A Indústria Conserveira em Matosinhos

A Indústria Conserveira em Matosinhos

Autor: José M. Lopes Cordeiro

Título: A Indústria Conserveira em Matosinhos

Exposição de Arqueologia Industrial
Editor: Câmara Municipal de Matosinhos
Edição Julho 1989
Tiragem 1.000 Exp.
Execução Gráfica: Simão Guimarães, Filhos, Lda.
José M. Lopes Cordeiro e Câmara Municipal de Matosinhos
ISBN 972-9141-07-2
N° Depósito legal 27.095/89

2 UMA INDUSTRIALIZAÇÃO TARDIA

2.1. AS PRIMEIRAS INDUSTRIAS

O desenvolvimento industrial do concelho de Matosinhos, ocorrido a partir dos finais do século XIX, possui três características essenciais: ter-se desenvolvido muito tardiamente, apresentar uma distribuição irregular, sofrendo a influência da proximidade de um grande centro urbano, e evidenciar muito precocemente um sector dominante, o da conservação e transformação de peixe, o que se justificava pela abundância da matéria-prima nele utilizada e pela facilidade existente na exportação do produto acabado.

O atraso verificado no arranque industrial do concelho resulta em grande parte do próprio atraso que neste domínio o país apresentava. No entanto, a partir do momento em que se inicia a instalação das primeiras fábricas, verifica-se que este processo se desenvolve num ritmo bastante acelerado, constituindo algumas dessas fábricas, pelo significado da sua produção e pelas suas instalações, empresas de primeiro plano na vida económica nacional.

As fábricas de conservas Lopes, Coelho Dias (1899) e Brandão Gomes (1900), filial da de Espinho, constituíam sem dúvida duas das mais importantes unidades industriais portuguesas daquele sector, facilmente testemunhado pela capacidade, qualidade e diversidade da sua produção, organização empresarial e apetrechamento tecnológico, e ainda, pela sumptuosidade das suas instalações fabris.

Mas não era apenas no sector conserveiro que se constituíram empresas modelares. Também no sector têxtil se assistiu ao surgimento de importantes unidades industriais, com especial destaque para as instalações da Empresa Fabril do Norte (1905), na Senhora da Hora.

Podemos ainda destacar outras unidades industriais, como a Fábrica de Cordoaria Leixões (1920), em Leça da Palmeira, as fábricas de caulino da Senhora da Hora e, também nesta freguesia, a fábrica de moagem da Sociedade Fomento Industrial (1900), a fábrica de correias para tecelagem mecânica Casas & Tomás (1920), e a Fábrica de Penas de Aço (1905), esta última instalada num edifício de interessantes características arquitectónicas.

Apresentavam também um grande interesse arquitectónico as primitivas instalações da Refinaria Angola (1924), na época considerada a mais moderna e melhor apetrechada fábrica do género, e as da Refinaria de Matosinhos (1928).

A arquitectura da primeira destas fábricas constituiu um dos mais significativos exemplos da arquitectura industrial portuguesa do primeiro quartel do século XX. A remodelação verificada na década de sessenta levou à destruição total destas instalações.

Entre as primeiras unidades industriais que se instalaram no concelho, importa referir ainda a Companhia Vinícola Portuguesa (1899), um enorme complexo industrial com 11.000 metros quadrados de área, em relação ao qual Joaquim Leitão escreveu que ‘não é um traçado de arquitectos (que foram os próprios Menéres), é um plano de batalha, com toda a estratégia que a suprema e invencível divisão do trabalho contém.’ Instalada na zona sul de Matosinhos, (foi precisamente a primeira unidade industrial a ocupar aquela zona constituíndo um foco de atracção para futuras indústrias), a Companhia Vinícola Portuguesa revela-nos, na opinião de José Salgado, ‘uma solução fortemente inspirada nos modelos das primeiras explorações agrícolas industrializadas, com um acentuado contraste entre o exterior e o interior.’ Ainda segundo este autor, os ‘grandes cobertos em telha apoiados em pilares e travejamentos de madeira, as altas paredes em pedra, a clara distinção entre os corpos a que correspondiam diferentes funções, tudo sugere uma granja: só que aqui, celeiros, adegas, lagares, etc., estão concentrados, criando um volume compacto que não unitário. A finalidade do edifício talvez seja um elemento decisivo para interpretar esta forma, já que estas instalações não eram fábrica no sentido restrito do termo: funcionavam mais como armazéns onde se procedia à análise química laboratorial, à rotulagem, embalagem e expedição de um produto natural que não era ali totalmente transformado.’

As tinturarias constituíram também um dos primeiros sectores industriais que se desenvolveram em Matosinhos e, um pouco mais tarde, em S. Mamede de Infesta. Em 1884 surge a Tinturaria Portuguesa, de Germano de Paiva & C Lda., cujo edifício existiu até há poucos anos na R. Serpa Pinto, e em 1898, a Tinturaria Luso-Francesa, de Augusto de Paiva, da qual ainda se podem observar as instalações arruinadas na R. Conde do Alto Mearim, um edifício cuja preservação se justificaria plenamente.

A localização geográfica da indústria no concelho de Matosinhos reflecte de uma forma muito nítida a influência da proximidade de um importante centro urbano como já naquela época era a cidade do Porto. Se exceptuarmos as freguesias de Nevogilde, Aldoar e Ramalde, que se integram no concelho do Porto em 1895, e onde já começava a surgir alguma actividade industrial, a industrialização do concelho concentra-se nas freguesias limítrofes da cidade do Porto: Matosinhos (que na época englobava a Senhora da Hora) e S. Mamede de Infesta.

2.1. THE FIRST INDUSTRIES

The industrial development of the municipality of Matosinhos, which took place from the late 19th century onwards, displays three essential characteristics: it developed relatively late; it shows an uneven spatial distribution, influenced by the proximity of a major urban centre; and it very early reveals a dominant sector—that of fish preservation and processing—justified by the abundance of raw material and the ease of exporting the finished product.

The delay in the onset of industrialisation in the municipality is largely explained by the country’s overall lag in this field. However, once the first factories began to be established, the process developed at a relatively rapid pace. Some of these factories, due to the scale of their production and the quality of their facilities, became leading enterprises within the national economy.

The canning factories Lopes, Coelho Dias (1899) and Brandão Gomes (1900), a branch of the Espinho factory, were undoubtedly two of the most important industrial units in this sector in Portugal. This is clearly evidenced by the capacity, quality and diversity of their production, their organisational structure and technological equipment, as well as the scale and ambition of their industrial premises.

Yet it was not only in the canning sector that model enterprises emerged. The textile sector also saw the establishment of important industrial units, most notably the facilities of the Empresa Fabril do Norte (1905), in Senhora da Hora.

Other industrial units can also be highlighted, such as the Fábrica de Cordoaria de Leixões (1920), in Leça da Palmeira; the kaolin factories in Senhora da Hora; and, also in this parish, the milling factory of the Sociedade Fomento Industrial (1900), the belt factory for mechanical weaving Casas & Tomás (1920), and the Fábrica de Penas de Aço (1905), the latter housed in a building of notable architectural interest.

The original facilities of the Refinaria Angola (1924), at the time considered the most modern and best-equipped factory of its kind, as well as those of the Refinaria de Matosinhos (1928), were also of great architectural significance. The architecture of the former constituted one of the most important examples of Portuguese industrial architecture from the first quarter of the 20th century. Its renovation in the 1960s led to the complete destruction of these installations.

Among the first industrial units established in the municipality, it is also important to mention the Companhia Vinícola Portuguesa (1899), a vast industrial complex covering 11,000 square metres. Joaquim Leitão described it as “not a design by architects (the Menéres themselves were responsible), but a battle plan, with all the strategy that the supreme and invincible division of labour contains.” Installed in the southern area of Matosinhos—indeed the first industrial unit to occupy that zone, becoming a focal point for future industries—the Companhia Vinícola Portuguesa reveals, in the opinion of José Salgado, “a solution strongly inspired by models…” of the earliest industrialised agricultural enterprises, marked by a pronounced contrast between exterior and interior.” According to the same author, the “large tiled roofs supported by wooden pillars and beams, the high stone walls, the clear distinction between different sections corresponding to different functions, all suggest a farmstead; except that here granaries, cellars, presses, and so on are concentrated, forming a compact though not unified volume. The purpose of the building may be a decisive element in interpreting this form, since these facilities were not factories in the strict sense of the term: they functioned more as warehouses where laboratory chemical analysis, labelling, packaging and dispatch of a natural product took place, rather than as sites of full transformation.”

Dye works also constituted one of the earliest industrial sectors to develop in Matosinhos and, somewhat later, in São Mamede de Infesta. In 1884, the Tinturaria Portuguesa of Germano de Paiva & C.ª Lda. was established, whose building stood until a few years ago on Rua Serpa Pinto; and in 1898, the Tinturaria Luso-Francesa of Augusto de Paiva, whose ruined facilities can still be seen on Rua Conde do Alto Mearim—an भवन whose preservation would be fully justified.

The geographical location of industry in the municipality of Matosinhos clearly reflects the influence of its proximity to an important urban centre, namely the city of Porto. If we exclude the parishes of Nevogilde, Aldoar and Ramalde—which were incorporated into the municipality of Porto in 1895, and where some industrial activity had already begun—the industrialisation of the municipality was concentrated in the parishes bordering the city of Porto: Matosinhos (which at the time included Senhora da Hora) and São Mamede de Infesta.

Verifica-se, no entanto, que a implantação da indústria no concelho de Matosinhos reflecte também a existência de outros imperativos, como os que se encontram relacionados com a procura dos mais baixos custos de produção. Como já foi referido, a existência próxima de um porto exportador, assim como de abundantes recursos naturais, constituíram as principais causas que justificam a concentração da indústria conserveira na freguesia de Matosinhos.

Já o mesmo não acontece nas freguesias de Senhora da Hora e S. Mamede de Infesta (e o mesmo se verificou em Ramalde, quando ainda integrava o concelho de Matosinhos), que vão conhecer outra especialização industrial, e onde é mais patente a atracção do desenvolvimento industrial e urbano da cidade do Porto. Naqueles dois exemplos, encontramo-nos perante aquilo que alguns autores classificam como localização “induzida’ pelo próprio fenómeno de industrialização e expansão urbanística, neste caso localizado na vizinha cidade do Porto. Entre os condicionalismos aos quais obedece a localização geográfica da indústria encontram-se também a possibilidade de dispor de uma mão-de-obra barata e a abundância de recursos energéticos. Se o primeiro factor não terá tido grande significado, em virtude dos baixos salários que de uma forma geral o operariado usufruía naquela época, já o segundo factor assume alguma importância.

A proximidade do litoral contribuía para que os custos de transporte com o combustível que alimentava as máquinas a vapor — o carvão, na sua maioria importado – fossem quase inexistentes, não dificultando a implantação das unidades industriais. Por outro lado, nos casos em que a energia hidráulica constituía o recurso energético adoptado, ou quando a existência de cursos de água era imprescindível para a laboração das unidades industriais (como se verificava na indústria de curtumes e nas tinturarias), o problema também se encontrava resolvido pois essas unidades tinham a possibilidade de aproveitar os caudais do rio Leça e de alguns dos seus afluentes. É essa a razão pela qual a indústria de curtumes se vai implantar fundamentalmente nas freguesias de S. Mamede de Infesta e Leça do Balio.

A concentração da indústria nas freguesias limítrofes do Porto provocou uma divisão do concelho no que respeita à sua antiga homogeneidade económica, permanecendo nas freguesias situadas mais a noroeste as actividades tradicionais ligadas à pesca e à agricultura, característica que ainda hoje em boa parte se mantém, e concentrando-se na parte sul do concelho as principais zonas industriais.

2.2. O PREDOMÍNIO DA INDÚSTRIA CONSERVEIRA

Antes da moderna indústria conserveira se ter implantado em Matosinhos já esta actividade se exercia com base nos armazéns de salga, alguns dos quais existiam desde o começo da década de 1880. Além da abundância da matéria-prima, o pescado, um outro factor favovereu o aparecimento desta indústria: o sal. Quer na salga do peixe, quer na preparação de salmouras, o seu emprego é fundamental, e Matosinhos beneficiava do facto de a exploração de salinas ser uma actividade comum no concelho, ainda antes da fundação da nacionalidade.

Até ao final da I Guerra Mundial a moderna indústria conserveira em Matosinhos estava práticamente reduzida a duas unidades. Se bem que importantes, a Lopes, Coelho Dias (1899) e a Brandão Gomes (1903) eram as únicas fábricas conserveiras modernas então existentes. Esta primeira geração de fabricas, se assim a podemos classificar, apresentava uma característica particular, que não vai surgir em nenhuma das unidades que se vão constituir futuramente. A sua actividade produtiva não se limitava ao fabrico de conservas de sardinha, fabricando uma enorme variedade de conservas, como conservas de carne, de uma enorme variedade de vegetais, assim como de todo o tipo de peixes. Produziam também molhos variados, picles, e comercializavam azeite, vinagre e ainda outros produtos. Esta capacidade e diversidade produtiva (que era também apresentada ao público com grande qualidade e esmero) irá ser em breve abandonada. As dificuldades provocadas pela concorrência no comércio de exportação, o aumento dos custos de produção, e uma lenta resposta do mercado nacional, obrigaram a uma especialização da produção na conserva de peixe, especialmente das espécies mais abundantes.

Deste modo, as unidades industriais que surgem no pós-guerra vão dedicar-se exclusivamente ao fabrico da conserva de peixe, o mesmo acontecendo às duas fábricas já existentes, uma das quais (Brandão Gomes) irá encerrar alguns anos mais tarde.

Os edifícios destas primeiras fábricas de conservas apresentavam também características interessantes. Por um lado, um aspecto fechado e volumétrico, delimitando muito rigorosamente o espaço de produção. Tudo o que se passa no interior da fábrica é agora vedado aos olhos do público, criando-se um espaço de laboração específico. Reside aqui precisamente uma característica da arquitectura que surge com a Revolução Industrial, com a definição de um espaço fechado e especialisado, do qual estão excluídas todas as actividades que não estejam própriamente ligadas à produção. A sua relação com o espaço urbano reduz-se a um simples muro que delimita o espaço de produção, ou a uma fachada por vezes decorativa que não só não nos fornece nenhum elemento sobre o que se passa no seu interior, como por vezes desempenha um papel de dissimulação dessa actividade. Era o que, até certo ponto, se verificava com a fachada principal da Brandão Gomes, a qual apresentava um elegante pavilhão em forma de castelo manuelino, rematando por uma cúpula que, nas intenções dos proprietários, estava destinada a ser iluminada por um grande foco eléctrico. Outra característica, que vai ser retomada de uma forma sistemática praticamente em todos os edifícios fabris que vão ocupar a zona sul de Matosinhos, reside na feição urbana destas instalações, projectadas em extensão, geralmente de um só piso na zona de fabrico (e dois ou três pisos na zona dos escritórios), e ocupando por vezes quarteirões inteiros.

É também nestas fábricas que vão ser experimentadas as primeiras medidas de mecanização da produção. O trabalho manual dos soldadores vai passar a ser progressivamente efectuado por máquinas semi-automáticas, as soldadeiras (e cravadeiras), provocando uma natural reação por parte daqueles, que assim se viam substituídos na realização das suas tarefas. A exemplo do que tinha sucedido em Setúbal, onde as primeiras máquinas foram introduzidas em 1905, também em Matosinhos surge uma reação corporativa por parte da classe dos soldadores. Apesar de não existirem muitos elementos sobre este tipo de acontecimentos, pela análise da imprensa operária de Setúbal conseguem-se obter algumas indicações.

Vasco Pulido Valente refere, a propósito das greves realizadas no final do ano de 1911, em solidariedade com os soldadores de Setúbal ameaçados de despedimento pela introdução de máquinas de soldar, que os delegados enviados a Matosinhos foram ‘entusiásticamente recebidos’, registando-se calorosas adesões.

It is, however, evident that the establishment of industry in the municipality of Matosinhos also reflects the existence of other imperatives, such as those related to the pursuit of lower production costs. As previously noted, the proximity of an export port, together with the abundance of natural resources, were the main factors explaining the concentration of the canning industry in the parish of Matosinhos.

This was not the case in the parishes of Senhora da Hora and São Mamede de Infesta (and likewise in Ramalde, when it was still part of the municipality of Matosinhos), which developed a different industrial specialisation and where the attraction of the industrial and urban expansion of the city of Porto is more evident. In these two examples, we are faced with what some authors describe as a location “induced” by the very process of industrialisation and urban growth, in this case centred in the neighbouring city of Porto. Among the factors influencing the geographical location of industry were also the availability of cheap labour and the abundance of energy resources. While the first factor was of limited importance, given the generally low wages of the working class at the time, the second assumed greater significance.

The proximity to the coast meant that transport costs for the fuel that powered steam engines—coal, mostly imported—were almost negligible, thus facilitating the establishment of industrial units. Moreover, in cases where hydraulic energy was used, or where the presence of watercourses was essential for industrial activity (as in the tanning and dyeing industries), the problem was likewise resolved, since these units could draw on the flow of the River Leça and some of its tributaries. This explains why the tanning industry was mainly established in the parishes of São Mamede de Infesta and Leça do Balio.

The concentration of industry in the parishes bordering Porto led to a division within the municipality in terms of its former economic homogeneity. In the north-western parishes, traditional activities linked to fishing and agriculture persisted—a characteristic that largely remains to this day—while the main industrial zones became concentrated in the southern part of the municipality.

2.2. THE PREDOMINANCE OF THE CANNING INDUSTRY

Before the modern canning industry was established in Matosinhos, this activity already existed in the form of salting warehouses, some of which dated back to the early 1880s. In addition to the abundance of raw material—fish—another factor favoured the emergence of this industry: salt. Whether in fish salting or in the preparation of brines, its use was essential, and Matosinhos benefited from the fact that salt production had been a common activity in the municipality even before the foundation of the Portuguese nation.

Until the end of the First World War, the modern canning industry in Matosinhos was practically limited to two units. Although significant, Lopes, Coelho Dias (1899) and Brandão Gomes (1903) were the only modern canning factories in operation. This first generation of factories, if we may call it such, displayed a particular characteristic that would not appear in later units: their production was not limited to sardine canning, but included a wide variety of products, such as preserved meats, a broad range of vegetables, and different types of fish. They also produced various sauces and pickles, and marketed olive oil, vinegar, and other goods. This productive capacity and diversity—also reflected in the high quality and care with which these products were presented to the public—would soon be abandoned. Difficulties arising from competition in export markets, rising production costs, and a slow response from the domestic market led to a specialisation in fish canning, particularly of the most abundant species.

Thus, the industrial units established in the post-war period would devote themselves exclusively to fish canning, as would the two existing factories, one of which (Brandão Gomes) would close a few years later.

The buildings of these early canning factories also displayed notable characteristics. On the one hand, they had a closed and volumetric appearance, strictly defining the production space. Everything taking place inside the factory was now concealed from public view, creating a specific and controlled space of production. This reflects a key feature of architecture associated with the Industrial Revolution: the definition of a closed and specialised space, from which all activities not directly related to production were excluded. Their relationship with the urban environment was reduced to a simple wall enclosing the production area, or to a sometimes decorative façade that revealed nothing of what occurred inside and, at times, even served to conceal it. This was, to some extent, the case with the main façade of Brandão Gomes, which featured an elegant pavilion in the form of a Manueline-style castle, topped by a dome that the owners intended to illuminate with a large electric spotlight.

Another characteristic—systematically adopted in almost all industrial buildings that would later occupy the southern area of Matosinhos—was their urban layout: elongated structures, generally single-storey in the production areas (and two or three storeys in the office sections), sometimes occupying entire blocks.

It was also in these factories that the first measures of mechanisation were introduced. The manual work of solderers was progressively replaced by semi-automatic machines—soldering and seaming machines—prompting a natural reaction from workers who saw themselves displaced. As had occurred in Setúbal, where the first machines were introduced in 1905, a corporate reaction also emerged in Matosinhos among the solderers. Although there is limited information on such events, some insights can be drawn from the workers’ press in Setúbal.

Vasco Pulido Valente notes, with regard to the strikes held at the end of 1911 in solidarity with the solderers of Setúbal threatened with dismissal due to the introduction of machinery, that the delegates sent to Matosinhos were “enthusiastically received,” with strong expressions of support.

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