Setúbal entre a República do Pós-Guerra e a Ditadura Militar
Diogo Filipe dos Santos Ferreira
Tese de Doutoramento em História Contemporânea – Maio 2023
Parte III - Setúbal e a segunda vida da Primeira República
3.2. Os efeitos económicos do pós-guerra e os primórdios do declínio (1919-1926)
3.2.1. Entre a hipertrofia da indústria de conservas setubalense e os primeiros sinais da crise sardinheira
“A brusca força da valorização do escudo […] a alta de salários e do custo de vida […] o peso constante dos encargos tributários; e, por sobretudo isto, a formidável, assustadora, fuga da espécie, perseguida constantemente por uma pesca mecânica, intensiva e exaustiva – todos estes factos […] vão provocar, fatalmente, a maior crise local até hoje conhecida, após o período de maior abastança, que passou absolutamente inaproveitado” 681.
A generalidade da literatura histórica local, tendo em vista a simplificação da interpretação dos avanços e recuos do setor das conservas de peixe, em Setúbal, tem balizado a sua evolução, grosso modo, em dois períodos: 1854-1880; 1880-1914. A primeira fase foi pautada pelo take-off industrial, demarcando-se as poucas unidades fabris existentes, caracterizadas por uma produção artesanal, mas de considerável qualidade e reputação externa. O segundo intervalo de tempo ficou marcado pela introdução progressiva do capital francês, pela inovação dos métodos de fabrico (melhorias na esterilização, na cozedura do pescado e nas embalagens), pela transferência do know-how estrangeiro, pela conquista de novos mercados e pela expansão equilibrada no número de fábricas.682
Em *Setúbal e a Primeira Guerra Mundial (1914-1918)*⁶⁸³ ficou patente que a conjuntura anormal do conflito trouxe consigo um desenvolvimento extraordinário à produção conserveira, um autêntico boom, em resultado das necessidades externas de consumo das tropas aliadas. Devem-se considerar estes anos como um terceiro marco cronológico na história deste setor no plano local, descrito como um ambiente selvático de competição e de desorganização, com a fundação de dezenas de unidades fabris.
Propõe-se uma análise ao tempo de 1919-1933, avaliando os efeitos das três crises dos anos 20 (pós-guerra, escassez da sardinha de 1924-1927 e crash de Wall Street) e os impactos provocados pela legislação pré-corporativa de 1928 e de 1932.
Neste quadro, nos primeiros meses do pós-guerra, as medidas implementadas pelos ministérios republicanos, designadamente a política inflacionista, a desvalorização do escudo e a liquidez, beneficiaram os principais setores de atividade do País, desencadeando um clima de otimismo com a recuperação económica.⁶⁸⁴ Para a indústria de conservas de peixe, o armistício não representou uma interrupção imediata das necessidades gaulesas e britânicas, mantendo-se um vasto conjunto de militares, através de comissões liquidatárias, em território francês e da Flandres e garantindo a continuidade da prosperidade artificial dos tempos da guerra.⁶⁸⁵ Os valores nutricionais, as boas condições higieno-sanitárias, o reduzido peso das latas e a rapidez de consumo eram decisivas na alimentação: “permite distribuir a cada soldado uma série de rações de prolongado período de conservação que […] lhe garante, por muitos dias, autonomia alimentar […] o soldado só necessitará de escassos minutos para cada refeição”.⁶⁸⁶
O clima de aparente retoma do comércio internacional arrefeceu pouco depois, sentindo-se os efeitos na exportação conserveira portuguesa, que iniciou um ciclo depressivo.⁶⁸⁷ Entre janeiro de 1920 e julho de 1921, a denominada ‘Crise Esquecida’ marcou o panorama do mundo ocidental através de uma deflação sem paralelo, da quebra do PIB norte-americano e da exponencial subida do desemprego.⁶⁸⁸
Os partidos políticos Portugueses digladiaram-se em torno dos modelos de combate à recessão, dividindo-se entre governos orientados pela ortodoxia financeira, que almejavam a diminuição da despesa pública, e os que desejavam acalmar o descontentamento popular por via do controlo dos preços.⁶⁸⁹ A inflação portuguesa, entre 1918 e 1924, foi das mais graves da Europa, tendo sido apenas suplantada pela hiperinflação austríaca e alemã, resultando numa seríssima desvalorização da moeda.⁶⁹⁰ Esta perda de valor do escudo face à libra foi de tal ordem que, em apenas quatro anos, catorze bancos portugueses faliram.⁶⁹¹ Dependente inteiramente da importação, o primeiro semestre de 1921 foi duríssimo para os empresários conserveiros setubalenses.⁶⁹²
No ano anterior, a quebra nas exportações de conservas de peixe, pelo porto de Setúbal, atingiu o nível abaixo de metade da média de toda a década: 4.695 toneladas.
[ver Tabela – Principais mercadorias exportadas pelo porto de Setúbal (1910-1939)]
Dada a redução do número de clientes e os obstáculos adicionais à obtenção de matérias-primas, uma quantidade muito significativa de fabricantes foi forçada a encerrar temporariamente as portas dos seus estabelecimentos industriais ou a reduzir o número de dias de produção: “Sendo absolutamente indispensável acudir à enormíssima crise de trabalho que atormenta esta cidade, pela quase total paralisação das fábricas de conservas, de que vivem a maior parte dos operários, dos quais 5.000 ou 6.000 se encontram desempregados”.⁶⁹³ As primeiras medidas governativas não foram ao encontro das vontades da Associação Comercial e Industrial de Setúbal, que criticou a aplicação de taxas alfandegárias sobre a importação de matérias-primas, agravando os interesses de um setor cuja “vida é indiscutivelmente difícil neste momento de pavorosa crise mundial”.⁶⁹⁴ A exceção foi a reabertura dos Armazéns Gerais Industriais de Setúbal, em abril de 1921⁶⁹⁵, iniciativa criada no âmbito da ‘economia de guerra’, que teve como missão armazenar matérias-primas e o produto final, bem como a emissão de warrants sobre as mercadorias.⁶⁹⁶
A adaptação às condições económico-financeiras do pós-guerra e à ‘crise esquecida’ foi muito dura para as pequenas e médias empresas setubalenses de conservas de peixe. O deputado Ladislau Batalha levou o assunto à Câmara dos Deputados: “as forças vivas de Setúbal vêm queixar-se da desgraça em que se encontram, com sessenta fábricas fechadas, sem azeite, sem mercados, sem nada, enfim, um horror!”⁶⁹⁷.
Fontes:
APLSS, Portos de Setúbal e Sesimbra, Organização e Funcionamento, Estrutura Orgânica e Funcional, Planeamento, Controlo e Estatística, Estatística das Atividades, Proc.º n.º 591, capilha “Estatísticas, 1873-1939”, manuscrito – Principais mercadorias exportadas pelo porto de Setúbal nos anos de 1934 a 1939. [Dados recolhidos da alfândega local].
Cf. RODRIGUES, Joaquim Vieira, A indústria de conservas de peixe no Algarve: 1865-1945, Dissertação de Mestrado em História Contemporânea, NOVA/FCSH, Lisboa, 1997.
Junta Autónoma das Obras do Porto e Barra de Setúbal e do Rio Sado, Porto de Setúbal, Escola Tipográfica do Orfanato Municipal, Setúbal, 1949, s.p.
PERESTRELLO, Eng.º Cid, O Porto de Setúbal, Bertrand (Irmãos), Lda., Lisboa, 1934, p. 43.
PERESTRELLO, Eng.º Cid, Relatório e Contas dos Exercícios de 1924 e 1925 da Junta Autónoma das Obras do Porto e Barra de Setúbal e do Rio Sado, JAOPBSRS, Setúbal, 1926, p. 12.
PERESTRELLO, Eng.º Cid, Relatório e Contas do Exercício de 1926 da Junta Autónoma das Obras do Porto e Barra de Setúbal e do Rio Sado, JAOPBSRS, Setúbal, 1927, p. 26.
PERESTRELLO, Eng.º Cid, Relatório e Contas dos Exercícios de 1928, 1929, 1930, JAOPBSRS, Setúbal, 1931, pp. 48-52.
PERESTRELLO, Eng.º Cid, Relatório e Contas do Exercício de 1931 da Junta Autónoma das Obras do Porto e Barra de Setúbal e do Rio Sado, Tip. Sado, Setúbal, 1932, p. 23;
PERESTRELLO, Eng.º Cid, Relatório e Contas do Exercício de 1932 da Junta Autónoma das Obras do Porto e Barra de Setúbal e do Rio Sado, Tip. Simões, Setúbal, 1933, p. 49;
PERESTRELLO, Eng.º Cid, Relatório e Contas do Exercício de 1933 da Junta Autónoma das Obras do Porto e Barra de Setúbal e do Rio Sado, Tip. Simões, Setúbal, 1934, p. 26;
QUINTAS, Maria da Conceição, Setúbal – Economia, Sociedade e Cultura Operária (1880-1930), Livros Horizonte, Lisboa, 1998, p. 117.
ROLLO, Maria Fernanda, “O surto industrial”, in Nova História de Portugal, vol. XI, Portugal – Da Monarquia para a República, org.: MARQUES, A. H. de Oliveira, Editorial Presença, Lisboa, 1991, p. 138.
Instituto Português de Conservas de Peixe, Compilação de Elementos Estatísticos sobre Conservas de Peixe, I.P.C.P., Lisboa, 1954, p. 41.
Nota: Em 1939, por terra, foram exportadas de Setúbal 1.720 toneladas através de 99.825 caixas de conservas de peixe.
APLSS, Portos de Setúbal e Sesimbra, Organização e Funcionamento, Estrutura Orgânica e Funcional, Planeamento, Controlo e Estatística, Estatística das Atividades, Proc.º n.º 591, capilha “Estatísticas, 1939”, documento dactilografado: 1939 – Conservas saídas de Setúbal por terra [dados provenientes da alfândega local].
Em causa, a progressiva quebra de consumo britânica, italiana e francesa (perante o regresso a casa dos seus soldados), a desvalorização do produto final, a concorrência externa, a elevação das barreiras alfandegárias e a exigência das entidades bancárias em se liquidarem créditos⁶⁹⁸: “Começou a derrocada nas fábricas de conserva. De vez em quando… mais uma fechada. Sempre esperámos isto. Quando, nos tempos da grande «febre», se instalaram aí, por cada canto, dezenas e dezenas de fábricas, não faltou quem previsse, após a terminação dessa mina que foi a guerra europeia, a formidável «débâcle» a que estamos assistindo”⁶⁹⁹.
A dimensão do problema da redução abrupta da exportação nacional é autoexplicativa, atentando aos números: em 1918 foram exportadas 35.879 toneladas de enlatados de peixe por apenas 22 fábricas conserveiras; em 1926, cerca de 400 unidades fabris não atingiram as 32 mil toneladas.⁷⁰⁰
A afirmação de políticas autárquicas na Europa produziu efeitos danosos num setor quase exclusivamente dependente do consumo externo.⁷⁰¹ A autarcia económica do Partido Nacional Fascista de Benito Mussolini, em 1923, já produzia queixas nos fabricantes setubalenses: “esse mercado acha-se-lhe fechado, trazendo este facto enormes prejuízos à mesma indústria e, consequentemente, à economia do País”⁷⁰².
A Espanha de Primo de Rivera seguiu a mesma política, assinando um convénio comercial com Portugal, que prejudicou os interesses dos conserveiros nacionais.
Numa rara ocasião trabalhadores e patrões uniram-se num protesto conjunto contra o acordo.⁷⁰³
Nestes anos, França foi, de longe, o principal mercado consumidor de conservas de peixe portuguesas, tendo-se observado um considerável crescimento alemão, que atingiu os valores da Inglaterra. [Tabelas – Média de toneladas de conservas de peixe importadas pelos principais países (1920-1934)]
Para o economista António Manuel Pinto Barbosa, a génese da derrocada empresarial, verificada a partir do pós-guerra, relacionou-se intimamente, por um lado, com a ausência de formação industrial da esmagadora maioria dos fabricantes portugueses (muitos eram antigos soldadores ou operários conserveiros) e a consequente adoção de uma postura de improviso e, por outro, com a fragilidade financeira das firmas fundadas na conjuntura da Grande Guerra.⁷⁰⁴
Em março de 1933, um artigo do Eco de Setúbal refletiu sobre esta última dimensão: “Mais tarde, o estado anormal que a Grande Guerra nos havia trazido desapareceu e, com ele, mostrou-se o enfraquecimento daqueles que julgavam serem eternos os bons e excelentes lucros; os que souberam gerir os negócios conseguiram sobreviver, os perdulários faliram ou abandonaram o ramo”⁷⁰⁵. No mesmo comprimento de onda, António Francisco Teixeira, em conferência pública, considerou que o desordenamento produtivo e comercial local, incitado por estas microempresas, acarretou custos evidentes nos negócios gerados durante o retorno à normalidade pós-bélica.⁷⁰⁶
Para se abrir um estabelecimento industrial conserveiro eram necessários poucos recursos financeiros, em virtude de os meios produtivos serem rudimentares e sem processos racionalizados.⁷⁰⁷ Em 1922, apenas 14 fábricas possuíam geradores a vapor.⁷⁰⁸
Estas “fabriquetas minúsculas”⁷⁰⁹ careciam de conhecimento técnico e da resistência financeira para resistir às dificuldades do primeiro pós-guerra.
Maria da Conceição Quintas sintetizou o real significado do surgimento das unidades fabris no decurso da Primeira Guerra Mundial: “as fábricas nasciam de forma absolutamente anárquica. Até nos barcos se fazia conserva de peixe”⁷¹⁰. Ainda que as suas interpretações sejam manifestamente influenciadas pela doutrina corporativa, para Guilherme Faria estas empresas não foram mais que “o resultado da euforia, desorganização e espírito de aventura próprios destas épocas anormais”⁷¹¹, dedicadas ao lucro de curto prazo. Numa investigação pioneira, que marcou gerações de historiadores sadinos, a mesma figura apontou o decénio de 1920 como tendo sido o período em que o setor mostrou “os primeiros sinais de cansaço resultante da hipertrofia que atingira”⁷¹², encerrando dezenas de unidades.
A evidência da natureza instável e frágil destas fábricas verifica-se no seu encerramento, em Setúbal, no decurso das décadas de 1920 e 1930: 1919 – 109 ou 132; 1920 – 94 ou 120; 1924 – 96; 1925 – 90; 1927 – 75; 1933 – 67.
[ver Tabelas – ‘Evolução do número de fábricas de conservas de peixe sediadas em Setúbal (1854-1964)’]
Este último número não deixa de ser impressionante, comparando com o total nacional (206), mantendo-se a cidade do Sado bem destacada na quantidade de fábricas conserveiras aqui sediadas por comparação com os ilhéus industriais algarvios.
[ver Tabelas – N.º aproximado de estabelecimentos de conservas de peixe em Portugal]
Para se compreender a dimensão da debilidade financeira das firmas criadas durante a Grande Guerra, 69 fábricas de conservas de peixe faliram, foram absorvidas por maiores ou fundiram-se no arco cronológico desta investigação.
[ver Tabela – Firmas criadas durante a Grande Guerra e que se extinguiram nas décadas de 1920/1930]
No mesmo plano, dos 57 estabelecimentos industriais conserveiros setubalenses fundados no pós-guerra (1919-1923), ou no decurso da grande escassez da principal matéria-prima (1924-1927), raros foram os que chegaram à década de 1930, falindo pouco tempo depois. Algumas delas existiram menos de um ano.
[ver Tabela – Firmas criadas no pós-guerra ou durante a crise de escassez da sardinha e que faliram pouco depois]
Este panorama não era exclusivo da cidade do Sado, ocorrendo, por exemplo, em Lagos.⁷¹³
A gravidade das condições do pós-guerra e da crise sardinheira foram de tal ordem
que algumas fábricas com tradição, em Setúbal, não resistiram: cerca de 19 empresas fundadas antes da Primeira Guerra Mundial faliram nos anos 20.
[ver Tabela – Firmas criadas antes da Grande Guerra e que faliram na década de 1920]
Numa perspetiva comparada com Portimão, a investigação de Maria João Raminhos Duarte demonstra as semelhanças entre os diferentes centros conserveiros portugueses: “Muitas das unidades emergentes não tinham a grandiosidade nem as condições das fábricas já implantadas […] tomando o aspeto de fabriquetas […] Já não parecia a indústria organizada e apetrechada dos primeiros capitalistas, mas uma indústria improvisada e de ocasião”714.
Um dos raros casos de sucesso de empresas criadas por grupos de trabalhadores foi a Marques, Neves & Companhia, Limitada, fundada em 1917, por um conjunto de dez soldadores.715
Conforme já mencionado, boa parte dos produtores começaram por ser operários, subindo na pirâmide social (e.g. Mariano Augusto Coelho).
Tabela – Firmas criadas durante a Grande Guerra e que se extinguiram nas décadas de 1920/1930
Tabela – Firmas criadas no pós-guerra ou durante a crise de escassez da sardinha e que faliram pouco depois
| N.º | Nome das firmas | Data de fundação | Data de encerramento |
| 1, | Aleluia, Farol & C.ª (fábrica ‘Vitoriosa’) | 1917 | 1919 |
| 2, | Andorinha, Lda. (Fábrica ‘Hirondell’) | 1914 | 1928 |
| 3, | Andorinha, Fernandes & C.ª (fábrica ‘Glória Compensadora’) | 1918 | 1920 |
| 4, | Andrade, Alves e C.ª (fábrica ‘Santa Rita’) | 1918 | 1920 |
| 5, | Ange Aleno | 1917 | 1926 |
| 6, | Bailão, Monteiro, Leal & C.ª (fábrica ‘Pátria’) | 1917 | 1919 |
| 7, | Branco, Barreira & C.ª (fábrica ‘A Progressiva’) | 1918 | 1920 |
| 8, | Cabeçudo, Machado & C.ª (fábrica ‘Vitoriosa’) | 1916 | 1924 |
| 9, | Camalhão, Portela & C.ª, Lda. (Fábrica ‘Lusitana’) | 1918 | 1928 |
| 10, | Campeiro, Ferreira & C.ª (fábrica ‘Sra. da Conceição’) | 1918 | 1921 |
| 11, | Castro, Pinto, Gomes & C.ª, Lda. | 1918 | 1919 |
| 12, | Carlos & Abel (fábrica ‘Sadina’) | 1917 | 1925 |
| 13, | Chagas, Martins & C.ª, Lda. (Fábrica ‘Internacional) | 1918 | 1919 |
| 14, | Claro, Ângelo & C.ª (fábrica ‘Ridente’) | 1916 | 1920 |
| 15, | Cordeiro, Pinto & C.ª, Lda. (Fábrica ‘Luz do Futuro’) | 1918 | 1926 |
| 16, | Costa, Durães & C.ª, Lda. (Fábrica ‘Santo Amaro’) | 1918 | 1919 |
| 17, | Correia & Sousa & C.ª (fábrica ‘Restauração’) | 1918 | 1927 |
| 18, | Daniel & De Raymond, Lda. | 1918 | 1927 |
| 19, | Empresa de Conservas Alimentícias Portugal, Lda. | 1918 | 1925 |
| 20, | Empresa Fabril de Conservas, Lda. | 1918 | 1919 |
| 21, | Empresa Industrial de Conservas, Lda. (fábrica ‘Lusa’) | 1918 | 1920 |
| 22, | F. A. Santos, Sousa e Valido & C.ª (fábrica ‘Primavera’) | 1918 | 1925 |
| 23, | Fermisson, Aires & C.ª (fábrica ‘Fraternidade’) | 1916 | 1925 |
| 24, | F. Livério & C.ª | 1918 | 1934 |
| 25, | Forreta, Dias & C.ª (fábrica ‘Harmonia’) | 1918 | 1928 |
| 26, | Freitas & Serrenho (fábrica ‘A Luz’) | 1917 | 1920 |
| 27, | Garcia & C.ª (fábrica ‘Venturosa’) | 1918 | 1920 |
| 28, | Gaspar & C.ª, Lda. (fábrica ‘Pérola’) | 1918 | 1929 |
| 29, | Gomes, Correia & C.ª (fábrica ‘A Restauração’) | 1918 | 1921 |
| 30, | Gonçalves, Santiago & C.ª | 1918 | 1919 |
| 31, | Gomes & Irmão, Lda. (fábrica ‘Arlete’) | 1918 | 1921 |
| 32, | Henrique, Gomes & C.ª (fábrica ‘Royal’) | 1918 | 1920 |
| 33, | José de Sousa & C.ª | 1914 | 1924 |
| 34, | Lázaro & Morais | 1918 | 1920 |
| 35, | Lopes, Silva & C.ª (fábrica ‘Rio Sado’) | 1916 | 1921 |
| 36, | Manteigas & C.ª (fábrica ‘1.º de Maio’) | 1915 | 1932 |
| 37, | Marcelino, Tomé & C.ª, Lda. (fábrica ‘Sol Nascente’) | 1918 | 1920 |
| 38, | Marques, Ramos & C.ª (fábrica ‘Concórdia’) | 1918 | 1920 |
| 39, | Marques, Reis & C.ª | 1916 | 1919 |
| 40, | Martins & Santana (fábrica ‘Bom Jesus’) | 1923 | 1931 |
| 41, | Matos & Martins, Lda. (fábrica ‘Troiana’) | 1918 | 1920 |
| 42, | Monteiro, Tainha & Praia | 1916 | 1928 |
| 43, | Morel António Silva & Peixinho | 1916 | 1919 |
| 44, | Oliveira & C.ª, Lda. (fábrica ‘Bem-Vinda’) | 1918 | 1924 |
| 45, | Palmeiro, Rodrigues & C.ª (fábrica ‘Âncora’) | 1918 | 1921 |
| 46, | Paulo, Avelino & Paulo, Lda. (fábrica ‘Arrábida’) | 1918 | 1919 |
| 47, | Perdigão & C.ª | 1915 | 1926 |
| 48, | Pereira & C.ª, Lda. (fábrica ‘Santa Rita’) | 1917 | 1924 |
| 49, | Pereira, Finura & C.ª (fábrica ’31 de Janeiro’) | 1917 | 1920 |
| 50, | Pereira, Galvão & C.ª, Lda. (fábrica ‘A Trindade’) | 1918 | 1920 |
| 51, | Pereira, Lopes, Silva & C.ª (fábrica ‘Rio Sado’) | 1916 | 1921 |
| 52, | Perienes & Gargalo (fábrica ‘Leão’) | 1916 | 1919 |
| 53, | Português, Guerreiro & C.ª (fábrica ‘Fonte Nova’) | 1918 | 1920 |
| 54, | Pronto, Branco & C.ª (fábrica ‘A Tentadora’) | 1915 | 1924 |
| 55, | Ricardo Boto & C.ª (fábrica ‘Era Nova’) | 1916 | 1928 |
| 56, | Rodrigues, Silva & C.ª, Lda. (fábrica ‘Arlete’) | 1918 | 1919 |
| 57, | Ruas, Gomes & C.ª (fábrica ‘Estremadura’) | 1918 | 1920 |
| 58, | Santana, Lda. (fábrica ‘Latina’) | 1918 | 1933 |
| 59, | Santos, Cordeiro & C.ª | 1918 | 1923 |
| 60, | Sociedade Hispano-Lusa | 1918 | 1921 |
| 61, | Sociedade Labor, Lda. (fábrica ‘S. João’) | 1918 | 1919 |
| 62, | Sociedade Portuguesa de Conservas, Lda. (fábrica ‘Bela Vista’) | 1916 | 1919 |
| 63, | Trindade, Ribeiro & C.ª (fábrica ‘Pensativa’) | 1918 | 1920 |
| 64, | Veloso, Ramalho, Teixeira & C.ª (fábrica ‘Amélia’) | 1918 | 1920 |
| 65, | Vidal, Cruz, Lda. (fábrica ‘Esperança’) | 1916 | 1925 |
| 66, | Viegas, Rodrigues & C.ª (fábrica ‘Aventureira’) | 1918 | 1919 |
| 67, | Vítor & Martins, Lda. | 1916 | 1919 |
| 68, | Viúva Afonso do Vale & Filhos | 1916 | 1921 |
| 69, | Xavier, D. & C.ª | 1918 | 1921 |
Baseado em:
PEREIRA, Alberto; LOPES, José Madureira, A indústria das conservas de peixe em Setúbal, Estuário, Setúbal, 2015
| N.º | Nome das firmas | Data de fundação | Data de encerramento |
| 1, | A Iniciativa, Lda. | 1919 | 1921 |
| 2, | Alcobaça e C.ª (fábrica ‘Vera Cruz’) | 1924 | 1926 |
| 3, | Baptista, Correia & C.ª | 1927 | 1931 |
| 4, | A. Fradique (fábrica ‘Alice’) | 1927 | 1932 |
| 5, | António Carlos Ribeiro (fábrica ‘Santa Rita’) | 1926 | 1931 |
| 6, | A Progressiva, Lda. | 1919 | 1920 |
| 7, | Branco & C.ª (fábrica ‘Irene’) | 1924 | 1928 |
| 8, | Boa Aurora (fábrica ‘Mártir da Cidade de Setúbal’) | 1919 | 1920 |
| 9, | Companhia Lusitana de Conservas (fábrica ‘S. Pedro’) | 1919 | 1924 |
| 10, | Cardoso, Durão & C.ª, Lda. (Fábrica ‘Oceana’) | 1927 | 1930 |
| 11, | Calheiros, Pádua & C.ª (fábrica ‘Atlântica’) | 1919 | 1928 |
| 12, | Cajuda, Ribeiro & Aires (fábrica ‘A Activa’) | 1921 | 1932 |
| 13, | Dias, Costa & C.ª (fábrica ‘A Social’) | 1919 | 1925 |
| 14, | Durão & Correia (fábrica ‘Unida’) | 1921 | 1922 |
| 15, | Eduardo Salgado (fábrica ‘Salgado’) | 1923 | 1933 |
| 16, | Estabelecimentos Astoria, Lda. (fábrica ‘Astoria’) | 1923 | 1929 |
| 17, | Fábrica de Conservas Alimentícias, Lda. (fábrica ‘Boa Aurora’) | 1920 | 1921 |
| 18, | Ferreira, Henriques & C.ª (fábrica ‘Chalet Sintra’) | 1919 | 1920 |
| 19, | Freitas & Durão (fábrica ‘Unida’) | 1920 | 1921 |
| 20, | Fuzeta, Lda. (fábrica ’31 de Janeiro’) | 1923 | 1924 |
| 21, | Gameiro, Santana & C.ª | 1919 | 1927 |
| 22, | Gaymon, Caracol & C.ª, Lda. (fábrica ‘Caracol’) | 1925 | 1931 |
| 23, | Joaquim Rodrigues Piteira (fábrica ‘Eva’) | 1923 | 1932 |
| 24, | Jorge Forte (fábrica ‘Minhota’) | 1923 | 1926 |
| 25, | José Gago da Silva (fábrica ‘Argentina’) | 1919 | 1924 |
| 26, | Leal, Silva & C.ª (fábrica ‘Pátria’) | 1919 | 1925 |
| 27, | Lima, Assis & C.ª, Lda. | 1919 | 1926 |
| 28, | Lima, Pinto & C.ª, Lda. (fábrica ‘Bertília’) | 1920 | 1933 |
| 29, | Lúcio Gomes Correia | 1924 | 1931 |
| 30, | Lúcio Lopes & Filho | 1919 | 1920 |
| 31, | Luís de Sousa Júnior | 1927 | 1931 |
| 32, | Machado & C.ª, Lda. (fábrica ‘A Vitoriosa’) | 1920 | 1920 |
| 33, | Madeira & Tenório (fábrica ‘Sado’) | 1920 | 1931 |
| 34, | Manuel Inácio Pinto | 1924 | 1927 |
| 35, | Manuel José Praia | 1924 | 1929 |
| 36, | Marinho Valido, Lda. (fábrica ‘Harmonia’) | 1921 | 1928 |
| 37, | Marques, Lda. (fábrica ‘Vitória Velha’) | 1922 | 1924 |
| 38, | Mello & Rêgo (fábrica ‘Sol’) | 1919 | 1919 |
| 39, | Moniz & Henrique Claro, Lda. (fábrica ‘Barracão’) | 1924 | 1928 |
| 40, | Monteiro & Envia, Lda. (fábrica ‘Universal’) | 1920 | 1926 |
| 41, | Morais & Filhos | 1921 | 1930 |
| 42, | Nova Sociedade de Conservas A Internacional (fábrica ‘1.º de Maio’) | 1919 | 1930 |
| 43, | Policarpo, Rico & C.ª (fábrica ‘A Mascote’) | 1920 | 1925 |
| 44, | Reynaud & C.ª | 1927 | 1932 |
| 45, | Romão, Pera & C.ª (fábrica ‘Aliança Algarve’) | 1919 | 1928 |
| 46, | Santos, Machado & C.ª, Lda. (fábrica ‘Capricho’) | 1923 | 1924 |
| 47, | Santos & Ribeiro (fábrica ‘Predileta’) | 1919 | 1920 |
| 48, | Santos, Vieira & C.ª (fábrica ‘Arrábida’) | 1919 | 1920 |
| 49, | Silva, Palmeiro & C.ª | 1919 | 1920 |
| 50, | Silva, Resende & C.ª, Lda. | 1919 | 1930 |
| 51, | Sociedade Conserveira, Lda. | 1926 | 1931 |
| 52, | Sociedade de Conservas A Internacional (fábrica ‘1.º de Maio’) | 1919 | 1930 |
| 53, | Sociedade Industrial de Conservas de Setúbal, Lda. | 1919 | 1923 |
Baseado em:
PEREIRA, Alberto; LOPES, José Madureira, A indústria das conservas de peixe em Setúbal, Estuário, Setúbal, 2015
Tabela – Firmas criadas antes da Grande Guerra e que faliram na década de 1920
| N.º | Nome das firmas | Data de fundação | Data de encerramento | |||
| 1, | Albert Rouillé (fábrica ‘Ponte do Carmo’) | 1902 | 1929 | |||
| 2, | Castelo Branco & C.ª (fábrica ‘Castelo Branco’) | 1913 | 1929 | |||
| 3, | Companhia Nacional de Conservas | 1894 | 1924 | |||
| 4, | Correia & Ajuda | 1911 | 1928 | |||
| 5, | Costa & C.ª (fábrica ‘Costa’) | 1890 | 1930 | |||
| 6, | Félix & C.ª, Lda. (fábrica ‘Triunfante’) | 1911 | 1924 | |||
| 7, | Ferdinand Garrec & C.ª, Lda. (fábrica ‘Garrec’) | 1894 (?) | 1931 | |||
| 8, | Fernandes, Duarte & C.ª (fábrica ‘A Vencedora’) | 1910 | 1920 | |||
| 9, | Ferreira, Santos & C.ª (fábrica ‘Central’) | 1911 | 1927 | |||
| 10, | Francisco José Pereira Sucessores (fábrica ‘Sto. António’) | 1897 | 1924 | |||
| 11, | Guilherme Graham & C.ª | 1912 | 1929 | |||
| 12, | João Marques Câncio (fábrica ‘Câncio) | 1887 | 1929 | |||
| 13, | Lourenço do O Rocha, Lda. (fábrica ‘Rainha do Sado’) | 1909 | 1932 | |||
| 14, | Manuel Salgado (fábrica ‘Alegria’) | 1899 | 1930 | |||
| 15, | Mariano, Martins & C.ª (fábrica ’15 de Outubro’) | 1910 | 1921 | |||
| 16, | Marques, Santos & C.ª | 1911 | 1919 | |||
| 17, | Réné Béziers & C.ª | 1901 | 1919 | |||
| 18, | Sousa Salvado & C.ª (fábrica ‘Glória’) | 1893 | 1920 | |||
| 19, | Viúva Macieira & Filhos (fábrica ‘Progresso’) | 1906 | 1927 | |||
Baseado em:
ALCÂNTARA, Ana, A indústria conserveira em Setúbal, 1854-1914, Trabalho final de Licenciatura História, variante de Arqueologia, FCSH/NOVA, Lisboa, 2004.
Retornando aos dilemas económico-sociais experienciados localmente, no quadro do pós-guerra, a introdução dos cercos a vapor, em meados de 1919, foi um fator disruptivo nas relações laborais e no processo produtivo do setor piscatório de toda a comunidade, contribuindo para a sobrexploração da sardinha.716
As suas vantagens (não dependiam do vento, eram mais velozes e utilizavam menos recursos humanos) eram apelativas para os armadores mais abastados. Esta transformação tecnológica foi muito mais dura para os marítimos, por comparação com a introdução de determinadas técnicas de pesca, como as armações à valenciana (1898) ou os cercos americanos (1910).717
As armações móveis foram lentamente substituindo as fixas, estabelecendo-se como “a arte mais representativa na captura de sardinha”718. A chegada das traineiras, por volta de 1926/1927,719 ou 1933,720 não foi tão impactante quanto a chegada dos cercos a vapor.
O que estava em causa, com a transição dos cercos a remos para os cercos a vapor,
era a significativa redução do número de postos de trabalho de uma cidade pesqueira e a capacidade competitiva dos armadores financeiramente débeis. A questão levantou problemas sociais muito sérios, lógica que não era nova. Cerca de dez anos antes, a firma algarvia João José Salgado, Sucessores, em outubro de 1910, quis registar um vapor na capitania do porto de Setúbal, provocando grande revolta junto dos pescadores locais.721
E voltariam a suceder, com mortes à mistura, como se verificará mais adiante.
O governo de António Maria Baptista, em abril de 1920, procurou resolver esta contenda, pondo em vigor normas tendentes a uma lenta, mas progressiva, substituição dos cercos a remos pelos cercos a vapor, sem que gerasse uma onda de desemprego. O Decreto-Lei n.º 6518 visou acautelar o investimento dos mais de 2 mil pescadores setubalenses, que se constituíram em cooperativas e adquiriram cercos a remos – libertando-se da dependência de um armador – e garantir a “urgente necessidade de providenciar para que as 120 fábricas de conserva de sardinha de Setúbal sejam […] abastecidas do peixe necessário à sua laboração”.722 As cooperativas de pesca não eram novidade na vida setubalense. Numa conjuntura distinta, entre 1912 e 1913, foram formadas perto de uma dezena, designadamente uma de ligação ácrata: a Libertária.723
Esta legislação delimitou duas zonas de pesca, cada uma para os diferentes
modelos de captura: para os cercos a remos ficaram reservadas águas que iam do forte do Cavalo, em Sesimbra, à lagoa de Santo André; os cercos a vapor tinham direito a pescar na restante área sob a jurisdição da capitania de Setúbal. As cooperativas de pesca tinham num tempo limitado (dois anos após a promulgação da lei, isto é, até abril de 1922) para concluir o processo de adaptação das suas embarcações, passando para o vapor. O problema não ficou resolvido. As provocações entre pescadores prosseguiram ao longo de 1920 e de 1921, queixando-se o respetivo sindicato que os tripulantes dos cercos a vapor atravessavam, com frequência, os limites estabelecidos pela lei, enquanto os armadores das embarcações a motor reclamavam de alegadas perseguições de que eram alvo por barcos pertencentes àquela associação de classe.724
Sem recursos para impedir o deflagrar destas discórdias, os diferentes capitães do porto de Setúbal apelaram recorrentemente para que o rio Sado fosse monitorizado permanentemente por uma canhoneira da Marinha, cuja presença, per si, seria intimidatória e serviria para dirimir as confrontações.725 Procópio de Freitas, ex-capitão do porto de Setúbal, alertou o Senado da República para a relevância de vigiar a captura ilícita de pescado por barcos estrangeiros: “não havendo navios suficientes para que essa fiscalização se faça rigorosamente, é feita pelos pescadores dos cercos a remos”726.
Um dos grandes entraves do comércio do porto de Setúbal, prejudicando a indústria de conservas de peixe, era a não existência de uma embarcação que efetuasse o serviço de pilotagem. As reclamações das agências de navegação estrangeiras eram repetidas, merecendo alertas do vice-cônsul britânico em Setúbal: “[causa] sérias e graves consequências, bem como despesas à navegação”727. Muitas vezes, os navios tinham de esperar um dia para entrar no porto. Em desespero de causa, o capitão do porto de Setúbal assegurou um empréstimo, em 1925, para adquirir uma pequena chalupa, que desempenhasse parcialmente estas funções.728 Apenas em 1931, a Cetóbriga, construída pela firma alemã Kremer e Sohn, entrou ao serviço, encerrando o dilema.729
As questões financeiras e sociais levantadas pela transição dos remos para o vapor atrasaram o processo mais tempo do que inicialmente se previa. Algumas embarcações foram apenas adaptadas a galeões para o transporte de mercadorias.730 O elevado investimento, os obstáculos à importação de propulsores mecânicos e a resistência dos trabalhadores marítimos motivaram várias firmas a solicitarem formalmente a prorrogação dos prazos para que a frota setubalense fosse integralmente motorizada.731 Nesse sentido, os governos republicanos, em duas ocasiões, reduziram os limites exclusivos de pesca para os cercos a remos. Em outubro de 1922, a fronteira marítima Ficou diminuída até à ponta norte do Regueirão.732 Em agosto de 1923, a cena repetiu-se e uma última prorrogação de 6 meses foi autorizada, voltando a reduzir-se a zona reservada aos cercos à vela. A partir de fevereiro de 1924, a costa da Galé passou oficialmente a estar livre para a pesca por embarcações a motor.733
Em quatro anos, a transformação da frota pesqueira ficou completa, dando um passo muito significativo do ponto de vista tecnológico e assegurando melhores condições para o sucesso das capturas: 1919 – 0 cercos a vapor e 34 cercos à vela/remos; 1921 – 5 cercos a vapor e 26 à vela/remos; 1922 – 25 cercos a vapor e 12 cercos à vela/remos; 1924 – 40 cercos a vapor e 0 cercos à vela/remos.
[ver Tabela – N.º de cercos à vela e a vapor registados na capitania do porto de Setúbal (1903-1939)]
Quem não resistiu a este processo de modificação da frota foi a Cooperativa de Pesca de Consumo e Edificação dos Trabalhadores do Mar de Setúbal, que se dissolveu em dezembro de 1923: “Foi pena que aquele specimens de socialização de trabalho não se pudesse conseguir manter”734. Fundada em setembro de 1920, esta resultou da agremiação de vinte e sete sociedades, compostas por 1814 pescadores (estatutariamente não eram cooperativas)735. Este organismo era detentor de mais de duas dezenas de cercos a remos, constituídos por companhas de 60 a 70 homens, todos acionistas. Destinava-se a dividir os lucros da pesca ou a edificar habitações próprias para arrendar ou vender aos associados. A influência acrata neste organismo era clara, bastando ter presente alguns nomes das suas embarcações (e.g. União Libertária; Aliança Libertária; União Social)736.
Perante exemplos como este, o Ministro da Marinha, Silvério da Rocha e Cunha, dirigiu-se ao deputado Joaquim Brandão, em novembro de 1919, demonstrando uma impressionante clarividência sobre o que veio a suceder, a partir de meados de 1924, no mundo da pesca setubalense: “Os operários do mar organizaram-se em cooperativas rudimentares […] A imprevidência dos marítimos de Setúbal é inegável, eles próprios o confessam; a sua prosperidade actual é apenas aparente. Sem espírito de economia, não constituem fundos de reserva e estão à mercê de qualquer crise que venha a dar-se, ou porque os cardumes de sardinha não arribem à costa […] ou porque a indústria das conservas venha a sofrer qualquer depressão imprevista”737. Estava a antecipar a desgraça. Os cercos a vapor foram decisivos para a sobre-exploração piscatória da principal matéria-prima da indústria de conservas de peixe: a sardinha.
As incessantes necessidades externas de consumo de enlatados de peixe, nos anos da Grande Guerra, significaram idas constantes para a faina, em busca de sardinha, no intuito de se abastecerem as fábricas de conservas locais. Enquanto a costa da Galé forneceu regularmente a matéria-prima, a sua renovação geracional não foi matéria de discussão. Nos anos do pós-guerra, apesar da progressiva diminuição dos mercados consumidores, a sardinha continuou a ser intensamente capturada e a possuir um valor extraordinário na primeira metade da década de 1920, atingindo o seu valor máximo em 1923.738 No ano seguinte, em média, cada canastra custava 120 escudos, valor considerado de “verdadeira ruína”739 para os fabricantes. Os números não enganam: 1919 – 3.866 contos; 1920 – 5.975 contos; 1921 – 5.402 contos; 1922 – 14.301 contos; 1923 – 24.627 contos; 1924 – 46.346 contos.
[ver Tabela – Rendimentos do peixe capturado em Setúbal (1910-1939) (contos)]
Faz sentido, neste quadro, que esta subida de valor tenha sido acompanhada pelo crescimento do número de pescadores registados à beira Sado, quebrando apenas após o início da escassez: 1918 – 3.552; 1919 – 3.792; 1920 – 3.842; 1921 – 4.023; 1922 – 4.863; 1923 – 5.253; 1924 – 4.071.
[ver Tabela – N.º de pescadores matriculados no porto de Setúbal]
Apenas as políticas deflacionistas e de revalorização monetária740 puseram termo aos preços até ali praticados que, em pouco mais de ano e meio, caíram vertiginosamente para os 60$00 por canastra.741
Faz sentido, neste quadro, que esta subida de valor tenha sido acompanhada pelo crescimento do número de pescadores registados à beira Sado, quebrando apenas após o início da escassez: 1918 – 3.552; 1919 – 3.792; 1920 – 3.842; 1921 – 4.023; 1922 – 4.863; 1923 – 5.253; 1924 – 4.071.
[ver Tabela – N.º de pescadores matriculados no porto de Setúbal]
Os lucros associados à pesca da sardinha permitiam que a espécie fosse alcunhada de ‘peixe dourado’. Não surpreende, deste modo, a descrição de Raúl Brandão em Os Pescadores: “Vapores carregam infatigavelmente barcos de sardinha. São montanhas que todos os dias se extraem do mar. A matança é enorme e constante”742. A pesca excessiva foi uma prática recorrente durante praticamente uma dezena de anos (1914-1924), e poucas foram as vozes que demonstraram preocupação com a possibilidade de a sardinha desaparecer devido à sua sobre-exploração e à utilização de artes de pesca altamente nocivas para a preservação da espécie. Essa questão apenas se levantou quando o território começou a apresentar sinais de esgotamento do seu stock: “devastando os fundos pesqueiros, que têm constituído um depósito natural de pescarias naquela parte da costa, o que, a continuar, pode dar origem a perdas irreparáveis”743.
Entre as artes de pesca perigosas para a renovação das espécies, encontravam-se as redes ‘chinchorros’, introduzidas pelos marítimos de Sesimbra. Eram muito utilizadas pelos pescadores da Murtosa por dois motivos: o baixo custo e a facilidade de construção: “Tem tido, mais de uma vez, esta capitania ocasião de ver o peixe morto pelas redes mencionadas, o qual, pelas suas dimensões, parece mostrar bem o efeito nefasto do seu uso”744. Estas foram temporariamente proibidas no pós-guerra, possuindo a capitania do porto de Setúbal autorização para aplicar coimas aos infratores, dar ordem de prisão ou retirar as licenças745. Não obstante, o problema era muito difícil de resolver: “todo o setubalense tinha um chinchorro para se divertir ao domingo com os amigos”746.
Outras artes ou aparelhos considerados nocivos à renovação das espécies foram sendo interditados, nomeadamente as que empregavam botirões fixos, certas dimensões de galrichos (1919) ou a ‘fisga’ (1925)747. As artes conhecidas por ‘sacadas’, determinantes na autosubsistência de muitas famílias, foram alvo de grandes objeções 748. A aplicação de explosivos na pesca era uma das práticas mais deploráveis, que mereciam as denúncias da Associação de Classe dos Trabalhadores do Mar de Setúbal 749.
A captura de peixe miúdo foi uma das razões que mais influenciaram a gradual escassez de sardinha junto à costa, que já se fazia sentir no verão de 1925: “[contribui] para o agravamento da crise da pesca de sardinha, que há muito se tem feito sentir nas nossas costas, onde mais ou menos a pesca abundava”750. O desejo dos marítimos em subsistirem economicamente, as elevadas quantias que os armadores conseguiam obter no mercado com a venda do ‘peixe dourado’, ou a pressão exercida pelos industriais conserveiros, permanentemente necessitados de matéria-prima, incitavam à pesca precoce de esquilhas que eram “petingas inaproveitáveis, e que, se se as não tivessem pescado, dentro em pouco tempo estariam em condições para o fabrico”751.
A recorrente pesca ilícita de cercos espanhóis na jurisdição da capitania de Setúbal também foi responsável pela redução do stock de sardinha752. Em regime paliativo, os governos consentiram, em março de 1923, a criação de um posto especial de pescado e a fundação de um posto fiscal em Tróia, em dezembro de 1925.753
As exigências de contingências foram surgindo à medida que os insucessos nas capturas de sardinha se repetiam cada vez mais. Em fevereiro de 1922, o República anunciava que “muitas famílias estão sentindo acremente os horrores da miséria, devido à paralisação da maior parte das fábricas de conserva por lhes faltar a matéria essencial [sardinha]”754. Nesse sentido, o futuro Governador Civil de Setúbal, Joaquim Lança, então gerente do estabelecimento conserveiro Lusa, foi um dos primeiros setubalenses, em 1923, a apelar à implementação imediata de um defeso obrigatório, que garantisse a reserva de sardinha.755 O ‘velho discurso’, que visava o combate ao caráter monoindustrial da região, foi uma das armas tendentes a alertar para o significado económico da falta de matéria-prima: “[existe] absoluta necessidade de se criarem novas indústrias em Setúbal, que possam contrabalançar as falhas da indústria conserveira”756.
O Ministro do Comércio, Manuel Gaspar de Lemos, referindo-se aos processos menos «escrupulosos» empregues pela classe marítima, antecipou uma repetição do que tinha sucedido na Bretanha, na década de 1880: “Estamos, assim, ameaçados de que suceda nas nossas costas o que sucedeu nas costas francesas: a sardinha, que é um peixe migratório, sentindo-se mal nas nossas costas, tende a afastar-se”757. Antes da implantação da República, o repórter Fernando Foyos esteve em Setúbal. As suas palavras descrevem como a sardinha representava o centro da vida económica: “quando a sardinha se nega, rogada e esquiva à conquista das redes, Setúbal tem um calafrio, paira nos ares a asa negra da fome. […] A sardinha é tudo. Se um dia a sardinha emigrasse…”758
Na primeira metade de 1924, parecia mesmo ter emigrado, dando início a um longo pesadelo de recessão económica que, grosso modo, durou quinze anos. O clima de ansiedade apoderou-se dos conserveiros: “[a] crise actual é a pior de todas que a indústria das conservas tem atravessado desde a sua fundação nesta cidade”759. As reclamações dos fabricantes relativamente ao insucesso das capturas multiplicaram-se dali em diante: “Não temos sardinhas que bastem para acudir às necessidades de mais duma centena de fábricas da nossa terra”760. No primeiro quartel do século XX, a sardinha correspondia entre 80% a 90% do total do pescado capturado pelos marítimos sadinos.761 Ao contrário das breves crises sardinheiras ocorridas em anos anteriores (1893762 e 1910763), a escassez iniciada em 1924 foi de longa duração.
Ao rasto deixado pelo fim da prosperidade artificial dos anos da guerra764, pela ‘crise esquecida’ (1921) e pelos fortes sinais de escassez da principal matéria-prima (1924), o ano de 1925 confirmou as suspeitas de que a indústria de conservas de peixe, em Setúbal, atingiu um ponto de saturação e de hipertrofia sem retorno: “jamais o industrial em Setúbal se viu a braços com tamanhas dificuldades”765. A conjuntura agudizou-se na transição do liberalismo para o autoritarismo. Em média, no plano nacional, a produção de cada fábrica decaiu 49%, por comparação com 1918.766
Receando alterações na ordem pública, o então administrador do concelho, Carlos Sabino da Silveira, descreveu as razões para a «terrível crise» que assolava a cidade do Sado. Para além do insucesso das capturas, da redução do stock de sardinha ou da invasão dos enlatados de carapau norueguês no mercado francês, as súbitas alterações cambiais, apesar de terem incrementado a exportação, promoveram lucros muito mais baixos. À data deste relatório, em abril de 1925, das cerca de 100 fábricas conserveiras sediadas em Setúbal “50 encontram-se completamente paralisadas, 10 talvez já não reabram e 40 têm trabalhado com redução de horas e metade do trabalho de empreitada”767.
Em paradoxo com a escassez sardinheira, este foi o ano em que o recorde de venda de caixas de conservas setubalenses foi largamente ultrapassado (cerca de 1 milhão = 19.492 toneladas).768 Rendeu mais de 65 mil contos. A política deflacionista e a revalorização da moeda, decisões do governo de Álvaro de Castro, e a acumulação de enlatados armazenados do ano anterior (ou conservas adulteradas, com outra espécie) – numa autêntica crise de sobreprodução769 – tornou o produto altamente competitivo, mas representou perdas na ordem dos 50% para muitas unidades fabris.
A extraordinária sobrevalorização do produto decorreu entre 1922 e 1923: 8.830 toneladas exportadas, equivalendo a 9.055 contos; 12.891 toneladas exportadas no valor de 47.803 contos.
[ver Tabela – Comparação da evolução das toneladas de conservas de peixe exportadas pelo porto de Setúbal e o total nacional (1900-1939)]
A evolução do total do movimento de mercadorias do porto de Setúbal ilustra esta disrupção de preços – que não se relaciona com o aumento do tráfego comercial – quer na importação, quer na exportação. Se em 1921 se totalizou 17.779 contos em 58.000 toneladas comercializadas, em 1924 este valor ascendeu a mais de 100 mil contos em 53.050 toneladas importadas ou exportadas pelo porto sadino.
[ver Tabelas – Comparação do movimento de mercadorias nos principais portos do continente (1921-1926) e Movimento de mercadorias no porto de Setúbal (1910-1939)]
Para piorar este dilema, a sardinha mantinha-se a um elevado custo. No intuito de maximizar os lucros do pouco pescado capturado, determinados armadores optavam por vender noutras regiões.770 Esta questão, anos antes, levantou sérias contrariedades, protestando as operárias conserveiras com a opção de as canastras serem vendidas fora de Setúbal ou em alto mar, ao invés de abastecerem as fábricas locais e o Mercado do Livramento.771 Eram raras as exceções de integração vertical de cercos de pesca por parte dos industriais conserveiros, preocupados em controlar o custo da matéria-prima.772
Na qualidade de porto de pesca, Setúbal manteve-se como o mais rentável de todo o País, atingindo a barreira dos 31 mil contos, em 1925, bem acima de Portimão (10 mil contos) e de Lisboa (9 contos).
[ver Tabela – Valor do pescado vendido nos principais portos portugueses (1925)]
Números enganadores. Apesar da semelhança das quantias de pescado capturado, em Setúbal, nos anos de 1916 e de 1924, a receita da alfândega local demonstra esta perda de riqueza: 1916 – 295 contos; 1924 – 115 contos.773 Em tom desesperado, o porta-voz dos fabricantes, A Indústria, informava, em outubro de 1925, que algumas centenas de operários iam para o desemprego: “São em número de dezassete as fábricas que encerraram as suas portas no período agonizante que a indústria vem atravessando, sem que jamais consigam reabrir”774. Muitos armadores e cooperativas de pesca, por impossibilidade de financiar os custos da exploração da pesca, encalharam as suas artes.775 Não é possível quantificar o número de trabalhadores que perderam o seu emprego, dado que a população industrial e piscatória era altamente flutuante.776
A enraizada interdependência da economia setubalense (pesca – conservas – exportação – comércio), a redução da atividade piscatória e a paralisação industrial colocaram sérios entraves à subsistência de cerca de 15 mil pessoas (pescadores, operários conserveiros ou trabalhadores de setores anexos, designadamente caixotaria, latoaria ou litografia), gerando índices de desemprego elevadíssimos: “O povo de Setúbal debate-se ainda numa terrível crise de trabalho, que tem aumentado a miséria em muitos lares e a fome em milhares de crianças e adultos”777. Oriol Pena chamou a atenção do Governo, realçando que a C.M. de Setúbal recebeu mais de sete centenas de pedidos de ajuda: “Situação aflitiva, muito grave e dolorosa de que está sofrendo o operariado”778. O município, na tentativa de reduzir o desemprego, solicitou uma dotação mensal junto do Estado para se proceder às obras de cobertura do antigo ribeiro do Livramento.779
Universo patronal e trabalhadores viram-se forçados a exigir medidas de contingência ao ministério dirigido por Vitorino Guimarães, no sentido de verem as suas condições minimamente atenuadas. Uma comissão composta por conhecidos elementos libertários, Januário Sabino (Associação de Classe dos Soldadores de Setúbal), José Viegas Samurrinha (Associação de Classe dos Trabalhadores das Fábricas de Setúbal) e António Costa (Associação de Classe da Construção Civil de Setúbal) preparou uma moção ao Governo, enaltecendo a “crise que nesta cidade se vai acentuando dia a dia e que a miséria, com todos os seus horrores, vai visitando os lares dos trabalhadores”780.
Um vasto grupo de comerciantes e industriais fez-se representar numa reunião junto dos ministros do Interior e das Finanças, reivindicando soluções que poderiam melhorar o contexto de recessão local. Estas foram inseridas numa exposição de Carlos Sabino da Silveira:
a) elevar a 60% a percentagem abonada pela C.G.D. sobre o penhor mercantil;
b) criar um fundo provisório para alguns industriais hipotecarem os seus imóveis;
c) elevar os descontos no Banco de Portugal;
d) prorrogar o prazo das taxas complementar/transação;
e) reduzir em 1$50 o imposto de exportação;
g) diminuir as sobretaxas nos caminhos-de-ferro;
h) renegociar tratados de comércio, nomeadamente com França, onde estava em prática a tarifa máxima de importação.
A preocupação do delegado do Governo é clara: “morta a indústria de conservas nesta cidade, com ela morrerá todo o comércio, a vida da mesma cidade e todo o seu movimento!!”781. Parte deste pacote de medidas foi apresentado diretamente ao deputado e ex-Ministro do Comércio, Nuno Simões, aquando da sua visita a Setúbal, em 22 de março de 1925. Esta personalidade foi recebida por diversos industriais, visitou algumas fábricas de conservas e reuniu com a Associação Comercial e Industrial de Setúbal.782
A desilusão destes empresários para com a impotência dos governos em resolverem os seus problemas afastou-os do republicanismo liberal. A permissão de se exportar sardinhas para Espanha (ao invés de se garantir o abastecimento para as fábricas)783 e a proibição da importação de azeite para fins industriais784 foram encaradas como atentados aos seus interesses. Na véspera da revolução militar, os industriais conserveiros qualificavam o quotidiano produtivo como “situação horrorosa”785.
Quer tenha sido em desespero para salvar as suas empresas e economias pessoais ou pura ganância, a adulteração do produto exportado foi a resposta encontrada para a escassez da sardinha. Herdando uma prática corrente dos anos da Grande Guerra, os fabricantes voltaram a vender ‘gato por lebre’, colocando petingas, carapaus e outras espécies no interior das latas. Este aspeto contribuiu decisivamente para o descrédito dos enlatados de Setúbal. Não querendo ser exaustivo na repetição de diversos exemplos encontrados na pesquisa documental, em junho de 1924, o cônsul de Portugal em Bordéus comunicou à tutela que, numa encomenda da marca sadina Paris City, as sardinhas foram parcialmente substituídas por carapaus, exigindo responsabilidades morais e financeiras ao fabricante: “não podemos ficar indiferentes perante factos tão graves, que desacreditam por completo a nossa indústria de conservas no estrangeiro”786.
A irracionalidade económica desta decisão é gritante: Bordéus era porto de entrada de 50% das conservas produzidas localmente.787 O pouco cuidado no processo de encaixotamento originou, também, frequentes reclamações por parte dos importadores estrangeiros.788
Um leque restrito de fabricantes procurava a excelência do produto que comercializavam, participando ativamente em exposições internacionais com o propósito de expandir os seus mercados consumidores e combater a má fama que outros industriais davam às conservas locais. Foram os casos das Camalhão, Portela & C.ª; Bonifácio Lázaro, Ltd.; Casimiro & Nascimento; Vidal, Cruz & C.ª; Adriano G. de Morais & C.ª, que obtiveram prémios na Exposição Internacional do Rio de Janeiro de 1923. 789
Entre o pós-guerra e a queda do regime republicano liberal, a indústria de conservas de peixe, em Setúbal, não vivenciou apenas a panóplia de problemas mencionados anteriormente. Pela sua natureza, o cenário era ainda mais complexo em virtude da dependência permanente da importação de matérias-primas. O brutal encarecimento, por exemplo, da folha-de-Flandres dificultou a estabilidade das firmas: 1921 – 1.130 toneladas importadas, equivalendo a 1.020 contos; 1924 – 4.932 toneladas no valor de 19.497 contos)
[ver Tabela em cima – Principais mercadorias importadas pelo porto de Setúbal (1910-1939)].
Na geografia setubalense, em especial, a indústria sofria com as frequentes paralisações laborais, resultantes das múltiplas greves: “E tanta vez ela tem suportado esta dura prova, que começa a estar cansada, de uma vez para sempre”790.
A necessidade recorrente das unidades fabris exercerem funções pela madrugada fora, de acordo com as horas de chegada de pescado, obrigava a um contínuo fornecimento de energia. As Companhias Reunidas de Gás e Eletricidade, única fábrica de gás da cidade, em diversas ocasiões (como no verão de 1923)791, quebraram os seus serviços de cariz industrial aos estabelecimentos conserveiros, impossibilitando o trabalho noturno: “Compreende-se, portanto, a ansiedade dos fabricantes de conservas, sempre que aos ouvidos lhes chega o primeiro murmúrio da próxima falta de gás”792.
A elevada carga fiscal asfixiou a esmagadora maioria dos fabricantes setubalenses e sesimbrenses, representando outra causa para o lento processo de declínio do universo conserveiro desde o pós-guerra.793 No início dos anos 20, a insatisfação dos fabricantes locais em terem de pagar a taxa ad valorem, que atingia os 1,5% desde 1917, assentava na evidência de que não se verificaram melhorias infraestruturais concretas. As quantias não reverteram na construção de estruturas de apoio à atividade piscatória e industrial (e.g. armazéns, cais para descargas).794 Este imposto de 1% foi criado, em 27 de julho de 1901795 e atingia todas as mercadorias exportadas pela delegação aduaneira de Setúbal (exceto os vinhos), tendo como desígnio as obras de reestruturação do porto.796
No outro canto do ringue, as sucessivas comissões executivas setubalenses comunicavam aos governos 797 que a Lei n.º 999 (reformulação legislativa, autorizando os municípios a cobrarem a taxa ad valorem sobre quaisquer géneros ou mercadorias exportadas até 3%) 798 “veio dar-lhe os meios de vida que lhe faltavam” 799. A abolição do imposto seria o equivalente a “tirar-lhes todos os meios de administração, lançando os municípios na insolvência e levando-os para a anarquia administrativa”800. E este discurso não variava de acordo com a cor político-partidária. O democrático Francisco Fernandes e o conservador Carlos Botelho Moniz repetiram-no, nos seus mandatos, pelos cofres municipais estarem subordinados à receita deste imposto 801. Carlos de Oliveira Trigo, a pretexto dos numerosos encargos municipais, lançou, em outubro de 1923, um adicional de 30% sobre as contribuições do Estado em benefício da C.M. de Setúbal. Os fabricantes viram-se forçados a elevar o custo de cada lata de conservas, perdendo capacidade competitiva nos mercados: “medida que os industriais consideram excessiva e absurda, lançada sobre uma indústria que está sobrecarregada com todo o género de contribuições e que ultrapassou toda a sua capacidade tributária” 802. Os armadores e as remanescentes cooperativas de pesca pagavam um elevado imposto de transação e 3% de ad valorem: “os armadores desta localidade se veem na sua maioria arruinados, forçados são a pedir a V. Ex.ª e ao Governo, providências no sentido de alcançar a diminuição de encargos que não podem suportar”803. No período de 1922-1925, os governos republicanos agravaram a carga fiscal, aumentando as importâncias a cobrar pelo Estado sob os direitos ad valorem das conservas exportadas, passando de 4$00 por kg, em 1923, para 4$50, em 1924, e, finalmente, para 5$00 no mesmo ano804.
Numa posição extremada, os fabricantes, após a publicação da Lei n.º 1368805, declararam lock-out em protesto contra o novo regime de impostos: “o mal-estar inquietador e o pânico aumentam entre os industriais que se interrogam se valerá a pena liquidar ou encerrar as suas fábricas […] em consequência da falência que derivará do pesadelo da aplicação da rede de impostos”806.
A escassez sardinheira resultou no desinvestimento do capital francês, uma das consequências mais pesadas para a cidade. Estes desviaram os seus investimentos para outros pontos de Espanha, retornaram ao país de origem ou declararam insolvência. Em poucos anos, alguns estabelecimentos industriais e empresas de origem francesa foram fechando portas: as firmas de René Béziers (1919), a Fermisson, Aires & C.ª (1925), a Daniel & De Raymond (1927) e a Ferdinand Garrec & C.ª (1931), ou as fábricas de Ange Aleno (1926) e da família de Albert Rouillé (1929) 807.
Sob o prisma empresarial francês, o clima de permanente conflituosidade laboral e social, que caracterizou todo o período do regime republicano, não se compaginava com a tranquilidade necessária à produção: “Há muito tempo que o bom nome de Setúbal sofre agravos, lá fora, baseados nas lutas intestinas que quase constituem o seu vivo reclame”808. Na retina dos empresários gauleses estavam os episódios dos verões de 1911 e 1917 ou da primavera de 1919. Nos primeiros tempos da Primeira República, em 2 de agosto, as fábricas de conservas de Pierre Chancerelle, de Ange Aleno, de René Béziers e de Albert Rouillé foram invadidas pelos trabalhadores, durante uma greve, tendo o último sido alvo de agressões na sua habitação. O embaixador em Lisboa viu-se na obrigação de chamar a atenção do governo: “Ce jour-là une troupe des grévistes, sans rencontrer aucune opposition de la part de la police et des autorités locales, a pénétré par la violence dans les établissements de quatre fabricants français”809.
Em agosto de 1917, a firma de René Béziers voltou a ser alvo de assaltos coletivos de soldadores, destruindo cravadeiras 810. A absolvição dos 10 indivíduos envolvidos, em abril de 1919 811, gerou um incidente diplomático. O embaixador francês considerava que os danos deveriam ser indemnizados pelo Estado português, uma vez que as autoridades foram incapazes de assegurar a segurança dos bens do seu compatriota 812.
A intranquilidade em torno do capital investido foi crescendo com celeridade, contribuindo para a decisão dos proprietários desta empresa em encerrar as suas instalações naquele ano: “auront désormais, et à juste titre, des raisons de penser que la protection de leurs biens n’y est pas assurée”813. Para denegrir mais o cenário, dias depois do julgamento, os gauleses da Daniel & De Raymond “foram ameaçados por operários com um assalto aos seus estabelecimentos e tiveram de pedir a proteção da força armada”814. Em contraciclo, Setúbal recebeu a expansão de duas empresas espanholas dedicadas à produção de enlatados de peixe: a Gándara, Haz, Rábago y Cía, em 1923, e a família galega Alonso, que fundou a célebre fábrica ‘Espanhóis do Bonfim’, em 1924. 815
A multiplicação de incêndios deflagrados em fábricas de conservas setubalenses, nos anos subsequentes ao início da escassez da sardinha na costa da Galé, também ajuda a explicar a diminuição considerável do número de unidades fabris sediadas na região.
No calor das chamas desapareceram, pelo menos, as seguintes cinco fábricas até ao final dos anos vinte: Arrábida (1920); Unida (1922); o estabelecimento da empresa Fermisson, Aires & C.ª (1925); Arrábida (1929); a fábrica Santa Rita (1930).816
Existe uma evidente correlação entre o número de incêndios e a conjuntura generalizada de recessão iniciada com a crise sardinheira. Se entre 1884 e 1926 apenas se verificaram 14 fogos em fábricas, entre 1927 e 1957 ocorreram 39: “em geral a população falava em ‘fogos salvadores’ 817, que surgiam pela madrugada e que, graças ao dinheiro dos seguros, podiam evitar a falência de algum industrial menos afortunado” 818.
Algumas corriam riscos de combustão devido, por exemplo, à falta de fiscalização das caldeiras de estanhagem 819: “Achamos ser perigosíssima a maneira como funcionam algumas fábricas de conservas” 820. A desconfiança cresceu entre as diferentes empresas seguradoras, que se tornaram cada vez mais reticentes em colaborar com unidades fabris conserveiras de Setúbal. A companhia de seguros The Liverpool and London foi uma das primeiras que anunciou a rescisão dos contratos com os fabricantes setubalenses. 821
Conforme demonstrou Paulo Guimarães, os decénios de 1910 e 1920, do ponto de vista urbanístico, pautaram-se pelas transformações infraestruturais de edifícios habitacionais em imóveis destinados a fábricas de conservas de peixe, armazéns ou anexos, desrespeitando normas de segurança e/ou princípios de ordenamento do território. 822
As suspeitas eram tão altas que, em 1929, a corporação dos bombeiros municipais foi alvo de uma sindicância, que resultou na sua extinção e na suspensão do seu comandante, Viriato Vicente do Carmo 823, pelo seu desempenho no combate às chamas na fábrica Arrábida. 824 A abertura deste inquérito motivou outra reforma do serviço municipal de combate aos incêndios. 825
Num panorama de profunda complexidade económico-financeira, os créditos industriais eram encarados pelos fabricantes conserveiros como boias de salvação para as oscilações da procura externa, para os desequilíbrios cambiais, para as dificuldades na obtenção de matérias-primas e, principalmente, para a falta de liquidez das suas empresas.826 No contexto local, todavia, a maioria das filiais dos grandes bancos serviam como meras representações formais, sem capacidade interventiva. Era o caso da delegação do Banco de Portugal. 827 Diversos negócios não se concretizavam em virtude destas instituições não possuírem numerário. Mais importante, as administrações dos Os bancos, como o da C.G.D., não consideravam que os industriais conserveiros sadinos fossem capazes de honrar os seus compromissos: “as fábricas em Setúbal estavam montadas em barracas de madeira sem valor nenhum, e, por isso, nada garantiam” 828.
Por este conjunto de razões, no início da década de 1920, começou a circular a ideia de se criar um banco regional, destinado a atender aos interesses comerciais e industriais de Setúbal, estimulando o seu ressurgimento económico. Os cambiais ficavam retidos no concelho e serviriam para financiar empreendimentos relevantes para a cidade. Como base para este organismo transformar-se-ia a pequena Casa Bancária Raúl P. Santos, fundada em 19 de fevereiro de 1916. 829
Na perspetiva de armadores e industriais conserveiros, uma instituição destas traria tranquilidade em períodos de escassez de pescado ou de contração das importações: “E é essa falta que o Banco Regional do Sado vem procurar suprir; e é essa função que ele vem procurar exercer” 830. Em agosto de 1923, conheceu-se a comissão fundadora da entidade, compondo-se dos principais nomes da praça setubalense.831
[ver Tabela – Capital social do Banco Regional do Sado (1924)]
A escritura do Banco Regional do Sado foi lavrada em 18 de junho de 1924, tendo sido formalmente constituído como instituição bancária através da publicação do Decreto n.º 9770.832 Os seus estatutos 833 definiam como propósito “servir principalmente os interesses industriais, comerciais e agrícolas desta cidade e seu concelho, alargando a sua acção pela região do Sado”834.
Era tarde demais. A crise sardinheira chegara e as políticas cambiais alvaristas começavam a fazer-se sentir no comércio externo, protelando o arranque efetivo da atividade bancária. Anos mais tarde, o cérebro da operação, Raúl P. dos Santos, apontou o dedo à profunda crise económica setubalense, que caracterizou de «agudíssima», e a uma «campanha surda», como impedimentos para que o capital subscrito inicialmente fosse concretizado: “Vão passados sete anos. Sete anos de descalabro, de miséria”.835
Ainda que o quadro internacional fosse marcado pelo trauma do crash do sistema financeiro norte-americano, em 12 de novembro de 1930, o banqueiro setubalense tentou dar uma nova vida ao sonho do Banco Regional do Sado, aumentando a subscrição pública do capital social de 4 mil para 5 mil contos. O clima de progresso, proporcionado pela I Exposição Regional do Distrito de Setúbal, servira de trampolim e o respeito que Raúl P. Santos granjeava na comunidade assegurou a assinatura de cerca de quatro personalidades e empresas locais, que incluía o Governador Civil de Setúbal. [Tabela – Lista de assinantes do Banco Regional do Sado (1931)] O ministro das Finanças, doutor Oliveira Salazar, em 20 de fevereiro de 1931, deu despacho favorável à entidade e, no dia seguinte, o Banco Regional do Sado deu lugar à Casa Bancária Raúl P. Santos.836
Pouco depois, numa conferência, o banqueiro apelou para que o público setubalense injetasse capital e comprasse ações, no prazo de 60 dias. As suas palavras foram publicadas em O Banco Regional do Sado – Solução Prática das Crises pela Assistência Financeira Regional, texto de cariz apologético do crédito enquanto alavanca da indústria e do comércio e plataforma de auxílio financeiro ao mundo empresarial setubalense. Os argumentos de 1931 eram, em tudo, semelhantes aos de 1924: “Quais são, contudo, as organizações bancárias locais em que umas e outras se possam apoiar com a necessária segurança, para as suas variadas e avultadas operações comerciais? Nenhumas ou quase nenhumas”837.
Num exercício de especulação, o processo poderá ter sido um encobrimento ilícito. A solicitação de compra de ações surgiu de forma coerciva, sob o alerta de que, caso contrário, os depositantes oriundos da instituição bancária que coordenou poderiam sofrer prejuízos. Foi um fracasso. Em 27 de março de 1931, as obrigações deixaram de ser cumpridas e as operações financeiras foram suspensas.
Mais tarde, foi nomeada uma comissão liquidatária838 e foi retirada a licença ao Banco Regional do Sado para exercer atividade, com imposição de imediata liquidação.839 Raúl Perfeito Santos escreveu, por esta altura: “Aceitarei, valorosamente, assim espero, a minha infelicidade […] vou ficar naquela posição delicadíssima que, em geral, leva ao suicídio ou à fuga”840. Em junho de 1931, já estava em Paris. Em abril de 1932, tiveram início os leilões dos bens imobiliários, nomeadamente o edifício da Casa Bancária ou o Prédio Alves da Silva.841
Era o fim de uma das últimas esperanças de recuperação económica para a pesca e a conservas setubalenses, que continuaram o seu processo de decadência nos anos seguintes, como se verá mais adiante.
Notas:
681 MONIZ, Carlos Botelho, Relatório do primeiro ano de gerência da Comissão Administrativa nomeada pelo Governo da Ditadura – Julho de 1926 a Julho de 1927, Tip. Albino & C.ª, Setúbal, 1927, p. 3.
682 QUINTAS, Maria da Conceição, Setúbal – Economia, Sociedade e Cultura Operária (1880-1930), Horizonte, Lisboa, 1998; PEREIRA, Alberto; LOPES, Madureira, A indústria das conservas de peixe em Setúbal, Estuário, Setúbal, 2015; COSTA, Albérico A.; MOURO, Carlos, “Linhas de evolução da indústria conserveira em Setúbal” in Actas do 1.º Encontro de Estudos Locais do Distrito de Setúbal, ESE/IPS, Setúbal, 1990, pp. 19-29; ALCÂNTARA, Ana, A indústria conserveira em Setúbal, 1854-1914, Trabalho final de Licenciatura em História, variante de Arqueologia, FCSH/NOVA, Lisboa, 2004.
683 FERREIRA, Diogo, Setúbal e a Primeira Guerra Mundial (1914-1918), Estuário, Setúbal, 2017.
684 ROLLO, Maria Fernanda (coord.), “Economia e inovação: derivações em cenário de crise” in História da Primeira República Portuguesa, Tinta-da-China, Lisboa, 2011, p. 527.
685 DUARTE, Maria João Raminhos, Portimão – Industriais Conserveiros na 1.ª metade do século XX, Edições Colibri, Lisboa, 2003, p. 29.
686 FERREIRA, Álvaro Joaquim Fernandes, As conservas enlatadas na alimentação das tropas em campanha, Tip. da Liga dos Combatentes da Grande Guerra, Lisboa, 1949, p. 19
687 ROLLO, Maria Fernanda, “O Surto Industrial” in Nova História de Portugal, vol. XI, Portugal da Monarquia para a República, org: MARQUES, A. H. de Oliveira, Presença, Lisboa, 1991, p. 137.
688 GRANT, James, The Forgotten Depression – 1921: The crash that cured itself, Simon & Schuster Paperbacks, New York, 2014.
689 LOUÇÃ, Francisco, “A jaula oligárquica: A modernização conservadora ao longo do século XX” in O século XX português: Política, Economia, Sociedade, Cultura, Império, org: ROSA, Fernando, Tinta-da-China, Lisboa, 2020, pp. 123-126.
690 RAMOS, Rui (coord.), História de Portugal, vol. 6, A Segunda Fundação (1890-1926), Editorial Estampa, Lisboa, 2001, p. 544.
691 PROENÇA, Maria C., Uma História Concisa de Portugal, Temas e Debates, Lisboa, 2015, p. 649.
692 “A paralisação da indústria de conservas” in República, n.º 427 de 26/02/1921, p. 2.
693 ADSTB, AMS, Administração do Concelho de Setúbal, Cx. 1290, Copiador de Correspondência Expedida – 2ª Secção, Lv. 5 (1920-1922), Ofício n.º 60 de 11/02/1921 enviado pelo Administrador do Concelho de Setúbal para o Comissário-Geral dos Abastecimentos.
694 AHP-AR, Secção IV, Cx. 47, Capilha n.º 46, Ofício s/ref.ª de 06/04/1921 enviado pelo Presidente da Associação Comercial e Industrial de Setúbal para o Ministro das Finanças.
695 Artigo sem título in A Mocidade, n.º 388 de 15/04/1921, p. 3
696 PIRES, Ana Paula, Portugal e a I Guerra Mundial. A República e a Economia de Guerra, Caleidoscópio, Casal de Cambra, 2011, pp. 67-68.
697 BATALHA, Ladislau, Diário da Câmara dos Deputados, n.º 24, sessão de 16/02/1921, p. 5.
698 SIMÕES, Nuno, “Notas sobre a evolução do nosso comércio de pescarias e de conservas de sardinha” in Indústria Portuguesa – Revista da Associação Industrial Portuguesa, Ano IX, n.º 97, março/1936, p. 28.
699 “Voltando à antiga” in A Mocidade, n.º 385 de 01/03/1921, p. 4.
700 BERNARDO, Hernâni de Barros, “Breve História da Indústria de Conservas de Peixe em Portugal” in Indústria Portuguesa, ano XXV, n.º 289, março/1952, pp. 4-5.
701 RODRIGUES, Joaquim Vieira, A indústria de conservas de peixe no Algarve: 1865-1945, Arandis, Faro, 2022, pp. 89-90.
702 Arquivo Histórico-Diplomático do Ministerio dos Negócios Estrangeiros [AHD-MNE], Sala 12, Estante 21, Prateleira 2, Mç. 76.015, Proc. n.º 244/20, Exposição de 17/01/1923 enviado pela Secção Sindical dos Fabricantes de Conservas de Setúbal para o MNE.
703 ANTT, Governo Civil de Lisboa, Gestão da Informação e Documentação, Correspondência Recebida/Expedida, Pt. 31, NT 973, Telegrama de 14/08/1924 enviado pelo Administrador do Concelho de Setúbal para o Governador Civil de Lisboa.
704 BARBOSA, António, Sobre a Indústria de Conservas em Portugal, ISCEF, Lisboa, 1941, pp. 20-24.
705 “Os pequenos industriais de conservas na dependência dos exportadores?” in Eco de Setúbal, n.º 5 de 06/03/1933, pp. 7 e 13. Citado a partir de: QUINTAS, Maria da Conceição, Setúbal – Economia, Sociedade e Cultura Operária (1880-1930), Livros Horizonte, Lisboa, 1998, p. 201.
706 TEIXEIRA, António A guerra económica na sua evolução, Tip. Cândido Guerreiro, Setúbal, 1935, p. 8
707 COSTA, António Valente da Fonseca Alves, “Indústria de Conservas de Peixe” in II Congresso da Indústria Portuguesa, s.e., Lisboa, 1957, pp. 8-10.
708 BELO, Manuel, “Relatório dos serviços da 3.ª circunscrição industrial no ano de 1922” in Boletim do Trabalho Industrial, n.º 126, Imprensa Nacional, Lisboa, 1924, p. 70.
709 COSTA, Albérico Afonso, Setúbal, Cidade Vermelha – Sem perguntar ao Estado qual o caminho a tomar (1974-1975), Estuário, Setúbal, 2017, p. 19.
710 QUINTAS, Maria da Conceição, Setúbal – Economia, Sociedade e Cultura Operária (1880-1930), Livros Horizonte, Lisboa, 1998, p. 71.
711 FARIA, Guilherme, Setúbal e a Indústria de Conservas, C.M. de Setúbal, Setúbal, 1950, p. 25.
712 Idem, p. 40.
713 AMARO, Armando, “A indústria conserveira em Lagos (1882-1925)” in Arqueologia Industrial, 5.ªsérie, vol. III, n.º 1-2, edições Húmus, 2021, Ribeirão, pp. 52-78.
714 DUARTE, Maria João Raminhos, Portimão – Industriais Conserveiros na 1.ª metade do século XX, Edições Colibri, Lisboa, 2003, p. 29.
715 ADSTB, Notários Privativos de Setúbal, Notário Adriano Vilhena Pereira da Cruz, Cx. 5125, Lv. 149, fls. 37-40v, “Escritura de constituição da sociedade Marques, Neves & C.ª” de 01/03/1917.
716 AMORIM, Vanessa Iglésias, “Mar, Pesca, Teatro, Antropologia: Um caminho iniciado” in Pelos que andam sobre as águas do mar, coord: BELCHIOR, Raquel, Edições Galateia, Lisboa, 2018, p. 35.
717 MACHADO, Fernando Falcão, “A pesca marítima em Setúbal” in XVI Congresso Internacional de Geografia, Centro Tip. Colonial, Lisboa, 1951, pp. 187-191.
718 MENDES, Hugo Vilela; BORGES, Fátima, “A sardinha no século XX: captura e esforço de pesca” in Relatórios Científicos e Técnicos do INIAP, vol. 32, IPIMAR, Lisboa, 2006, p. 16.
719 QUINTAS, Maria da Conceição, Setúbal – Economia, Sociedade e Cultura Operária (1880-1930), Livros Horizonte, Lisboa, 1998, p. 80.
720 ROQUETTE, José Brás, “Setúbal e os problemas da pesca” in Setúbal e os problemas da sua economia, Grémio do Comércio de Setúbal, Setúbal, 1949, pp. 19-24.
721 QUINTAS, Maria da Conceição; CHAGAS, Soledade Brites; CONTREIRAS, Élia Almada, Greves, Sindicalismo – Setúbal (1910-1913), Assembleia Distrital de Setúbal, Setúbal, 1981, pp. 95-97.
722 Decreto-Lei n.º 6518 in Diário do Governo, I Série, n.º 72 de 07/04/1920.
723 PEREIRA, Alberto; LOPES, Madureira, Bairro Santos Nicolau – Setúbal, Estuário, Setúbal, 2012.
724 CDI-ACM, Núcleo 174, Mç. 12, Ofício n.º 599 de 04/06/1920 enviado pelo Capitão do porto de Setúbal para o Departamento Marítimo do Centro. CDI-ACM, Núcleo 174, Pt. 35, Ofício n.º 692 de 06/09/1921 enviado pelo Capitão do porto de Setúbal para o Departamento Marítimo do Centro.
732 Decreto-Lei n.º 8425 in Diário do Governo, I Série, n.º 216 de 16/10/1922.
733 Decreto-Lei n.º 9079 in Diário do Governo, I Série, n.º 184 de 27/08/1923.
734 “Ecos & Notas” in Alvorada, n.º 95 de 08/08/1923, p. 1.
735 MOURO, Carlos, “Cooperativa de Pesca, de Consumo e de Edificação dos Trabalhadores do Mar de Setúbal (um centenário a relembrar)” in Revista LASA, n.º 14, versão digital, Setúbal, 2020, p. 29.
736 CDI-ACM, Núcleo 174, Pt. 36, Ofícios n.ºs 240 e 779 de 17/03/1922 e de 27/09/1922 enviados pelo Capitão do porto de Setúbal para o Departamento Marítimo do Centro.
737 CUNHA, Silvério Rocha in Diário da Câmara dos Deputados, n.º 80, sessão de 11/11/1919, pp. 4-6.
738 “O valor industrial de Setúbal” in O Volante, n.º 169 de 03/08/1930, p. 15.
739 “Economia Local” in Gazeta Setubalense, n.º 6 de 11/05/1924, p. 2.
740 HENRIQUES, Francisco Maia, “Política económica e modernização industrial no Estado Novo: o condicionamento da indústria de conservas de peixe” in Revista Portuguesa de História, n.º 50, Imprensa da Universidade de Coimbra, Coimbra, 2019, pp. 245-246.
741 MACHADO, Fernando Falcão, “A pesca marítima em Setúbal” in XVI Congresso Internacional de Geografia, Centro Tip. Colonial, Lisboa, 1951, p. 197.
742 BRANDÃO, Raúl, Os Pescadores, Tip. do Anuário Comercial, Lisboa, 1923, p. 245. [edição fac-símile]
743 CDI-ACM, Núcleo 174, Mç. 13, Ofício n.º 46 de 07/04/1921 do Presidente da Comissão Central de Pescarias do Ministério da Marinha para a 4.ª Direção-Geral do Ministério da Marinha.
744 CDI-ACM, Núcleo 174, Mç. 12, Ofício n.º 1134 de 09/12/1920 enviado pelo Capitão do porto de Setúbal para o Departamento Marítimo do Centro.
745 CDI-ACM, Núcleo 174, Pt. 43, Ofício s/ref.ª de 20/09/1927 enviado pelo Capitão do porto de Setúbal para o Chefe do Departamento Marítimo do Centro.
746 CDI-ACM, Núcleo 174, Pt. 267, Ofício n.º 641 de 08/05/1931 enviado pelo Capitão do porto de Setúbal para o Presidente da C.M. de Setúbal.
747 Decreto n.º 5963 in Diário do Governo, I Série, n.º 141 de 19/07/1919. Decreto n.º 10513 in Diário do Governo, I Série, n.º 27 de 05/02/1925.
748 CDI-ACM, Núcleo 174, Mç. 27, Exposição de 06/09/1919 enviada por uma comissão de pescadores e donos de artes de pesca “sacadas” para o Capitão do porto de Setúbal.
749 AHS-BNP, Espólio N61, ‘Outros Grupos Profissionais’, Cx. 111, Capilha ‘Marítimos’, Ofício s/ref.ª de 14/10/1921 enviado pela Associação de Classe dos Trabalhadores do Mar de Setúbal para Joaquim Silva.
750 “Peixe miúdo – pesca criminosa” in A Indústria, n.º 109 de 14/08/1925, p. 1.
751 MARCOS, “Indústria das Conservas – A pesca” in O Município, n.º 7 de 27/01/1923, p. 2.
752 “A invasão” in A Indústria, n.º 98 de 29/05/1925, p. 1.
753 Portaria n.º 3500 in Diário do Governo, I Série, n.º 51 de 12/03/1923. Portaria n.º 4538 in Diário do Governo, I Série, n.º 261 de 07/12/1925.
754 “Falta de sardinha” in República, n.º 551 de 18/02/1922, p. 1.
755 “Assuntos Locais” in Alvorada, n.º 91 de 01/05/1923, p. 2.
756 Artigo sem título in Gazeta Setubalense, n.º 12 de 29/06/1924, p. 1.
757 LEMOS, Manuel Gaspar de in Diário da Câmara dos Deputados, n.º 44, sessão de 02/03/1926, p. 10.
758 FOYOS, Fernando da Cunha e, “Indústrias Portuguesas – A sardinha de conserva em Setúbal” in
Ilustração Portuguesa, n.º 229 de 11/07/1910, p. 60.
759 “A crise” in A Indústria, n.º 50 de 27/06/1924, p. 1.
760 “Lutando – Lance difícil” in A Indústria, n.º 45 de 23/05/1924, p. 1.
761 PEREIRA, Alberto; LOPES, Madureira, A indústria das conservas de peixe em Setúbal, Estuário, Setúbal, 2015, p. 64.
762 QUINTAS, Maria da Conceição, Setúbal nos finais do século XIX, Caminho, Lisboa, 1993, p. 181.
763 QUINTAS, Maria da Conceição; CHAGAS, Soledade Brites; CONTREIRAS, Élia Almada, Greves, Sindicalismo – Setúbal (1910-1913), Assembleia Distrital de Setúbal, Lisboa, 1981, p. 92.
764 RODRIGUES, Joaquim Vieira, A indústria de conservas de peixe no Algarve (1865-1945), Arandis, Faro, 2022, pp. 86-87.
765 “Ao comércio – A crise em Setúbal” in A Indústria, n.º 86 de 06/03/1925, pp. 1-2.
766 MENDES, José M. Amado; RODRIGUES, Manuel Ferreira Rodrigues, História da Indústria Portuguesa – da Idade Média aos Nossos Dias, Publicações Europa-América, Mem Martins, 1999, p. 254.
767 ANTT, Governo Civil de Lisboa, Gestão da Informação e Documentação, Correspondência Recebida/Expedida, Pt. 33, NT 988, Ofício-Relatório n.º 162 de 08/04/1925 enviado pelo Administrador do Concelho de Setúbal para o Governador Civil de Lisboa.
768 “As nossas relações comerciais com a França” in Cetóbriga, n.º 1 de 01/03/1926, p. 11.
769 DUARTE, Maria João Raminhos, Portimão – Industriais Conserveiros na 1.ª metade do século XX, Colibri, Lisboa, 2003, p. 30.
770 “Continua a crise” in A Indústria, n.º 88 de 20/03/1925, p. 1.
771 “Venda de peixe” in O Setubalense, n.º 897 de 24/09/1920, p. 2.
772 MATA, Maria Eugénia, “Managerial strategies in canning industries: A case study of early twentieth century Portugal” in Business History, vol. 51, n.º 1, Taylor & Francis, Oxford, 2009, p. 52.
773 “A larga marcha da crise industrial” in A Indústria, n.º 93 de 24/04/1925, pp. 1-2.
774 SILVA, Artur, “E quantas mais? Não é fácil saber-se!” in A Indústria, n.º 118 de 16/10/1925, p. 1.
775 “Assuntos Locais” in Alvorada, n.º 117 de 10/04/1925, p. 2.
776 SILVA, Augusto, “Relatório dos serviços da 3.ª circunscrição industrial no ano de 1925” in Direção-Geral das Indústrias do Ministério do Comércio e Comunicações, Boletim do Trabalho Industrial, n.º 133, Relatórios dos Serviços das Circunscrições Aduaneiras no ano de 1925, IUC, Coimbra, 1927, p. 75.
777 “A crise” in Voz Sindical, n.º 46 de 12/04/1925, p. 1.
778 PENA, Oriol in Diário das Sessões do Senado, n.º 35, sessões de 23-25 de abril de 1925, p. 5.
779 ADSTB, AMS, C.M. de Setúbal, Serviços Administrativos, Expediente, Copiador geral de correspondência expedida, Cx. 99, Lv. 28, Ofício n.º 650 de 30/09/1925 enviado pelo Presidente da C.M. de Setúbal para o Ministro do Comércio e Comunicações.
780 Citado a partir de: COSTA, Albérico Afonso, História e Cronologia de Setúbal, 1248-1926, Estuário, Setúbal, 2011, p. 278.
781 ANTT, Governo Civil de Lisboa, Gestão da Informação e Documentação, Correspondência Recebida/Expedida, Pt. 33, NT 988, Ofício-Relatório n.º 162 de 08/04/1925 enviado pelo Delegado do Governo, em Setúbal, para o Governador Civil de Lisboa.
782 “A visita a Setúbal do sr. dr. Nuno Simões” in A Indústria, n.º 89 de 27/03/1925, p. 1.
783 “A indústria de conservas” in A Indústria, n.º 135 de 12/02/1926, p. 2.
784 “Simplesmente horrível” in A Indústria, n.º 131 de 15/01/1926, p. 2.
785 “A postos! Situação horrorosa” in A Indústria, n.º 134 de 05/02/1926, p. 2.
786 AHD/MNE , Sala 12, Estante 21, Prateleira 2, Mç. 76.015, Proc. n.º 244/20, Ofício n.º 17 de 06/06/1924 enviado pelo cônsul de Portugal em Bordéus para o Ministro dos Negócios Estrangeiros.
787 “Indústria das Conservas – Mercado de Bordeaux” in O Município, n.º 4 de 18/01/1923, p. 3.
788 “Embalagem das conservas” in A Indústria, n.º 81 de 30/01/1925, p. 1.
789 “Exposição Internacional do Rio de Janeiro” in A Indústria, n.º 15 de 26/10/1923, p. 4.
790 Artigo sem título in A Folha de Setúbal, n.º 9 de 07/06/1923, p. 2.
791 “Carvão, Água e Pão” in A Indústria, n.º 2 de 27/07/1923, p. 2.
792 “Gás” in O Município, n.º 5 de 20/01/1923, p. 3.
793 ALMEIDA, Andreia da Silva, A indústria conserveira de Sesimbra (1933-1945), Novas Edições Académicas, s.l., 2015, pp. 90-92.
794 SILVA, Artur, “Assim não pode continuar” in A Indústria, n.º 9 de 14/09/1923, p. 2.
795 Decreto de 27/07/1901 in Diário do Governo, n.º 173 de 06/08/1901.
796 CLARO, Rogério Peres, 12 anos de deputado, vol. I, edição de autor, Évora, s.d., pp. 169-170.
812 “Um julgamento” in Alvorada, n.º 19 de 01/04/1919, p. 3.
813 ANTT, Ministério do Interior, DGAPC, 1ª Rep., Mç. 118, Cx. 13, Lv. 69, Cópia do ofício de 03/04/1919 enviado pelo Ministro de França em Lisboa para o Ministro dos Negócios Estrangeiros.
814 ANTT, Governo Civil de Lisboa, Gestão da Informação e Documentação, Correspondência Recebida, Pt. 107, NT952, Ofício n.º 489 de 10/04/1919 enviado pelo secretário do Ministro do Interior para o ministro
815 BADÍA, Xoán, Carmona, “Antonio Alonso: La más antigua de las conserveras gallegas” in Las familias de la conserva: El sector de las conservas de pescados a través de sus sagas familiares, Fundación Cluster De Conservación De Productos Del Mar, España, 2011, p. 12.
816 “As fábricas nos primeiros andares” in Alvorada, n.º 40 de 20/05/1920, p. 2; COSTA, Albérico Afonso, História e Cronologia de Setúbal, 1248-1926, Estuário, Setúbal, 2011, p. 271; “Violento incêndio” in A Indústria, n.º 109 de 14/08/1925, p. 1; “Grandioso incêndio” in A Cidade, n.º 2 de 10/03/1929, p. 3; “O grande incêndio da noite passada – Ardeu totalmente a fábrica Santa Rita” in O Setubalense, n.º 3884 de 13/11/1930, p. 5.
817 Os gerentes mandavam todo o pessoal para casa, espalhavam serradura embebida em azeite, abriam pequenos montinhos e colocavam velas para deflagrar.
818 PEREIRA, Alberto, Os 125 anos da Associação dos Bombeiros Voluntários de Setúbal (1883-2008), Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Setúbal, Setúbal, 2011, p. 46.
819 PEREIRA, Francisco Marques, “Serviços de Incêndio” in O Sado, n.º 6 de 14/04/1929, p. 1.
820 Riafa (pseudónimo), “Nas fábricas” in O Sado, n.º 10 de 12/05/1929, p. 5.
821 PEREIRA, Alberto; LOPES, Madureira, Anais de Setúbal do século XX – Uma cronologia ilustrada, Eseliora CRL, Alhos Vedros, 2023, p. 82.
822 Cf. GUIMARÃES, Paulo, “A habitação popular urbana em Setúbal no primeiro terço do século XX” in Análise Social, vol. XXIX, ICS, Lisboa, 1994, pp. 526-554.
823 Liderava 39 elementos desde a reestruturação do departamento em 1919. C.M. de Setúbal, Regulamento do Corpo de Bombeiros Municipais de Setúbal, Tip. Pereira & Pereira, Setúbal, 1919, pp. 3 e 40.
824 “Bombeiros” in A Indústria, n.º 299 de 05/04/1929, p. 1.
825 C.M. de Setúbal, Regulamento dos serviços de Salvação Pública do concelho de Setúbal, Tip. A. Cândido Guerreiro, Setúbal, 1930.
826 “Questões Económicas – Crédito Industrial” in Gazeta Setubalense, n.º 9 de 08/06/1924, p. 1.
827 Edifício construído, entre 1922 e 1928, e que foi projetado pelo arq.º Adães Bermudes. Este arquiteto projetou a sede da Associação de Classe dos Soldadores de Setúbal, inaugurada em 1911. ROCHA, Maria Margarida; SAMARA, Maria Alice, “Património artístico de Setúbal” in Setúbal – Roteiros Republicanos, CNCCR/Quidnovi, Matosinhos, 2010, p. 77.
828 “Que tal acham esta? Afirmações infelizes” in A Indústria, n.º 94 de 01/05/1925, p. 1.
829 “Uma ideia em marcha – Banco Regional de Setúbal” in Semana de Setúbal, n.º 3 de 12/11/1922, p. 2.
830 “Os grandes problemas locais: O Banco Regional do Sado” in A Indústria, n.º 2 de 27/07/1923, p. 1.
831 “Banco Regional do Sado” in Democracia Nova, n.º 6 de 11/08/1923, p. 1.
832 Decreto n.º 9770 in Diário do Governo, I Série, n.º 125 de 05/06/1924.
833 A nomeação da 1.ª direção (Joaquim Brandão, Luís de Macedo e Castro e Raúl Perfeito dos Santos). “Progressos Locais – O Banco Regional do Sado” in Gazeta Setubalense, n.º 11 de 22/06/1924, p. 1.
834 Citado a partir de: MENDES, José Amado (coord.), “Banco Regional do Sado (1924-?)” in Dicionário de História Empresarial Portuguesa – Séculos XIX e XX, vol. I, Instituições Bancárias, UAL/INCM, Lisboa, 2013, p. 379.
835 SANTOS, Raúl Perfeito, O Banco Regional do Sado – Solução Prática das Crises pela Assistência Financeira Regional, Tip. A. Cândido Guerreiro, Setúbal, 1931, p. 16.
836 Idem, p. 19.
837 Idem, pp. 5-6 e 11 (citação desta última página).
838 “Raúl P. Santos”. Página do Arquivo do Banco de Portugal. [Disponível em: https://www.bportugal.pt/arquivo/details?id=17698 – Consultado em 12/06/2022]
839 Portaria in Diário do Governo, II Série, n.º 151 de 03/07/1931.
840 Citado a partir de: PEREIRA, Alberto; LOPES, Madureira, A indústria das conservas de peixe em Setúbal, Estuário, Setúbal, 2015, p. 284.
841 Idem, pp. 285-286