuguesa’ (título atribuído pelo operariado local, imitando o princípio que definiu a ‘Paris del Sur’ espanhola) assistiu a longas greves dirigidas pelos soldadores, em 1897, em 1905 ou em 1907¹⁷³. No arco cronológico de 1871 a 1900, o proletariado sadino, depois do lisboeta e do portuense, foi o que mais recorreu à greve como meio de resolução dos problemas de natureza laboral: dezoito greves¹⁷⁴.

Setúbal estava pronta para receber a revolução, com um jovem proletariado como terreno fértil para crescer o espírito antimonárquico. A historiografia tem apontado como tese que o republicanismo português se tratou de um movimento urbanizado e com maior preponderância no litoral. Em diversas ocasiões, a cidade do Sado foi palco de episódios que a enquadraram na vanguarda liberal. O clima de contestação proporcionado pela assinatura do Tratado de Lourenço Marques, em 1879, abriu a caixa de Pandora, motivando a visita de figuras como Magalhães Lima, Rafael do Vale ou Anselmo Augusto da Costa para participarem num comício público¹⁷⁵.

No seguimento da exploração republicana do tricentenário da morte de Camões, em 1880, foram eleitos dois vereadores desta linha política para a oposição municipal, Eduardo Dinis e Joaquim Arôcha Júnior, em 1881. Para a Câmara dos Deputados, o círculo eleitoral de Setúbal garantiu a eleição de Feio Terenas e Estevão Vasconcelos, em 1908, e de Fernandes Costa, Aurélio Costa e, novamente, Feio Terenas, em 1910. Jacinto Nunes, grande figura republicana de Grândola e do Sul, também se candidatou, em várias ocasiões, para deputado (1870, 1881, 1884 e 1886)¹⁷⁶.

Os efeitos de desgaste político provocados pelo ultimato inglês de 1890 são manifestamente conhecidos no País. No contexto local, deu azo a boicotes comerciais aos produtos oriundos daquele império, ao aprisionamento dos navios ingleses ancorados no porto, a protestos cívicos ou à alteração da denominação do Club Setubalense para Grémio Setubalense, num claro sintoma de anglofobia¹⁷⁷.

Após as diretrizes saídas do VI Congresso do Partido Republicano Português (P.R.P.), em abril de 1895, o periódico O Elmano apelou à constituição da primeira comissão municipal republicana. Nesta constavam nomes que, após o 5 de Outubro, ocuparam lugares no topo da autarquia sadina, designadamente Joaquim dos Santos Fernandes, José da Rocha ou António José Marques. Na reunião fundacional estiveram presentes mais de 160 setubalenses.

A reconfiguração da memória coletiva e a apropriação política da imagem de Bocage foi uma das mais importantes estratégias de afirmação política dos republicanos na região, bem como uma plataforma de aproximação aos setores operários. E foi exatamente isso que teve lugar nos dias 19, 20 e 21 de dezembro de 1905, por ocasião das comemorações do primeiro centenário da morte do poeta¹⁷⁸. Figuras-chave do republicanismo, como Manuel de Arriaga ou Teófilo Braga, deslocaram-se a Setúbal e discursaram perante cerca de 6 mil pessoas, explorando a vertente do poeta-herói, o Bocage insurrecto e inconformado, que lutou contra a opressão e a tirania e que sofreu com perseguições da Igreja Católica e de Pina Manique, numa alusão ao período então vivido.

Para Álvaro Arranja, que estudou esta questão em pormenor, da “parte dos republicanos existe a intenção de repetir o êxito das comemorações do Tricentenário de Camões, em 1880”¹⁷⁹. Conscientes de que a iniciativa tinha como finalidade a difusão de propaganda republicana, a família real e o governo monárquico não se fizeram representar nos cortejos populares e nas cerimónias, merecendo fortes apupos. Era mais uma ferida na relação entre Setúbal e a monarquia.

Fizeram sentido, portanto, as sucessivas escolhas tomadas por parte da elite republicana nacional para que Setúbal servisse como um dos centros de difusão dos seus ideais. Podem-se referir os comícios políticos ocorridos em 15 de abril de 1906, que contaram com discursos de Manuel de Arriaga, de Estevão de Vasconcelos e de Sá Pereira, perante 350 a 400 pessoas, ou em 12 de julho de 1908, que permitiram a vinda à cidade de personalidades como Bernardino Machado, Afonso Costa ou António José de Almeida¹⁸⁰.

Estes serviram de teste para que a cidade fosse escolhida para o simbólico X Congresso do P.R.P. O evento decorreu entre os dias 23, 24 e 25 de abril de 1909, no antigo Teatro D. Amélia, confrontando-se as duas fações do partido para discutirem que rumo deveriam tomar: a via insurrecional versus a via legalista. A eleição de um novo Diretório deu luz verde a uma revolução que fizesse cair a Monarquia Constitucional¹⁸¹.

Na presença de cerca de 400 delegados republicanos de todo o País, João Chagas, na sua Carta ao Congresso de Setúbal, enalteceu que este era o último Diretório eleito pelo P.R.P., uma vez que a monarquia não duraria até ao mandato seguinte: “O congresso de Setúbal é, portanto, um facto social da maior importância. Não fica apenas nos anais de um partido. Fica, há de ficar, na História”¹⁸².

Uma das sessões, não deixa de ser curioso, chegou a ser interrompida por se ter feito sentir o terramoto de Benavente, no dia 23. O governo mobilizou militares para junto do congresso como forma de intimidação¹⁸³.

Intervalando com esta sucessão de acontecimentos, o crescente fervor anticlerical também se foi fazendo sentir circunstancialmente numa comunidade com cada vez maior número de adeptos do anarquismo revolucionário, do socialismo e do republicanismo. O republicano Francisco José Mota, em 1880, recusou que o funeral da sua filha fosse de cariz religioso, querendo um enterro civil. Foi um choque para a opinião pública. A professora primária Hermínia Borges de Campos anuiu ao pedido do pai da menina para que as suas alunas acompanhassem a cerimónia, o que lhe mereceu duras críticas na imprensa local e um ‘castigo’ exemplar, acabando colocada numa escola em Sintra¹⁸⁴.

Neste processo de afirmação laica e de conflito com o universo eclesiástico, assistiu-se à multiplicação do número de cerimónias fúnebres civis, ao aumento da área não católica no cemitério público, do ensino informal (dirigido pelos sindicatos livres) ou de conferências promovidas por homens como Miguel Bombarda ou França Borges na Escola Liberal. Nas palavras de Albérico Afonso Costa, acratas e republicanos integraram na “sua agenda política o confronto com a Igreja Católica e tentam atrelá-la ao carro da Monarquia”¹⁸⁵, corresponsabilizando ambas pelo obscurantismo de Portugal.

O acordo informal estabelecido entre o republicanismo pequeno-burguês e o movimento operário sindicalista revolucionário da região foi progressivamente edificado durante o ocaso do regime monárquico: “As elites republicanas e as elites operárias souberam fazer convergir a luta social por melhores condições de vida e de trabalho com a luta republicana pela mudança de regime político”¹⁸⁶. O setor socialista sadino não se federou a esta coligação estratégica antimonárquica de republicanos e libertários, considerando que o P.R.P., o Partido Regenerador ou o Partido Progressista eram todos defensores das sociedades capitalistas. Afonso Costa, ao ter defendido, em tribunal, o diretor do periódico anarcossindicalista setubalense O Germinal, Martins Santos, concretizou um gesto de aproximação entre republicanos e acratas¹⁸⁷.

Do mesmo modo, observou-se a organização conjunta de um comício entre o Centro Republicano de Setúbal, a Liga Republicana das Mulheres Portuguesas, a Escola Liberal de Setúbal e o jornal O Germinal. Este teve lugar, em agosto de 1909, na Praça de Touros D. Carlos I, reunindo cerca de cinco mil pessoas¹⁸⁸.

Todas estas lutas político-ideológicas se refletiam na profusa imprensa periódica setubalense, marcada pelo largo espectro político-ideológico, que ia desde o anarcossindicalismo aos periódicos monárquicos conservadores. Apenas entre 1855 e 1910, de acordo com F. Henrique de Jesus, foram editados 66 periódicos à beira-Sado¹⁸⁹.

Entre estes encontram-se jornais pioneiros do republicanismo local (e.g., A Opinião, de 1889, ou O Elmano, de 1893-1922), de cariz anarcossindicalista (O Germinal, 1903-1913) ou, ainda, de corrente socialista (O Trabalho, de 1900-1921)¹⁹⁰. Na longa duração, o cunho operário esteve presente em mais de quatro dezenas de jornais¹⁹¹.

Do lado monárquico, enquanto o republicanismo crescia, alguns executivos municipais pautavam-se por divisionismo interno, descredibilização e instabilidade. A vereação que ocupou as cadeiras camarárias, em 1900, foi dissolvida por “diversas irregularidades na escrituração e contabilidade, bem como a aplicação de receitas do município em desacordo com as respetivas autorizações orçamentais”¹⁹². A convocação de uma eleição autárquica extraordinária, em janeiro de 1901, colocou Mariano Cirilo de Carvalho à frente da C.M. de Setúbal. Este edil, personalidade de relevância nacional, venceu as eleições e foi reeleito em 1904, contando com o apoio de António José Baptista, ex-presidente do município entre 1892 e 1899. Henrique Augusto Pereira afastou-se politicamente, demonstrando os antagonismos intestinos que enfraqueciam os partidos monárquicos.

Mariano de Carvalho faleceu em funções, em 1905, e, nas palavras de Paulo Jorge Fernandes, a sua figura “tinha servido, em parte, como travão à republicanização de Setúbal, a sua morte, de alguma forma, mesmo indirecta, abriu caminho à conquista política da cidade por parte das forças democráticas”¹⁹³.

Para o seu lugar, reentrou em cena António José Baptista, mantendo-se nos Paços do Concelho até à revolução de 1910. Por essa razão, perpetuou-se como um dos símbolos do poder régio: “Com a República, a sua voz atiplada e vibrante apagou-se”¹⁹⁴. Este proprietário, industrial e político foi uma das incontornáveis personalidades setubalenses da transição de oitocentos para a centúria seguinte. Deixou uma herança material muito considerável, nomeadamente a construção do edifício do Liceu de Bocage¹⁹⁵.

Seguindo os relatos transmitidos pelos noticiários da época, a literatura histórica setubalense comprovou que o argumento de que a República, após a sua implantação, foi difundida pelo País através do telégrafo não correspondeu inteiramente à verdade. Em 15 de outubro, A Mocidade declarava abertamente: “A República em Setúbal chegou de véspera”¹⁹⁶. Os rumores que circularam entre a comunidade, de que a Monarquia Constitucional estava à beira de cair, no final da tarde do dia 4, geraram grande ansiedade, obrigando o reconhecido republicano Leão Azedo a recomendar ponderação à população. No Centro Republicano de Setúbal, um orador discursou inflamadamente aos seus correligionários, referindo que, na capital, se lutava pelo sonho da República.

Pelas 21h, com fábricas e estabelecimentos encerrados, os manifestantes concentraram-se diante dos Paços do Concelho e exigiram à Polícia Municipal que a bandeira republicana fosse hasteada. O pedido foi negado, e rapidamente as conversações deram lugar a trocas de tiros¹⁹⁷. As instalações foram invadidas, os prisioneiros libertados e, sem se saber como, deflagrou um incêndio que, em pouco tempo, deixou o edifício em ruínas¹⁹⁸. Pelo fogo, perdeu-se o arquivo da cidade¹⁹⁹: “aos primeiros alvores do dia 5, os Paços do Concelho sepultavam, nos seus escombros ainda fumegantes, toda a sua história administrativa e política, e com ela os valores duma riqueza incalculável, impossível de reconstituir”²⁰⁰.

No calor revolucionário, a sede de vendetta para com a Igreja Católica explica os assaltos e pilhagens coletivas à Igreja do Coração de Jesus e ao Convento de Brancanes. De acordo com um padre jesuíta, “quebraram as portas e as janelas, as tribunas, os altares, o coro, os confessionários, o harmónio. Destroçaram e profanaram as imagens sagradas”²⁰¹. A coroa que encimava a Fonte do Sapal foi, pouco depois, destruída²⁰².

Durante anos, os setores conservadores denunciaram as práticas «diabólicas» destes

Revolucionários²⁰³. Pelas 10h da manhã do dia 5, Setúbal recebeu a notícia da vitória dos republicanos. As duas filarmónicas saíram para as ruas, entoando A Portuguesa²⁰⁴. A primeira comissão administrativa foi então nomeada, ficando encabeçada por Leão Magno Azedo (presidente) e por Joaquim Brandão (vice-presidente).

[ver Tabela – 1.ª Comissão Administrativa da C.M. de Setúbal pós-5 de Outubro de 1910]

A sua composição era o indício do fim da aliança entre republicanos e sindicalistas revolucionários: nenhum trabalhador foi nomeado para cargos políticos, inclusive de menor dimensão, como regedores, ficando estes ocupados por comerciantes, industriais, proprietários ou profissionais liberais associados à comissão municipal republicana²⁰⁵.

Com os Paços do Concelho em ruínas, os serviços camarários foram transferidos, com caráter de urgência, para o Liceu Bocage, que fora inaugurado em 1906 e projetado por Rosendo Carvalheira²⁰⁶. Ali se manteriam até 1939, quando foi concluída a reconstrução dos Paços do Concelho²⁰⁷. Na Misericórdia de Setúbal, António José Marques foi a figura republicana nomeada para gerir os destinos do organismo de beneficência, retirando aos monárquicos um dos seus principais espaços de ação.

[ver Tabela – Diretores da Misericórdia de Setúbal (depois Santa Casa da Misericórdia de Setúbal)]

Provavelmente em choque com o que se passou no quadro revolucionário, o médico Francisco de Paula Borba, que estivera associado a uma comissão municipal republicana, afastou-se do P.R.P.²⁰⁸. Era um dos “favoritos” às cadeiras autárquicas, principalmente após o prestígio que obteve com a fundação do Asilo Bocage, em 1913²⁰⁹. A laicização pós-revolucionária fez-se sentir na toponímia, que foi alvo de uma revolução de outro tipo, conhecendo-se 76 alterações de nomenclatura apenas na cidade²¹⁰, e as freguesias foram progressivamente adotando nomes civis (e.g., Marquês de Pombal substituiu a Anunciada; Bocage substituiu S. Sebastião)²¹¹.

A celebração anual da maior figura setubalense, Bocage, foi uma das raras promessas cumpridas. Em 9 de agosto de 1911, a administração camarária decretou como feriado municipal o dia de nascimento do poeta (15 de setembro). O célebre “Cantador de Setúbal”, António Maria Eusébio, versou sobre o significado simbólico da medida:

“A Monarquia festejou / De Bocage o passamento / Agora os republicanos / Festejam o seu nascimento”²¹².

Daqui em diante, o Círio de Nossa Senhora da Arrábida²¹³ e as Festas Bocageanas representaram uma plataforma de disputa política entre cerimónias religiosas e laicas²¹⁴. Com o 28 de Maio de 1926, as visões pejorativas de um Bocage boémio cresceram, e lentamente a ditadura sentiu a necessidade de “destruir, pelo menos verbalmente, uma imagem solidamente instalada na memória coletiva da cidade pela ação dos republicanos”²¹⁵. Fernando Garcia, médico ligado ao Integralismo Lusitano, foi um dos responsáveis por esta reconstrução da imagem do poeta:

“[a] criação destas festas [bocageanas], que apareceram por toda a parte oficializadas com um feriado, correspondeu a um pensamento único: a descristianização da sociedade portuguesa”²¹⁶.

O Estado Novo, em 1952, aboliu o feriado, sendo reconstituído após o 25 de Abril²¹⁷.

Se a nomeação exclusiva de republicanos para cargos associados ao poder local, assim como a legislação do direito ao lock-out, denunciavam que o casamento entre o operariado sadino e a elite republicana estava em apuros, o 13 de março de 1911 provocou a separação definitiva. Este foi um dos mais dramáticos episódios da história do movimento operário setubalense, cujo impacto político pôs termo ao mencionado bloco antimonárquico. Os assassinatos de Maria do Carmo Torres²¹⁸ e de António Mendes, às mãos da recém-criada Guarda Republicana (antecessora da G.N.R.), marcaram profundamente a memória coletiva dos trabalhadores sadinos, que jamais perdoaram a traição do novo regime. Um trecho do prefácio redigido por João Medina ilustra as consequências que este acontecimento produziu — em particular, a apelidada rutura entre o operariado e a República:

“O divórcio irremediável e catastrófico nascera ali […] com aqueles dois cadáveres de Setúbal desaparecia o entendimento entre duas classes que tinham trabalhado juntas para demolir o provecto edifício brigantino. A República, ao disparar sobre os grevistas da Avenida Todi, matava o mito da República social emancipadora”²¹⁹.

Na origem dos homicídios esteve uma paralisação laboral das operárias das fábricas de conservas, iniciada a 22 do mês anterior, exigindo um aumento de 50 réis por hora. A greve generalizou-se dois dias depois à maioria das classes obreiras. A escalada de tensão foi crescendo ao longo das semanas, atingindo um ponto de ebulição quando o patronato respondeu com o lock-out das unidades conserveiras e, em reunião coletiva, cerca de quatro mil operários decidiram prosseguir com a greve.

No decurso do dia dos “Fuzilamentos de Setúbal” — assim a imprensa nacional registou o evento —, um vasto grupo de trabalhadores concentrou-se junto à sede da Associação de Classe dos Soldadores de Setúbal²²⁰, na Avenida Luísa Todi, após ter tomado conhecimento de que dois fabricantes, Mariano Lopes e Chancerelle, haviam ordenado o transporte de caixas de conservas até à estação de caminhos-de-ferro, devidamente escoltadas pela Guarda Republicana. Em dois momentos distintos, as carroças que transportavam os produtos foram apedrejadas. No segundo, uma delas foi cercada e o carroceiro alvo de insultos e agressões por parte dos grevistas. No meio da confusão, a Guarda Republicana tirou a vida a duas pessoas, com disparos e coronhadas²²¹:

“Um rapaz […] deitou as mãos às rédeas de um cavalo que transportava caixas de conserva e a Guarda Republicana disparou. Disparou e matou-o a ele e a uma mulher”²²².

José Carlos Rates, figura incontornável da fundação do PCP, foi o primeiro secretário-geral da União dos Sindicatos de Setúbal, fundada em 15 de dezembro de 1910. Este organismo, em fevereiro de 1911, afirmava representar a voz de cerca de sete mil sindicalizados²²³. Por ter estado diretamente envolvido neste movimento grevista, o dirigente revolucionário foi detido na canhoneira Zaire até 8 de junho seguinte, levando a embarcação, ancorada no rio Sado, a ser alcunhada de “Bastilha Setubalense”²²⁴.

No seguimento da sua detenção, as Associações Operárias de Lisboa protestaram junto do Governo, exigindo a demissão do administrador do concelho de Setúbal, Leonel de Melo, a libertação de José Carlos Rates e a reabertura das associações de classe encerradas²²⁵. Neste contexto, foi convocada a primeira greve-geral nacional de 24 horas²²⁶.

Paralelamente a estes trágicos acontecimentos, a imagem de Ana de Castro Osório e do seu marido, Paulino de Oliveira, junto dos trabalhadores, ficou tão manchada que a permanência do casal em Setúbal se tornou incomportável. Em poucos meses, Paulino de Oliveira foi nomeado cônsul em São Paulo, garantindo um exílio político distante da sua cidade natal²²⁷.

Tudo começou com as acusações publicadas por Martins dos Santos, diretor do periódico ácrata Germinal. Este atacou severamente o casal, denunciando que Paulino de Oliveira chibateara várias mulheres grevistas que exerciam funções na fábrica de conservas da sua irmã. O conflito começou quando as grevistas protestaram contra os familiares que as estavam a substituir, inclusive a própria Ana de Castro Osório.

Para se defender publicamente, a feminista publicou o opúsculo As operárias das fábricas de Setúbal e a greve: “é bem lógico o compreender que a greve das mulheres das fábricas de conserva foi – a meu ver – extemporânea e, ainda mais, injusta”²²⁸. Afastando-se do universo operário, argumentou que a paralisação laboral prejudicou a República e que as grevistas foram manipuladas por revolucionários²²⁹.

A cidade continuou a viver dias agitados durante os anos de 1911 e 1912, tendo ocorrido 38 paralisações laborais. Em resultado da satisfação de algumas reivindicações e da intervenção do aparelho repressivo do Estado, o ritmo da conflitualidade social abrandou nos anos seguintes²³⁰.

O deflagrar da Grande Guerra mudou tudo. Num conflito em que as trincheiras foram o quotidiano de milhões de soldados, os enlatados tornaram-se num dos seus principais alimentos e, por esse motivo, extraordinariamente procurados pelos países beligerantes. Este setor tornou-se no segundo maior exportador, duplicando o total de toneladas comercializadas: 1914 – 18 488 ton.; 1918 – 35 880 ton.: “os anos de 1915-1919 [foram] caracterizados por um autêntico boom conserveiro”²³¹. Os mercados francês e britânico foram inundados de conservas.

Em virtude destas necessidades externas, o número de fábricas de conservas em Setúbal cresceu exponencialmente, ultrapassando a centena, quando, no início de 1914, não atingia as 45. Estes números devem, no entanto, ser observados com cautela, dada a reduzida escala de várias empresas (algumas minúsculas)²³², criadas com vista ao lucro imediato da economia de guerra²³³. A oportunidade de enriquecer rapidamente com um produto hiper valorizado é descrita numa edição d’O Setubalense, de 1917: “Os mais infectos casebres são disputados à força do dinheiro, para se montarem misérrimas fábricas de conservas”²³⁴. Tratou-se de anos de prosperidade e riqueza artificiais. Finda a guerra, terminou a necessidade de enlatados e o setor aproximou-se do colapso.

Do ponto de vista social, para além da fratura entre intervencionistas e anti-intervencionistas, a crise dos abastecimentos de géneros alimentícios e a deterioração das condições de vida, motivadas pelo açambarcamento, pela sucessiva escalada dos preços ou pela especulação, intensificaram a chama do ‘vulcão’²³⁵ operário. Viveram-se dias de fome e de desespero, principalmente nos anos de 1917 e 1918, em que se multiplicaram greves (inclusive gerais²³⁶), assaltos coletivos a estabelecimentos comerciais e a quintas, protestos anti-guerra, deserções militares e violência nas ruas: “não se exagerará ao dizer que a Setúbal da guerra é também a Setúbal em guerra”²³⁷.

Nestes anos, a evolução política municipal do concelho foi marcada, principalmente, pelo início da desagregação do P.R.P. Entre os democráticos, destacavam-se Eduardo Mendes Belo, Manuel Livério ou José da Rocha, enquanto os evolucionistas eram encabeçados por Joaquim Brandão, Arronches Junqueiro, Leão Azedo ou José Augusto Coelho²³⁸. O partido dirigido por Afonso Costa saiu vitorioso nas eleições municipais de 1913, deixando para trás as comissões administrativas controladas pelos evolucionistas. Os resultados das eleições autárquicas, decorridas em novembro de 1917, pelo contrário, evidenciaram a perda de influência do Partido Democrático em Setúbal. A construção de uma primeira versão de um bloco político de várias direitas (a ‘Lista do Concelho’), que aglutinou evolucionistas, monárquicos e outros conservadores, provocou uma derrota nas urnas. As breves ditaduras vividas durante a Grande Guerra, lideradas por Pimenta de Castro e Sidónio Pais, provocaram a deposição dos eleitos para os executivos camarários, tendo sido nomeadas comissões administrativas²³⁹.

A Gripe Pneumónica deixou o seu lastro de morte à beira-Sado. Entre setembro de 1918 e janeiro de 1919, foram oficialmente contabilizadas 672 vítimas mortais no concelho. Numa cidade com um hospital sem condições infraestruturais, com a Misericórdia de Setúbal em crise financeira e apenas quatro médicos para cerca de 50 mil habitantes, até os sinos das igrejas foram proibidos. Para o futuro ficou a fundação, em 18 de maio de 1919, do Orfanato Municipal, no antigo Convento do Recolhimento da Soledade, dando asilo aos meninos que perderam os pais à custa da pandemia²⁴⁰.

Notas

100 BRAGA, Paulo Drummond, Setúbal Medieval (séculos XIII a XV), C.M.S., Setúbal, 1998, pp. 35-44.

101 SILVEIRA, Ana Cláudia, “A afirmação de um espaço periférico medieval: o arrabalde de Troino em Setúbal” in Evolução da paisagem urbana: cidade e periferia, coord: RIBEIRO, Maria do Carmo; MELO, Arnaldo Sousa, CITCEM, Lisboa, 2014, pp. 120-124.

102 FONSECA, Jorge, Setúbal – O porto e a comunidade fluvial e marítima (1550-1650), Colibri, Lisboa, 2012, pp. 23-49.

103 TOMÉ, Manuela Maria Justino, Topologia e Tipologia Arquitectónica – Setúbal, séculos XIV-XIX: Memória e futuro da imagem urbana, Caleidoscópio, Casal de Cambra, 2017, p. 216.

104 ROLLO, Maria Fernanda (coord.), “Da insustentabilidade do modelo à crise do sistema” in História da Primeira República, Tinta-da-China, Lisboa, 2009, p. 29.

105 COSTA, Albérico A., História e Cronologia de Setúbal (1248-1926), Estuário, Setúbal, 2011, p. 96.

106 RODRIGUES, Joseph, Avenida Luísa Todi – do rio à cidade: um exercício curatorial, Dissertação de Mestrado em Museologia e Museografia, FBAUL, Lisboa, 2011, pp. 8-13.

107 COSTA, Albérico Afonso (coord.), “Setúbal – De meados de Oitocentos ao dealbar do século XX: Elementos de caracterização económica, social, política e cultural” in Setúbal – Roteiros Republicanos, CNCCR/Quidnovi, Matosinhos, 2010, pp. 10-21.

108 LEAL, Ernesto Castro, “Estado Liberal e Poder Concelhio – A supressão do concelho de Palmela” in Da Supressão à Restauração do Concelho de Palmela: Conjuntura e Símbolos (1855-1926), Col. Cadernos Locais, n.º 1, Grupos dos Amigos de Palmela, Palmela, 1998, pp. 9-35.

109 BENTO, António Cunha; MOURO, Carlos; PENA, Horácio, Domingos Garcia Peres (1812-1902): Um setubalense pelo coração – Homenagem no bicentenário do seu nascimento, LASA, Moita, 2012, p. 28.

110 Carta patente de elevação de Setúbal a cidade, de 23/07/1860. PINTO, Machado, Setúbal – Cidade Centenária (1860-1960), Tipografia Rápida, Setúbal, 1966, p. 38.

111 MOURO, Carlos; PENA, Horácio, Para a História da Iluminação Pública em Setúbal, Universidade Popular de Setúbal, Setúbal, 1997, p. 8.

112 MACHADO, Montalvão, Vultos Médicos de Setúbal, Junta Distrital de Setúbal, Setúbal, 1961, p. 22.PIMENTEL, Alberto, Memória sobre a História e a Administração do Município de Setúbal, C.M de Setúbal/Biblioteca Municipal de Setúbal, Setúbal, 1992, p. 273. [Edição fac-similada]

113 LEAL, Pinho, Portugal antigo e moderno…, vol. IX, Editora Matos Moreira & C.ª, Lisboa, 1880, p. 290.

 

114 PROENÇA, Raúl, As praias de Portugal – Guia do banhista e do viajante: Mapa da época balnear no final do século XIX, Terra incógnita, Maia, 2022, p. 149. [Edição facsimilada]

115 MOURO, Carlos, “Notas sobre a indústria de curtumes setubalense” in MUSA, n.º 5, Arqueologia Urbana e História Local: Actas do Encontro de Homenagem a Almeida Carvalho, MAEDS, Setúbal, 2018.

116 COSTA, Albérico Afonso; MOURO, Carlos, “Os Processos Tradicionais de Conservação” in A Indústria Conserveira em Setúbal, Museus Municipais da C.M de Setúbal, Setúbal, 1996, pp. 9-10.

117 COSTA, Albérico Afonso; MOURO, Carlos, “Linhas de evolução da indústria conserveira em Setúbal” in Actas do 1.º Encontro de Estudos Locais do Distrito de Setúbal, ESE/IPS, Setúbal, 1990, pp. 19-29.

118 PINHO, Inês de Gato, De colégio de S. Francisco Xavier a Palácio Fryxell – História e análise arquitectónica, IPS, Setúbal, 2013, p. 97.

119 QUINTAS, Maria da Conceição, Setúbal – Economia, Sociedade e Cultura Operária (1880-1930), Livros Horizonte, Lisboa, 1998, p. 87.

120 Também a Galiza foi alvo do investimento de capital francês. Em cerca de 15 anos, o número de unidades conserveiras disparou de 16 para 82. ABELEDO, Luisa Muñoz, “Technological change and gender division of labour in the canning industry. Different experiences on American Eastern and European Southwest shores” in XIV th International Economical History Congress, Helsínquia, 2006, pp. 3-13.

121 “A indústria de conservas, fonte de riqueza e de vida” in Terra Nossa – Revista de Setúbal, n.º 1 de 01/05/1920, p. 18.

122 PARREIRA, Henrique, “A evolução duma grande indústria” in O Livro de Ouro das Conservas Portuguesas de Peixe, IPCP, Lisboa, 1938, s.p.

123 Cf. NEVES, Ana Catarina da Palma, Empresas e Sistemas de Informação em Perspetiva Histórica – A fábrica Saupiquet em Setúbal (1960s-1980s), Dissertação de Mestrado, UÉ, Évora, 2006.

124 ALCÂNTARA, Ana, “A indústria conserveira e a evolução urbana de Setúbal (1854-1914)” in MUSA, n.º 3, MAEDS, Setúbal, 2008, pp. 16-19.

125 Cf. ALCÂNTARA, Ana, A indústria conserveira em Setúbal, 1854-1914, Relatório final de Licenciatura em História, variante em Arqueologia, FCSH/NOVA, Lisboa, 2014.

126 FARIA, Carlos, “História urbana de Setúbal” in Setúbal na História, LASA, Setúbal, 1990, p. 66.

127 SANTINHOS, Maria João Ferreira, A arquitetura industrial conserveira em Setúbal (1924-1994), Dissertação de Mestrado em Arquitetura, ISCTE-IUL, Lisboa, 2015, p. 172.

128 AMORIM, Vanessa Iglésias; SANTOS, João Pedro; PINHO, Jaime, “Indústria Conserveira – mosaico de um futuro anterior” in A Casa de Emília, Teatro Estúdio Fontenova, Setúbal, 2020, p. 19.

129 FARIA, Carlos, “História urbana de Setúbal” in Setúbal na História, LASA, Setúbal, 1990, p. 60.

130 1708 mulheres, 842 soldadores, 480 trabalhadores, 412 moços e 278 operários não especializados. PEREIRA, Alberto; LOPES, José Madureira, A indústria das conservas de peixe em Setúbal, Estuário, Setúbal, 2015, p. 212.

131 VICTOR, Isabel; DUARTE, Ana, Alguns aspectos da indústria conserveira em Setúbal, C.M. de Setúbal, Setúbal, 2000, pp. 7-13.

132 VALENTE, Vasco Pulido, “Os conserveiros de Setúbal (1887-1901)” in Análise Social, vol. XVII (67-

68), ICS, Lisboa, 1981, pp. 615-678.

133 FARIA, Carlos Vieira de, As Cidades na Cidade – Movimentos Sociais Urbanos em Setúbal, 1966-1995,

Esfera do Caos, Lisboa, 2009, p. 83.

134 LEONARDO, Ana; HELENO, Conceição, FERNANDES, Lucinda, Exposição “Litografia – Uma arte

em Setúbal: Mostra Documental”, Mostra patente de 30/04 a 30/06 de 2021, C.M.S., Setúbal, 2021.

135 ABREU, Maurício, A Indústria Conserveira em Setúbal – Retratos, C.M. de Setúbal, Setúbal, 1988, s.p.

136 CARDOSO, Maria Miguel; FERRO, Bruno, Catálogo da Exposição “Ao Toque da Sereia: A Indústria Conserveira na Coleção Fotográfica Américo Ribeiro”, Mostra patente na Casa da Cultura de Setúbal de 05/01/2017 a 02/02/2017, C.M. de Setúbal, Setúbal, 2017.

137 MENDES, Adelino, O Algarve e Setúbal, Guimarães & Cª Editores, Lisboa, 1916, p. 164.

138 COELHO, Mariano, “Setúbal – Estância balnear e região de turismo” in A Indústria, n.º 56 de 08/08/1924, p. 1.

139 Cf. SILVA, Raquel Henriques; BORBA, Francisco, Setúbal e a arredores na obra artística do Rei D. Carlos, LASA, Setúbal, 2019.

140 QUINTAS, Maria da Conceição, Setúbal nos finais do século XIX, Caminho, Lisboa, 1993, pp. 169-171

141 MACEDO, Isabel Pratas, Ventura Terra – O arquitecto em Setúbal, Brochura da exposição que decorreu na Galeria Municipal do Onze entre 14 de julho e 26 de agosto de 2017, C.M. de Setúbal, Setúbal, 2017.

142 PINHO, Inês de Gato, Vilegiatura Marítima em Setúbal – do século XIX ao início do século XX, LASA, Setúbal, 2010, pp. 22-39.

143 No Bairro Salgado, as habitações da elite sadina eram decoradas sob a inspiração do palacete do Conde de Armand. MACEDO, Isabel, “A Casa da Comenda de Raúl Lino: de torre medieval a residência de veraneio” in Cadernos do Arquivo Municipal, n.º 6, C.M de Lisboa, Lisboa, 2016, pp. 109-141.

144 Citado a partir de: RAMOS, Manuel João, Caracterização geral da evolução humana da península de Setúbal. Investigação realizada no âmbito do projeto Sea Architectures: PTDC/AUR-AQI/113587/2009

145 VALENTE, Vasco Pulido, “Os conserveiros de Setúbal (1887-1901)” in Análise Social, vol. XVII (67-68), ICS, Lisboa, 1981, p. 619.

146 GARCIA, Fernando (João Semana), “A nossa cidade” in Ensaios e Críticas, vol. I, Edição da Cruzada Nun’Álvares, Setúbal, 1936, p. 337. O texto em causa foi escrito em 1923.

147 Estes dados enquadram meramente o território do atual concelho de Setúbal (com as freguesias de Azeitão) para uma análise mais concreta da evolução demográfica. No caso da freguesia rural de Palmela, a ‘revolução da cepa e do vinho’ provocou um fluxo migratório, elevando a população concelhia para 55

159 habitantes, em 1920. FORTUNA, António Matos, Monografia de Palmela, vol. III, Extinção e Restauração do Concelho de Palmela, C.M. de Palmela, Palmela, 1997, pp. 88-89.

148 SILVA, Maria de Lurdes Reizinho, “A dinâmica populacional do concelho de Setúbal na segunda metade do século XIX” in População e Sociedade, n.º 5, CEPESE, Porto, 1999, p. 65.

149 AMORIM, Vanessa, Marés de incerteza – Etnografia do presente liminar na comunidade piscatória de Setúbal, Dissertação de Mestrado em Antropologia, ISCTE-IUL, Lisboa, 2015, p. 30.

150 NOGUEIRA, Lénia; MARTINS, Patrícia, Paróquia e Igreja de São Sebastião de Setúbal: História e Arte (1553-2003), Corlito, Setúbal, 2004.

151 As famílias de S. Domingos e das Fontainhas beneficiaram com a extensão do ramal ferroviário até à zona ribeirinha, inaugurado em 1907, atravessando um túnel de 90 metros. CRUZ, Inês Pinto da, Setúbal: Memória e Identidade Urbana, Dissertação de Mestrado em Arquitetura, FAA-ULL, Lisboa, 2018, p. 45.

152 QUINTAS, Maria da Conceição, “Troino e Fontainhas: Duas comunidades de pescadores em confronto” in Movimento Cultural, n.º 6, AMRS, Setúbal, 1989, pp. 77-80.

153 BORGES, Patrícia (coord.); FERREIRA, Diogo, “A história dos nossos pescadores” in Setúbal – Terra de Pescadores, C.M. de Setúbal, Setúbal, 2020, pp. 14-15.

154 FERREIRA, Diogo; SANTOS, João Pedro, O Bairro de Troino – Contributos para a sua História, Estuário/LASA, Setúbal, 2020, p. 32.

155 SILVA, Maria Reizinho e, “Os movimentos migratórios e a naturalidade dos residentes em Setúbal na segunda metade do século XIX” in População e Sociedade, n.º 7, CEPESE, Porto, 2001, p. 220.

156 FERREIRA, Diogo; SANTOS, João Pedro, “Setúbal e a política habitacional do Estado Novo na década de 1940: O Bairro Presidente Carmona (1948) e o Bairro de Casas Económicas da Nossa Senhora da Conceição (1949)” in Património Arquitectónico Civil de Setúbal e Azeitão, org: BENTO, António Cunha;

PINHO, Inês Gato de; COUTINHO, Maria João Pereira, Estuário/LASA, Setúbal, 2019, pp. 407-408.

157 GUIMARÃES, Paulo, “A habitação popular urbana em Setúbal no primeiro terço do século XX” in Análise Social, vol. XXIX (127), ICS, Lisboa, 1994, pp. 525-554.

158 Este bairro possui um nome que é ilustrativo da politização dos seus moradores.

159 PEREIRA, Alberto; LOPES, José, Bairro Santos Nicolau – Setúbal, Estuário, Setúbal, 2012, pp. 49-50.

160 S.A., Roteiro da Cidade de Setúbal – Nomenclatura Geral, Tipografia Albino, Setúbal, 1928, p. 36.

161 Citado a partir de: MARTINS, Augusto, Breve História do Bairro Troino e Zonas Envolventes, Tip. Rápida de Setúbal, Setúbal, 2012, pp. 9-10.

162 MOURO, Carlos, “O Bairro Salgado, Setúbal (Algumas notas)” in Património Arquitectónico Civil de Setúbal e Azeitão, org: BENTO, António Cunha; PINHO, Inês Gato de; COUTINHO, Maria João Pereira, Estuário/LASA, Setúbal, 2019, p. 376, p. 382 e p. 385.

163 SOARES, Joaquina, “Alguns aspectos da produção do espaço urbano de Setúbal de 1920 a 1930” in Movimento Cultural, n.º 6, AMRS, Setúbal, 1989, pp. 107-112.

164 FREITAS, Helena de Sousa Freitas, “A expressão anarquista nas paredes de Setúbal: o cavalo de batalha de Tróia” in CIES e-Working Papers, n.º 112, CIES-IUL, Lisboa, 2012, p. 12.

165 MENDES, Adelino, Terras de Portugal, vol. II, O Algarve e Setúbal, Guimarães & C.ª Editores, Lisboa, 1916, p. 200.

166 PEREIRA, Joana Dias, “A difusão do Sindicalismo Revolucionário na Península de Setúbal – A formação da classe operária e a difusão do sindicalismo na península” in Actas do II Encontro de Estudos Locais do Distrito de Setúbal, ESE/IPS, Setúbal, 2011, pp. 217-220.

167 ARAÚJO, Luísa, 100 anos. Sociedade Musical e Recreativa União Setubalense, SIG, Camarate, 2004.

168 COSTA, Albérico Afonso (coord.), “Setúbal – De meados de Oitocentos ao dealbar do século XX: Elementos de caracterização económica, social, política e cultural” in Setúbal – Roteiros Republicanos, CNCCR/Quidnovi, Matosinhos, 2010, pp. 14-16. QUINTAS, Maria da Conceição, Setúbal – Economia, Sociedade e Cultura Operária (1880-1930), Livros Horizonte, Lisboa, 1998, p. 224.

169 MENDES, Adelino, op. cit., 1916, p. 175.

170 MOURO, Carlos “Casa dos Pescadores” in Calafates e outras profissões ligadas à atividade marítima, org: AA.VV., Catálogo de Exposição (14/09 a 23/11 de 2019), C.M de Setúbal, Setúbal, 2019, s.p.

171 COSTA, Albérico, “Do ensaio do poder à guerra social permanente e de alta intensidade – Setúbal Republicana” in Actas do II Encontro de Estudos Locais do Distrito de Setúbal, IPS, Setúbal, 2011, p. 226.

172 PEREIRA, Alberto; LOPES, José, op. cit., p. 220.

173 ARRANJA, Álvaro, Anarco-Sindicalistas e Republicanos: Setúbal na I República, CEB, Setúbal, 2009.

174 FONSECA, Carlos da, História do Movimento Operário e das Ideias Socialistas em Portugal, vol. IV, Greves e agitações operárias (1.ª Parte), Publicações Europa-América, Lisboa, 1980, pp. 150-164.

175 COSTA, Albérico Afonso, “Intervenção cívica e acção política dos pioneiros do republicanismo em Setúbal” in Setúbal – Roteiros Republicanos, CNCCR/Quidnovi, Matosinhos, 2010, p. 23.

176 ARRANJA, Álvaro, op. cit., pp. 33-34.

177 MOURO, Carlos; PENA, Horácio, Para a História do Club Setubalense (1855-2010), Div’Almeida Atelier Gráfico, Setúbal, 2010, pp. 49-50 e 113.

178 MOURO, Carlos; PENA, Horácio, “Setúbal e os alvores do republicanismo” in Setúbal – 1909: A cidade e o congresso do Partido Republicano, C.M de Setúbal, Setúbal, 2009, p. 72.

179 ARRANJA, Álvaro, O centenário de Bocage em 1905 (em Portugal e no Brasil), CEB, Setúbal, 2019, p. 79.

180 FERRO, Bruno; RIBEIRO, Francisca; NETO, José Luí,s “Catalogação” in Setúbal – 1909: A cidade e o congresso do Partido Republicano, C.M de Setúbal, Setúbal, 2009, p. 26.

181 Cf. SAMARA, Maria Alice, As Repúblicas da República: História, Cultura Política e Republicanismo, Tese de Doutoramento em História, NOVA/FCSH, Lisboa, 2010.

182 CHAGAS, João, “Carta ao Congresso de Setúbal ao reunir-se para eleger o último Directório do Partido Republicano Português” de 12/04/1909 in Cartas políticas, n.º 19, Lisboa, 1909, p. 292.

183 COSTA, Albérico Afonso (org.), “O X Congresso Republicano de 1909 sob o signo da revolução” in Atas do Colóquio – O Republicanismo entre a revolução e a ordem, IPS, Setúbal, 2009, p. 57.

184 VILAR, Anita, Panorama de uma história local no feminino, CEB, Setúbal, 2013, pp. 56-57.

185 COSTA, Albérico Afonso, “A Igreja Católica e a República em Setúbal: Uma intensa confrontação ideológica e política” in Casas Religiosas de Setúbal e Azeitão, org: AA.VV., LASA, Setúbal, 2016, p. 159.

186 COSTA, Albérico Afonso, “Intervenção cívica e acção política dos pioneiros do republicanismo em Setúbal” in Setúbal – Roteiros Republicanos, CNCCR/Quidnovi, Matosinhos, 2010, p. 30.

187 COSTA, Albérico Afonso, “O Germinal, um roteiro acrata para a revolução social” in Atas do I Congresso de História do Movimento Operário e dos Movimentos Sociais em Portugal, org: AA.VV., IHC/FCSH, Lisboa, 2016, p. 11.

188 O Século, edição n.º 9936 de 15/08/1909, p. 1 Consultado em 29/11/2022]

189 JESUS, F. Henrique de, Subsídios para a História do Jornalismo Setubalense – Edição Comemorativa do Centenário do 1.º Jornal Impresso em Setúbal (1855-1955), C.M. de Setúbal, Setúbal, 1955, pp. 7-19.

190 Cf. MARTINS, Idília, A imprensa em Setúbal (1855-1983), C.M. de Setúbal, Setúbal, 1984.

191 SÁ, Vítor de, “A imprensa operária portuguesa – O Distrito de Setúbal na imprensa” in Movimento Cultural, n.º 2, AMRS, jan. de 1986, pp. 62-63.

192 Decreto de 29/12/1900 in Diário do Governo, n.º 1 de 02/01/1901.

193 FERNANDES, Paulo Jorge, “O governo de Setúbal antes da República (1900-1905)” in Actas do II Encontro de Estudos Locais do Distrito de Setúbal, org: AA.VV, ESE/IPS, Setúbal, 2011, p. 288.

194 GARCIA, Fernando, “O Baptista de Setúbal” in Ensaios e Críticas, vol. III, Casa Nun’Álvares, Setúbal,

1936, p. 144. Texto escrito em 1924.

195 Foi responsável pela adaptação da Igreja da Boa-Hora a Tribunal, pela ampliação do coreto e pela edificação do Bairro Baptista (84 fogos), ligado ao seu palacete na Quinta Nova e aos seus empreendimentos empresariais. Cedeu os terrenos para a construção da Praça de Touros D. Carlos I, inaugurada em 15 de setembro de 1889. FERREIRA, Vasco Luís Remondes, O caso Bairro Baptista – Novas lógicas de reconfiguração urbana, Dissertação de Mestrado em Arquitectura, ULHT, Lisboa, 2018, pp. 39-41. VELEZ, António, Forcados – Aposento de Setúbal, Grafitroia, Setúbal, 1989, p. 11.

196 Citado a partir de: PEREIRA, Maria Clementina, O teatro amador em Setúbal durante o século XX, Tip. Rápida de Setúbal, Setúbal, 2013, p. 20.

197 RIBEIRO, João Reis, Histórias da Região de Setúbal e Arrábida, CEB, Setúbal, 2003, pp. 175-178.

198 QUINTAS, Maria da Conceição, Monografia de S. Julião – Setúbal, Caminho, Lisboa, 1993, p. 150.

199 Do ponto de vista da investigação histórica, apenas graças aos manuscritos de João Carlos de Almeida Carvalho (1817-1897) se tem acesso a várias informações por si consultada na documentação que se perdeu. CARVALHO, Almeida, A Batalha do Viso e a Revolta da Patuleia em Setúbal, organização, prefácio e notas de Álvaro Arranja, CEB, Setúbal, 2013, p. 29.

200 SILVEIRA, Luís, Anotações ao livro «Memória sobre a História e Administração do Município de Setúbal»: Subsídios para a história de Setúbal, Documento dactilografado à guarda da Hemeroteca da Biblioteca Municipal de Setúbal, Setúbal, 1942, p. 183.

201 AZEVEDO, Luís Gonzaga, Proscritos – Notícias circunstanciadas do que passaram os religiosos da Companhia de Jesus na revolução de Portugal de 1910, Florência de Lara Editor, Valladolid, 1911, p. 77. Citado a partir de: RUSSO, Carlos Fernando, Nossa Senhora da Anunciada – Devoção e História no Povo de Setúbal, Paulinas, Águeda, 2008, pp. 29-30.

202 SILVA, José Custódio Vieira da, Cidades e Vilas de Portugal – Setúbal, Presença, Lisboa, 1990, p. 40.

203 VAZ, Vicente, As figuras dum painel, Serviços Culturais da C.M. de Setúbal, Setúbal, 1947, p. 14

204 ARRANJA, Álvaro, “O 5 de Outubro em Setúbal – Republicanismo e movimento operário” in Actas do 1.º Encontro de Estudos Locais do Distrito de Setúbal, org: AA.VV., ESE/IPS, Setúbal, 1990, pp. 48-49.

205 COSTA, Albérico Afonso (coord.), “A República em Setúbal – A Revolução que chegou de véspera” in Setúbal – Roteiros Republicanos, CNCCR/Quidnovi, Matosinhos, 2010, pp. 40-41.

206 FIGUEIRA, Manuel Henrique, O Liceu de Setúbal – Das origens à Escola Secundária de Bocage (1857-1999), Escola Secundária de Bocage, Setúbal, 1999, pp. 26-29.

207 FERREIRA, Diogo, “A reconstrução dos Paços do Concelho (1928-1939)” in Setúbal no centro do mundo – 165 anos do jornal O Setubalense, coord: COSTA, Albérico, Tip. Rápida, Setúbal, 2020, p. 81.

208 CLARO, Rogério Peres, Dr. Francisco de Paula Borba – 1.º cidadão honorário de Setúbal, Setulgráfica, Setúbal, 1986, pp. 18-19.

209 SILVA, Daniela, “A Misericórdia de Setúbal nos primeiros anos da República – administração republicana da assistência” in Actas do II Encontro de Estudos Locais do Distrito de Setúbal, org: COSTA, Albérico Afonso, IPS, Setúbal, 2011, p. 41 e p. 188.

210 MOURO, Carlos; PENA, Horácio, “A Primeira República e a toponímia” in Setúbal – Roteiros Republicanos, CNCCR/Quidnovi, Matosinhos, 2010, pp. 92-98.

211 FERREIRA, Diogo, Breve História da Freguesia de São Sebastião – Setúbal, Estuário, Setúbal, 2021.

212 CLARO, Rogério Peres (org.), António Maria Eusébio (O Calafate) – Versos do Cantador de Setúbal, II volume, Ulmeiro, Lisboa, 1985, p. 85.

213 DUARTE, Ana; PEREIRA, Fernando António Baptista; GONÇALVES, Luís Jorge, Festas, feiras e romarias – Percursos na Costa Azul, Região de Turismo de Setúbal – Costa Azul, Setúbal, 1997, p. 40.

214 DUARTE, Ana; QUINTAS, Maria da Conceição, “Do sagrado ao profano na Setúbal dos inícios do século XX: do círio da Arrábida às festas bocageanas” in Actas do 1.º Encontro de Estudos Locais do Distrito de Setúbal, ESE/IPS, Setúbal, 1990, p. 76.

215 BRETES, Maria da Graça; MAGALHÃES, Olga, “Bocage de ambos os lados do espelho: as festas da cidade” in Actas do 1.º Encontro de Estudos Locais do Distrito de Setúbal, ESE/IPS, Setúbal, 1990, p. 273.

216 GARCIA, Fernando, “O que eu penso!” in Ensaios e Críticas, vol. III, Casa Nun’Álvares, Setúbal, 1936, p. 376. Texto escrito em 1929.

217 MOURO, Carlos; PENA, Horácio, “O feriado municipal e a memória colectiva setubalense” in MUSA, n.º 5, Arqueologia Urbana e História Local: Actas do Encontro de Homenagem a Almeida Carvalho, AMRS/MAEDS, Setúbal, 2018, pp. 190-194.

218 A literatura histórica local tem erradamente identificado o nome da personagem como Mariana. Através da consulta de outra documentação compreende-se que se trata de Maria do Carmo Torres. “Mês Fatídico” in A Mocidade, n.º 149 de 15/03/1911, p. 1. ADSTB, AMS, Administração do Concelho de Setúbal, Cx. 1290, Lv. 1 (Correspondência ‘Interior’ – 2.ª secção), Ofício n.º 192 de 13/03/1911 enviado pelo Administrador do Concelho de Setúbal para o Juiz de Direito da Comarca de Setúbal.

219 MEDINA, João, “Prefácio – Setúbal e o drama da 1.ª República” in Greves, Sindicalismo – Setúbal (1910-1913), org: QUINTAS, Maria da Conceição; CHAGAS, Soledade Brites; CONTREIRAS, Élia Almada, Assembleia Distrital de Setúbal, Lisboa, 1981, p. 16.

220 Foi projetada pelo arq.º Adães Bermudes e inaugurada em junho de 1911. PEREIRA, Joana Dias, A produção social da solidariedade operária: O caso de estudo da península de Setúbal (1890-1930), Tese de Doutoramento em História Contemporânea, FCSH/NOVA, Lisboa, 2013, pp. 227-228.

221 ARRANJA, Álvaro, Mataram Mariana – Dos fuzilamentos de Setúbal à ruptura Operariado-República em 1911, CEB, Setúbal, 2011, pp. 37-57.

222 AHS-BNP, Espólio N61, Secção de Cassetes, Cx. 122, Cassete n.º 17A, Lado A – Entrevista de João Freire a José Bernardo (1981), Minuto 40.

223 ARRANJA, Álvaro, “A I República e o Movimento Operário em Setúbal” in Setúbal – Roteiros Republicanos, org: COSTA, Albérico Afonso, CNCCR/Quidnovi, Matosinhos, 2010, p. 55.

224 FONSECA, Pedro Prestes da, Incorrigível – A história desconhecida de Carlos Rates: De primeiro secretário-geral do PCP a apoiante de Salazar, Ponto de Fuga, Lisboa, 2021, pp. 44-46.

225 ARRANJA, Álvaro, “Dos ‘Fuzilamentos de Setúbal’ à primeira tentativa de Greve-Geral em Portugal (1911)” in Actas do II Encontro de Estudos Locais do Distrito de Setúbal, IPS, Setúbal, 2011, p. 247.

226 VIEIRA, Alexandre, Para a História do Sindicalismo em Portugal, Seara Nova, Lisboa, 1970, p. 42.

227 Era uma personalidade respeitada por ter sido um dos pioneiros do republicanismo local, tendo escrito a obra Em ferros d’el-rey (1893) onde denunciou que o seu cárcere foi motivado pela sua orientação pró- República. OLIVEIRA, Paulino, Em ferros d’el-rey, org: PIRES, Daniel, CEB, Setúbal, 2012, pp. 24-28.

228 OSÓRIO, Ana de Castro, As operárias das fábricas de Setúbal e a greve, Tip. Santos, Setúbal, 1911, pp. 9-10.

229 BARRADAS, Ana, “Ana de Castro Osório: O feminismo anti-operário e a greve das conserveiras de Setúbal” in História, ano XX, n.º 11, 1999, pp. 48-55.

230 COSTA, Albérico Afonso, “Do ensaio do poder à guerra social permanente e de alta intensidade – Setúbal Republicana” in Actas do II Encontro de Estudos Locais do Distrito de Setúbal, ESE/IPS, Setúbal, 2011, p. 230.

231 ROLLO, Maria Fernanda, “Industrialização” in Nova História, vol. XI, Portugal da Monarquia para a República, org: MARQUES, A.H. de Oliveira, Lisboa, Presença, 1991, p. 136.

232 PINHO, Jaime; GONÇALVES, Fernanda; TAURINO, Leonor, Fartas de viver na lama: 25 de Abril – O Castelo Velho e outros bairros SAAL do Distrito de Setúbal, Colibri, Lisboa, 2002. p. 33.

233 FERREIRA, Diogo, “O impacto socioeconómico da I Guerra Mundial em Setúbal (1914-1918)” in República e Republicanismo, vol. II, Caleidoscópio, Casal de Cambra, 2017, pp. 29-44.

234 Citado a partir de: PINHO, Jaime; COSTA, Albérico Afonso; MARQUES, Lígia Penim, Entre Urzes e Camarinhas – As Festas da Arrábida e de Tróia, Estuário, Setúbal, 1993, p. 15.

235 No governo da ‘União Sagrada’, o administrador do concelho de Setúbal, José Bernardo Ferreira, referiu-se a Setúbal como sendo “um vulcão de movimentos operários”. ANTT, Ministério do Interior, Direção-Geral da Administração Política e Civil (DGAPC), 1.ª rep., 1.ª secção, Cx. 46, Mç. 76, Relatório de 20/08/1917 enviado pelo Administrador do Concelho de Setúbal para o Ministro do Interior.

236 ALCÂNTARA, Ana, “A Greve Geral da Indústria Conserveira (1916-1917)” in Setúbal no centro do mundo – 165 anos do jornal O Setubalense, org: COSTA, Albérico, Tip. Rápida, Setúbal, 2020, pp. 56-57.

237 COSTA, Albérico Afonso, “Setúbal Republicana – Quando as fábricas transbordavam de greves” in Greves e Conflitos Sociais em Portugal no século XX, org: AA.VV., Edições Colibri, Lisboa, p. 67.

238 MOURO, Carlos, “José Augusto Coelho – Republicano, proprietário, autarca, benemérito” e “Manuel Livério – Republicano, jornalista amador, autarca” in Setúbal no Centro do mundo – 165 anos do jornal O Setubalense, org: COSTA, Albérico A., Tip. Rápida, Setúbal, 2020, pp. 233-234 e 247-248.

239 O evolucionista Joaquim dos Santos Fernandes e o monárquico Henrique Augusto Pereira, respetivamente, foram os escolhidos para exercerem o poder local.

240 Foi uma iniciativa da comissão administrativa sidonista que garantiu que este edifício religioso fosse adaptado a hospital para epidemiados e, posteriormente, a orfanato. PEREIRA, Alberto, “A epidemia de gripe pneumónica em Setúbal” in Actas do II Encontro de Estudos Locais do Distrito de Setúbal, ESE/IPS, Setúbal, 2011, pp. 329-335. SANTOS, Gina, Oficina de Tipografia do antigo Orfanato Municipal Presidente Sidónio Pais, em Setúbal – Programa Museológico e Projeto Museográfico, Dissertação de Mestrado em Museologia e Museografia, FBAUL, Lisboa, 2014.

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