1989 - Cais do Ginjal

TÍTULO: Cais do Ginjal

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AUTOR: Romeu Correia

DATA EDIÇÃO: 1989

EDITORA: Editorial Notícias, D. L. 

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DESCRIÇÃO: isbn: 9789724604787

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“Voltei à sala da varanda debrucei-me no peitoril a observar mais uma vez o rio e a cidade de Lisboa. Uma fragata, no cais, carregava cascos e barris de vinho que o pessoal dos armazéns encaminhava, rolando, para que o guindaste pusesse dentro da embarcação.” p. 25-26

“Desci a escada e vim para o cais, onde a azáfama era intensa.” p. 28

“Junto à fábrica La Paloma, o buque, que viera da Ribeira de Lisboa, descarregava sardinha. As varinas, de canastra à cabeça, mão na ilharga, andavam cá e lá no transporte do peixe.” p. 29

“A Ermelinda regressou à fábrica e retomou a faina de arrancar a cabeça às sardinhas e extorquir-lhes a espinha. As suas sábias mãos executavam esta tarefa com perícia de causar espanto. Os pequenos peixes eram destruídos num voltear de dedos de grande ofício e crueldade.” p. 37

“Para os armazéns e fábricas formigavam os trabalhadores para pegar às oito e a labuta prolongava-se até às cinco. Horas de faina intensa. Armazéns de vinhos e azeites, tanoarias, fábricas de conservas de peixe, enlatados em folha-de-flandres, barricas em salmoira, grandes e pequenas. Havia patrões portugueses, espanhóis, um grego, um alemão e, para a variedade ser maior apareceu certo dia um russo (…)” p. 39

“Certa noite, a Ermelinda quis que eu visitasse o lugar onde vivia, um pequeno casinhoto junto da fábrica. Subimos a escada, onde os degraus rangiam, e penetrei num compartimento de tectos baixos, divididos por tábuas e oleados de barcos de pesca. Malas, caixas, bancos, mesinhas e prateleiras por todo o espaço. Atravessámos um confuso corredor, donde surgiam cabeças de mulher pela abertura dos panos. A algumas a Ermelinda apresentou-me como o “meu namorado”, a outras não foi além da «boa-noite». Logo me avisou, ao chegar ao seu cubículo, que a mãe estava fora, pois havia ido a Peniche. Então, abriu os braços num sorriso e disse-me que era ali que morava. Muito poucas coisas havia sob aquele tecto, que nos parecia esmagar como uma prensa.” P. 74

“O apito das cinco horas soou na La Paloma.” p. 182

“A pouco e pouco, desapareceram do cais os operários da La Paloma e das tanoarias. Uma fragata largou da muralha junto da minha casa com um carregamento de vasilhame. Navegou Tejo adiante com destino a algum navio.” p. 183

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