Revista CONSERVAS - Ano I - 1936 - nº 2 Fevereiro

DA HORA QUE PASSA…

Está e continua na ordem do dia o problema das organizações económicas, acontecimento que traz as forças vivas do País em franca actividade.

É evidente o desejo de dar a estas organizações a mais justa interpretação e de acompanhar de perto esta importante reforma que o regime corporativo pretende instaurar.

Contudo, a quem tem acompanhado esta profunda remodelação, é dado observar as divergências que se têm provocado entre dirigentes e dirigidos. Dir-se-ia que aquelas são uma resultante destas.

As diferenças de pontos de vista verificadas nas conservas, na moagem, nos vinhos e demais ramos da actividade organizada são o reflexo dessa luta inglória e prejudicial ao interesse de todos, mas que, inexplicavelmente, se mantém e não se procura evitar.

Afigura-se-nos que o principal motivo deste mal-estar reside na forma apressada como se deseja modificar hábitos, sem atender às possibilidades e condições do meio em que se vive.

A alteração de processos que constituem uma herança de longa data tem de efectuar-se com lentidão e persistência, para que resulte eficaz. Toda a precipitação pode ocasionar graves consequências, tal como um tratamento mal orientado pode redundar na morte do doente.

Não basta um Estado Novo. Temos também necessidade de uma escola nova, onde possamos aprender a familiarizar-nos com os recentes processos de organização e direcção. Só assim se poderá estabelecer a confiança mútua e uma melhor compreensão dos deveres.

A desconfiança, nitidamente latente entre dirigentes e dirigidos, mantém activa uma dupla crise.

Urge, portanto, criar uma mentalidade nova e, para já, enquanto as gerações estudantis se preparam e desenvolvem, cumpre aos núcleos económicos organizados espalhar e difundir o sentido da corporação económica, procurando assim estabelecer, através de um contacto íntimo e continuado, a confiança que lhes é necessária e indispensável para poderem produzir obra útil e duradoura.

E isso só se conseguirá com uma intensa e perseverante propaganda, por meio de conferências e palestras a realizar nos respectivos centros de actividade. A não suceder assim, eternizar-se-á o mal-estar a que nos referimos e, em vez da almejada obra útil e próspera, surgirá a inevitável e confrangedora ruína.

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