Estanhação de Grelhas

Engenheiro Carlos d'Aboim Inglez

TÍTULO: Estanhação de Grelhas

SUB TÍTULO: 

AUTOR: Engenheiro Carlos d’Aboim Inglez

DATA 1ª EDIÇÃO: Lisboa Maio 1936 – Portugal

EDITORA: Consórcio Portuguez das Conservas de Peixe

IMPRESSO POR: Composto e Impresso na Sociedade Nacional de Tipografia – Rua do Século, 59 – Lisboa

DESCRIÇÃO: 

OWNER: acervo arquivístico da ex-DGPA

CREDIT: 

IMAGES: conservasdeportugal.com

CARLOS D ABOIM INGLEZ autor

 

CONSÓRCIO PORTUGUEZ
DAS CONSERVAS DE PEIXE

ESTANHAÇÃO
DE GRELHAS

ENGENHEIRO CARLOS D’ABOIM INGLEZ

LISBOA
MAIO – 1936

 

ESTANHAÇÃO DE GRELHAS

Em vesperas de principiar os fabricos destinados à América do Norte, parece-nos vantajoso lembrar as normas que deverão seguir-se na estanhação das grelhas.

Ninguém já hoje duvida que as grelhas de liga em que entre chumbo, constituem o mais grave factor de inquinamento da conserva.

Não acreditamos pois, que haja fábrica que decididamente deseje trabalhar para aquele mercado e que empregue ainda grelhas que não sejam novas e estanhadas a estanho puro.

Grelhas que já tenham sido recobertas de liga de chumbo, mesmo depois de serem sujeitas a várias estanhações com estanho puro, continuam a ter chumbo, isto é, não oferecem confiança para os fabricos referidos.

Para tirar duma grelha antiga todo o chumbo que contem em termos de depois poder ser recoberta a estanho puro, não há processo suficientemente experimentado que seja simultaneamente eficaz e económico.

Compreende-se que não há o menor interêsse em efectuar esta operação gastando quási o valor de uma grelha nova de ferro.

Também não me parece que se devam aconselhar processos pelos quais, ao arrancar o revestimento que contem o chumbo, se corra o risco de corroer o arame de ferro de tal forma que a grelha resulte enfraquecida e em muitos casos inutilizada.

As grelhas que alguma vez foram estanhadas com liga de chumbo melhoram extraordináriamente com sucessivas estanhações a estanho puro, mas, a-pesar-disso, terão que ser completamente afastadas dos fabricos para a América.

Em fábrica que trabalhe para êste mercado não devem existir senão grelhas novas estanhadas a estanho puro.

Havendo simultaneamente de umas e de outras, nada mais fácil que misturar com as grelhas de estanho algumas das que têm chumbo.

As sardinhas vindas de uma só destas ultimas grelhas, bem carregadas de chumbo, são suficientes para inquinar várias latas.

Tendo presente que as amostras são tiradas ao acaso, é fácil ver que por uma simples lata se pode prejudicar um lote, risco êste que deve sempre estar presente no espírito dos srs. industriais.

O problema pois, cifra-se em empregar exclusivamente grelhas novas estanhadas a estanho puro, e em não ter ao mesmo tempo em serviço dentro da mesma fábrica, grelhas que tenham chumbo.

É simples a operação da estanhação, mas para que resulte perfeita é necessário proceder cuidadosamente segundo as normas que adiante se indicam.

O Industrial que empregar grelhas novas de arame de ferro — que é sabido não contem chumbo — estanhadas exclusivamente com os estanhos puros do comércio, nos quais a percentagem de chumbo raramente atinge 1 %, pode estar seguro de que as suas grelhas lhe não inquinam o peixe.

Mas a operação da estanhação, como de resto tôdas as operações do fabrico, deve ser efectuadas com a maior economia.

Isto é, o Industrial tem interêsse não só em poupar o estanho como em obter uma estanhação perfeita e duradoura.

Numa grelha bem estanhada o arame apresenta-se recoberto de uma película de estanho dura, brilhante e bem uniforme e aderente.

Quando a película se mostra irregular, baça e pouco soldada ao arame é sinal que se trabalhou com o metal pouco quente ou que não se tomou a precaução de afastar cuidadosamente da superfície do estanho fundido as escórias e oxidos que sobrenadam, no momento de retirar a grelha já estanhada.

Se se apresenta com pontos ou zonas com o ferro por recobrir é, em geral, indício duma decapagem mal feita, isto é, ou foi insuficiente o desenferrujamento no ácido cloridrico, ou o banho de cloreto de zinco não estava nas devidas condições.

Se o estanho se acumula demasiadamente sôbre o arame, ou o estanho estava pouco quente ou a grelha ao sair do banho do metal fundido não foi bem batida para expulsar o estanho em excesso.

Se a grelha toma uma côr amarelada deve ter-se trabalhado a temperatura excessiva.

Estes são os êrros que mais vulgarmente se praticam na estanhação das grelhas.

A grelha mal estanhada, rugosa e sem brilho, significa para o Industrial um prejuíso certo, visto que, a aderência da película de estanhação é sempre nêstes casos precária, sendo em geral fácil arrancar com a própria unha, escamasitas do metal.

Compreende-se a pouca resistência que uma estanhação destas opõe ao trabalho mais ou menos violento a que a grelha é sujeita durante a fabricação, o que significa pràticamente uma menor duração, a necessidade de mais cêdo se voltar a estanhar e consequentemente uma maior despeza de estanho, ou seja singelamente um prejuíso.

Parece-nos pois que os srs. Industriais têm grande vantagem em vigiar os seus serviços de estanhação em termos de só trabalharem com grelhas bem estanhadas.

O Laboratório do Consórcio, durante a sua missão em Portimão (Junho a Setembro de 1935), teve oportunidade de estudar detalhadamente êste problema da estanhação das grelhas.

Sôbre pequenas amostras de arame de ferro foram feitas dezenas de experiências sistemáticas empregando numerosos decapantes, possíveis sucedaneos do cloreto de zinco e nas mais variadas condições de duração e temperatura.

Estas experiências levaram-me a optar por determinado processo que me satisfaz, não só sob o ponto de vista do resultado como também da economia e da simplicidade.

Em estanhações ainda experimentais mas já com grelhas inteiras afinámos a técnica do trabalho, que foi depois seguida por vários srs. Industriais em grandes estanhações de muitos milhares de grelhas, sempre com pleno sucesso.

A operação da estanhação deve ser feita sob um telheiro, ao ar livre, em local bem arejado e distante de tôdas as operações da fabricação do cheio.

No trabalho da estanhação podemos considerar as seguintes operações principais:

1.º) Preparação do banho de estanho fundido, sua limpeza e contrôle de temperatura.

2.º) Banho de ácido para desenferrujamento.

3.º) Lavagem em agua dôce.

4.º) Banho decapante de cloreto de zinco. Sua preparação.

5.º) Estanhação própriamente dita.

1.º) BANHO DE ESTANHO FUNDIDO

O estanho em lingotes é fundido numa bacia rectangular de ferro que deve ter de comprimento e largura mais uns 10 cm. que a grelha, para que ela possa ser bem movimentada.

A altura do banho de estanho deve ser, pelo menos, 3 a 4 cm. superior à da grelha.

O aquecimento é feito a fogo directo.

A questão da temperatura do estanho é muito importante e para o seu estabelecimento rigoroso, procedemos a numerosos ensaios que indicaram que para o estanho puro, ela deve oscilar entre 270 e 280 graus.

O operário prático na estanhação avalia a temperatura simplesmente pelo aspecto do banho, mas esta avaliação é sempre inexacta e daqui resultam muitos dos insucessos.

Existem já hoje nalgumas fábricas termómetros de quadrante, muito práticos no uso e de preço bastante acessível (300 a 400 escudos), cuja aquisição insistentemente aconselhamos a todos os srs. Industriais.

É enorme a vantagem que resulta de controlar devidamente a temperatura da estanhação.

Traduz-se esta vantagem em menor gasto de estanho, menor produção de óxidos residuais, economia de mão de obra e de combustível, maior regularidade do trabalho e principalmente obtenção de grelhas bem estanhadas, que resistem muito mais tempo, sem necessidade de nova estanhação.

Num trabalho de alguns centos de grelhas, economiza-se mais que o custo do termómetro, que pode durar muitos anos.

O operário estanhador, que muitas vezes trabalha de empreitada, ràpidamente se convence das vantagens de se deixar guiar pelas indicações do termómetro, cujo ponteiro com grande facilidade se consegue manter entre 270 e 280 graus, para o que basta activar ou abrandar o fogo, conforme a temperatura mostre tendência para baixar ou subir.

Findo o trabalho o termómetro desarticula-se do seu suporte, retira-se do banho e guarda-se em sítio seguro, mas é conveniente de tempos a tempos mandá-lo aferir para se poder ter plena confiança nos números que indicar.

Por cima do banho de estanho, sobrenadam as escórias e óxidos que são de tempos a tempos retirados com uma escumadeira, quando atinjam volume excessivo.

Mas não se devem tirar completamente, visto que protegem de certo modo o estanho fundido do contacto com o ar que o oxida.

É, porém, indispensável que á película de estanhação que recobre o arame da grelha não fiquem aderentes pequenas partículas daquelas escórias e óxidos.

Para isso o ajudante do estanhador dispõe duma peça que pode ser de madeira com a qual afasta para um dos lados da bacia tôdas as escórias que sobrenadam, de forma á superfície do banho se apresentar perfeitamente espelhenta tanto á entrada como à saída da grelha.

Não há vantagem em que a grelha esteja mergulhada no banho de estanhação mais de 30 segundos.

Isto é claro, para o caso corrente das grelhas novas estanhadas a estanho puro, e trabalhando-se à temperatura indicada.

É tam importante êste problema da verificação da temperatura que o Consórcio vai imediatamente adquirir termómetros para todos os Centros Conserveiros, para uso dos srs. Industriais, que os utilizarão por empréstimo.

2.º) BANHO DE ÁCIDO PARA DESENFERRUJAMENTO

O arame de ferro de que são feitas as grelhas apresenta-se sempre mais ou menos coberto de ferrugem, que é indispensável tirar sem o quê, o estanho não adere.

Para isso são as grelhas mergulhadas num banho de ácido clorídrico (vulgarmente chamado ácido muriático).

Em muitas fábricas usam ainda fazer êste banho em tanques de madeira forrados de chapa de chumbo.

São absolutamente de condenar êstes tanques, sendo indispensavel que os srs. Industriais os ponham imediatamente de parte.

O chumbo é um metal brando que sem dificuldade se risca com a unha; o ferro da grelha bastante mais duro, raspando sôbre o fôrro dos tanques fàcilmente arrasta agarrado a si partículas de chumbo, que podem muito bem vir a aparecer na grelha, depois de estanhada.

Além disso o ácido clorídrico, à concentração com que se usa, ataca sensivelmente o chumbo, dissolvendo-o, donde resulta também por esta via vir o chumbo à grelha.

Na impossibilidade de empregar, por serem caros, tanques de grés ou forrados de lava de Volvic, insensiveis ao ácido clorídrico, aconselhamos o emprêgo exclusivo de tanques de madeira, bem calafetados.

Com uma simples pipa de madeira bem vedada e com os áros bem apertados, serrada ao meio obtêm-se duas óptimas dornas que satisfazem completamente.

É certo que o ácido ataca a madeira, mas é um ataque suficientemente atenuado para que se possa sem receio, levar ao fim uma campanha de estanhação, mesmo que dure algumas semanas.

Para o nosso caso as melhores pipas são as que serviram a óleo, principalmente as que vêm das nossas colónias com óleo de palma (embalagem de 800 a 1:000 kgs), visto que por estarem bem impregnadas de gordura opõe grande dificuldade á penetração do ácido.

Tais pipas são fáceis de adquirir baratas nas fábricas de sabão.

Sabemos de alguns srs. Industriais conserveiros que já levam feitas 3 campanhas de estanhação com as mesmas dornas.

Acabado o serviço, compreende-se que há tôda a vantagem em as limpar bem do ácido, lavando-as com sucessivas aguas.

O ácido clorídrico do mercado é lançado na dorna respectiva até uma altura um pouco superior à duma grelha colocada em pé.

Desta forma e nesta posição podem ao mesmo tempo ser colocadas na dorna várias grelhas a desenferrujar, operação esta que dura dois a quatro minutos, mas que se dá por concluída logo que o arame se mostre limpo, sem ferrugem.

Em boa marcha de trabalho, quando se tira uma grelha desenferrujada, mergulha-se outra para limpar e esta fica assim ocupando o último lugar na ordem da saída.

3.º) LAVAGEM EM AGUA DOCE

As grelhas saídas do banho ácido, são sacudidas e vão sendo lavadas com agua dôce. Esta lavagem deve ser feita metódicamente, por mergulho sucessivo de cada grelha em duas ou três dornas com agua, que se renova com frequência.

Nas experiências feitas, verificou-se a grande vantagem desta lavagem, que habitualmente não se faz.

As grelhas uma vez lavadas do ácido, não devem ficar expostas ao ar, mas sim transitar imediatamente para a operação seguinte:

4.º) BANHO DECAPANTE DE CLORETO DE ZINCO

As grelhas sem ferrugem e bem lavadas do excesso do ácido, são mergulhadas breves momentos no banho de cloreto de zinco, a que vulgarmente chamam, banho do «ácido fraco».

Para preparar devidamente êste banho, recomendamos proceder da forma seguinte:

Numa dorna de madeira deita-se o ácido clorídrico do comercio, amarelo, em quantidade suficiente para cobrir várias grelhas.

Junta-se-lhe zinco de boa qualidade, em lingotes ou em folhas em quantidade suficiente e espera-se algumas horas que o desenvolvimento gazoso termine, agitando o banho de vez em quando, para afastar de sôbre o metal as lamas que recobrindo-o o isolam da acção do ácido.

Esta preparação deve fazer-se ao ar livre, longe do fogo e em lugar bem ventilado, porque o gaz das bolhas que vêm ao de cima é hidrogénio, que com a proximidade duma chama pode dar lugar a uma explosão.

O ácido vai comendo o zinco, vai-se neutralizando, vai-se transformando em cloreto de zinco.

Quando já não haja ácido livre, isto é, quando o zinco que ainda sobra deixe de ser atacado, o que se verifica por terem deixado de se formar as bôlhas gazosas, agita-se vigorosamente o banho andando de roda com um forte pau ou espátula de madeira, e abandona-se em repouso até ao dia seguinte, sendo indispensável ficar ainda dentro algum zinco por dissolver.

Por sedimentação acumula-se no fundo da dorna uma lama escura formada pelas impurezas metálicas do zinco comercial, incluindo o chumbo, se porventura algum existir nos lingotes e no ácido.

Sobrenadando o banho, forma-se uma espuma acastanhada persistente de sujidade, que se tira cuidadosamente com uma colher ou escumadeira de folha ou de ferro.

O líquido perfeitamente limpo e isento de chumbo passa-se depois para outra dorna no fundo da qual se coloca um bocado de zinco, que nela se mantém durante o serviço.

As grelhas bem molhadas neste banho decapante, vão sendo retiradas directamente para o banho de estanho. Acabado o serviço, a solução de cloreto de zinco que sobrar, pode guardar-se em garrafões para ulterior emprêgo.

Da cuidadosa preparação dêste banho de cloreto de zinco, depende muito o êxito da estanhação.

Insistimos em que é principalmente indispensavel que o banho não esteja ácido, isto é, que não se produzam bolhas gazosas com o zinco enquanto se trabalha.

É bom ter sempre presente que os dois principais inconvenientes de se trabalhar com um banho decapante de cloreto de zinco, que tenha ácido livre são os seguintes:

1.º — No banho neutro, que aconselhamos, com zinco em excesso, o pouco chumbo que houver insolubiliza-se e deposita-se no fundo, donde resulta o poder-se trabalhar com um líquido limpido, isento de chumbo, mesmo quando haja algum, no zinco ou no ácido empregado.

2.º — As propriedades decapantes do cloreto de zinco, são muito diminuidas quando a solução está ácida.

Os srs. Industriais que o prefiram, poderão adquirir no comércio o cloreto de zinco em cristais e dissolvê-lo simplesmente em agua, evitando assim a sua preparação com o ácido e o zinco metálico.

Contudo, mesmo neste caso, devem ter mergulhado no banho um bocado de zinco durante o serviço de decapagem.

5.º ESTANHAÇÃO PRÓPRIAMENTE DITA

Quando se vai iniciar uma estanhação deve ter-se a caldeira de fusão perfeitamente limpa, sem vestígios do metal das operações anteriores.

Os srs. Industriais, deverão usar sempre estanho com, pelo menos, 99 % de estanho puro.

Havendo para tratar grelhas novas que nunca foram estanhadas e grelhas antigas ainda com chumbo, estas últimas serão trabalhadas no fim das grelhas novas e o estanho que fica na caldeira, que durante o serviço se carregou mais ou menos de chumbo das grelhas, em caso algum se poderá voltar a usar para recobrir grelhas novas.

Para metódicamente se proceder a uma estanhação de grelhas, deverão empregar-se três homens: um estanhador, um ajudante e um servente.

Junto da caldeira de fusão colocam-se as várias celhas: uma com o ácido clorídrico para o desenferrujamento, duas ou três com a agua dôce para a lavagem e a última com o soluto decapante limpido do cloreto de zinco, preparado como se indicou.

O servente encarrega-se de trazer as grelhas novas para estanhação e vai recolhendo oleando e pondo a escorrer as grelhas já estanhadas.

O estanhador com o seu pequeno garfo de ferro toma uma grelha vinda do decapante.

O ajudante afasta cautelosamente as escórias de forma ao estanhador introduzir a grelha com o banho perfeitamente espelhento.

Durante o tempo que a grelha está mergulhada no estanho derretido (sensivelmente meio minuto), o estanhador com o garfo e um pequeno rôdo agita-a continuamente e só a tira depois do ajudante ter de novo limpo a superfície do metal.

Ao retirar a grelha estanhada, o estanhador sacode-a um pouco sôbre a própria bacia de estanhação, e ainda com o auxílio do garfo de ferro pucha a grelha ràpidamente, e com fôrça, bate com ela de encontro a um tapume de madeira vertical que tem colocado por detrás de si.

Com 3 ou 4 pancadas fortes a grelha solta todo o estanho em excesso que traz da caldeira.

Havendo o cuidado de ter colocado umas tábuas no chão, encostadas ao tapume vertical, todo o estanho que se desprende das grelhas vai-se acumulando limpo e volta á caldeira.

Tanto o tapume como as tábuas do chão devem manter-se molhadas, para que o estanho se desprenda com facilidade.

As grelhas estanhadas vão sendo mergulhadas num tanque com bastante agua, tendo em cima uma camada de azeite ou óleo que deve ser isento de chumbo.

Este azeitamento das grelhas, protege-as e tem principalmente a vantagem de dificultar que o peixe venha colado à grelha depois da cozedura e secagem.

Não quero deixar de focar uma importante vantagem higiénica da técnica que aconselhamos.

Até aqui, o soluto de cloreto de zinco era empregado com muito ácido livre, donde resultava a libertação de gaz clorídrico muito sufocante no momento das grelhas entrarem no estanho derretido.

Os estanhadores sofriam imenso, tossiam continuamente, havendo casos averiguados de chegarem a escarrar sangue.

Procedendo como indicamos a salubridade da operação melhora muitíssimo pois quasi se não liberta ácido gazoso.

É fácil prever que neste caso — como de resto em todos aqueles em que se consegue melhoria nas condições de salubridade do trabalho — haverá vantagens notáveis para o trabalhador e para o industrial.

O primeiro não arrasa os pulmões, e o segundo certamente constatará, uma elevação sensível na produção horária do serviço.

Parece-nos que os srs. Industriais que na estanhação das suas grelhas seguirem as indicações que acabamos de dar, poderão ter a certeza de trabalhar com a maior economia e com o melhor resultado.

Lisboa, 18 de Maio de 1936.

ENG.º CARLOS D’ABOIM INGLEZ

1936

Comp. e Imp. na Soc. Nac. de Tipografia
Rua do Século, 59
Lisboa

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