I.P.C.P. - Correspondência sobre a Marca Nacional no México - 27 Dezembro 1951

Espólio I.P.C.P. – DGRM – Direcção Geral dos Recursos Naturais, Segurança e Serviços Maritímos

PINHAIS & Cª LDA
27 Dezembro 1951

Acabamos de receber do n/ agente do México, Sr. Ramón Morán Valdés, uma carta cujo conteúdo, relacionado com a marca “Nacional”, nos permitimos transcrever, a seguir:

” Informamos a ustedes, que nuestros temores en relación con los registros sanitarios de esta marca, desgraciadamente se han confirmado, pues la Secretaría de Salu bridad procedió en contra de nuestros clientes la Comercial Abarrotera S.A., y Fermín Fernandez, por encontrar que las etiquetas en español, con los registros anotados, no se encontraban en debida orden, por no aparecer en ellas exactamente las mismas indicaciones, que en la etiqueta azul que estamos adjuntando a la presente, y que es la única autorizada para el registro S.S.A. Nº 20717 “A”.

Lo anterior se debió a la denuncia que ante la propia Secretaría de Salubridad y Asistencia, hicieron los señores Pastor y Cia. S.R.L. representantes de la firma Garantia Lda. de Matosinhos, lo que denota muy poco sentido comercial por parte de los señores Pastor, ya que nuestros clientes de referencia, ante la amenaza de que les sería decomisada la mercancía, tuvieron que pagar una fuerte multa, de aproximadamente US$ 400,00.

Es muy conveniente, que ustedes informen sobre este asunto al Instituto Português de Conservas de Peixe, ya que el mismo nos indicó por su conducto que el registro se encontraba en orden para ser aplicado a cualquier remesa de sardinas en la marca Nacional, ya que corresponde a una marca colectiva, y que se consideraba como propiedad del Instituto dicho registro, contra la denuncia de los señores Pastor que alegaron ser ellos los propietarios del mismo.

En vista de lo anterior, tuvimos que gestionar por nuestra parte, rapidamente y a un costo elevado, un nuevo registro para la marca Nacional en cada clase de sardinas, es decir, para aceite y para tomate.

Como ustedes podrán ver por las etiquetas que adjuntamos a la presente, los números de registros que nos han correspondido son los siguientes:

Para sardinas en aceite:  Reg. S.S.A Nº 37139 “A”.

Para sardinas en  tomate:  Reg. S.S.A Nº 37138 “A”.

Al mismo tiempo, y para dejar definitivamente solucionado el asunto de los clientes antes indicados, asi mismo, para evitar nuevas dificultades a la demás clientela que compró a ustedes sardinas en la marca Nacional, nos fué preciso imprimir un suficiente numero de etiquetas ( 100.000 Cien mil ) que fueron adicionadas a cada lata correspondientemente.

Por lo tanto, para futuros embarques de sardinas en la marca Nacional, nos encontramos ya en perfecta orden, pudiendo ustedes aplicar nuestras propias etiquetas, según las muestras adjuntas.

En vista de que lo anterior nos ha originado gastos extraordinarios, quisiéramos conocer la opinion de ustedes al respecto ya que por nuestra parte tampoco hemos tenido ninguna responsabilidad en este asunto, que fué motivado por la deslealtad de los representantes de la firma Garantia, a que antes hacemos referencia. 

Recordamos a V. Exas que na v/ carta de 4-6325 de 11/5/951, nos deram o texto da etiqueta que devíamos empregar, e na carta de V. Exas de 4-7196 de 7/6/951, nos diziam que o numero 20.717 servia para todos os molhos.

Por o Sr. Pastor atribuir-se a propriedade da marca Nacional, contrariamente ao afirmado oportunamente pelo I.P.C.P., os nossos dois clientes tiveram que pagar $ 400,00 de multa, salvando-se sem duvida os outros, por virtude do novo registo a que procedeu o nosso agente.

Nós entendemos que o I.P.C.P devia abonar aos clientes a multa referida, ainda que os outros gastos sejam de nossa conta, e procederem contra o Sr. Pastor se êste fôsse culpável.

Á espera da decisão de V.Sas sôbre o assunto, subs- crevemo-nos com a mais elevada estima e consideração

De V.Exas
Atenciosamente
Pinhais & Cª., Lda
DIRECTOR

O documento mostra um problema de coordenação entre a marca colectiva portuguesa “Nacional” e os registos sanitários mexicanos. Uma denúncia da Garantia/Pastor provocou multa e risco de apreensão das conservas, obrigando a Pinhais e ao seu agente mexicano a obter novos registos e imprimir 100.000 novas etiquetas. A Pinhais responsabiliza parcialmente o I.P.C.P., porque tinha seguido as instruções que o próprio Instituto anteriormente fornecera.

O agente mexicano da Pinhais & C.ª, Ramón Morán Valdés, informa que os problemas com os registos sanitários se confirmaram. A Secretaría de Salubridad actuou contra dois clientes — Comercial Abarrotera S.A. e Fermín Fernandez — porque as etiquetas utilizadas não reproduziam exactamente as indicações da única etiqueta autorizada pelo registo sanitário S.S.A. n.º 20717 “A”. A situação resultou de uma denúncia apresentada por Pastor y Cia. S.R.L., representantes da Garantia Lda., de Matosinhos, que alegavam serem proprietários desse registo.

Perante a ameaça de apreensão da mercadoria, os clientes tiveram de pagar uma multa de aproximadamente US$ 400,00. O agente recorda, porém, que o próprio Instituto Português de Conservas de Peixe (I.P.C.P.) tinha indicado que o registo estava em ordem, podia ser aplicado às remessas de sardinhas da marca Nacional e era considerado propriedade do Instituto, por se tratar de uma marca colectiva.

Para resolver definitivamente o problema, o agente obteve, por sua conta e com custos elevados, novos registos sanitários mexicanos separados: S.S.A. n.º 37139 “A” para sardinhas em azeite e S.S.A. n.º 37138 “A” para sardinhas em tomate. Mandou ainda imprimir 100.000 etiquetas, que passaram a ser aplicadas às latas, permitindo que futuras exportações da marca Nacional fossem feitas sem o mesmo problema.

A Pinhais & C.ª recorda ao I.P.C.P. que este lhe tinha fornecido, em 11/5/951, o texto da etiqueta a utilizar e, em 7/6/951, afirmado que o número 20.717 servia para todos os molhos. Considera, portanto, que os exportadores e clientes actuaram com base nas indicações do Instituto.

A empresa entende que o I.P.C.P. deveria reembolsar aos clientes os $400,00 da multa, ficando os restantes custos a cargo da própria Pinhais, e deveria proceder contra o Sr. Pastor, caso se confirmasse a sua responsabilidade.

 

PINHAIS & Cª LDA
2 Fevereiro 1952

Refª- Marca Nacional

Exmos. Srs.,

Acusamos a recepção da prezada carta de V.Exas de 30 do corrente mês, que muito agradecemos.

Os dizeres mencionados na marca NACIONAL, fôram aquêles indicados por V.Exas na v/ carta de 11 de Maio de 1951 e 7 de Junho do mesmo ano.

Apesar disto, e conforme os dizeres da n/ carta de 27 de Dezembro passado, os clientes tiveram dificuldades na importação das mercadorias com aquela marca, e tiveram que efectuar novos registos, pagando multas no valor aproximado de $400,ºº.

Hoje o n/ agente do México envia-nos a seguinte comunicação, que por acharmos de interesse, transcrevemo-la para conhecimento de V.Exas:

” Es muy conveniente que ustedes recomienden al I.P.C.P. que registre en Mexico su marca Nacional, queremos decir, el registro industrial de esta marca, que es un asunto completamente independiente del registro sanitario. Pues vemos el peligro, de que en vista de estar ampliamente introducida esta marca en nuestro país, puede adjudicarse la misma, cualquier otro fabricante de sardinas del país, o puede tambien algún distribuidor registrarla por su cuenta y reimprimirla en México, para usarla en latas de sardinas importadas, en lata blanca. Todo esto se evitaria, con el registro industrial de la marca Nacional, propiedad colectiva del I.P.C.P. “

Sem mais por hoje, subscrevemo-nos com elevada estima e consideração

De V.Exas
Atenciosamente

Pinhais & C.ª, L.ª
DIRECTOR

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