Revista CONSERVAS - Ano I - 1936 - nº 4 Abril

NA HORA DA SAÍDA

Um organismo, qualquer que seja o seu carácter ou função, tem de exprimir um vivo sentimento colectivo, conexão e senso comuns, porque só assim poderá interpretar fielmente a missão que lhe está adstrita. Respeitados estes preceitos, passam os organismos a desfrutar de um conceito e prestígio invejáveis, em consequência de a sua força e autoridade assentarem no consenso unânime da classe que os instituiu.

Atentar contra a expressa vontade de uma maioria consciente, que acalenta aspirações firmes e previdentes, equivalendo a desafiar o inquebrantável ânimo e o seguro discernimento que a sustenta, é conduta que, mais cedo ou mais tarde, fatalmente provocará o vazio em torno daqueles que assim procedem, tornando a demissão dos dirigentes um epílogo natural e lógico.

Nada dominará ou destruirá esta tendência, porque ela constitui o nervo da essência colectiva.

A vitória do regime corporativo repousa exclusivamente nessa tendência. Reconhecido isto, resta apenas desenvolvê-la e aperfeiçoá-la cada vez mais.

Porém, assim não pensava a gerência do Consórcio que, servindo uma lei desde a primeira hora considerada imperfeita e prejudicial à indústria, nunca deu ouvidos às legítimas reclamações, como tampouco cuidou de averiguar as razões do descontentamento generalizado que lavrava nos centros conserveiros.

Para ela, que sempre viveu isolada dos industriais, o pensamento e as aspirações da classe não podiam ser outros senão os seus, prevalecendo o seu critério mesmo contra opiniões mais fundamentadas.

Porque não abdicamos da inquebrantável fé que inspirou e animou a fundação desta revista, aqui deixamos consignado o que sinceramente pensamos quanto à acção da gerência demissionária, nesta hora da sua saída.

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