Revista CONSERVAS - Ano II - 1937 - nº 22 Outubro
ALERTA ESTÁ!
COMENTÁRIOS INGÉNUOS
A carta do Snr. Presidente do Grémio dos Exportadores de Conservas diz-nos que não há motivo para o nosso «Grito de Alarme»; diz-nos ainda que na próxima Assembleia tratarão dos preços mínimos, e reconhece a mesma carta que as infracções do preço mínimo continuam a praticar-se desassombradamente, considerando improfícuas todas as medidas que se tomem.
Quando se reconhece que o delito já é praticado, oportuno seria levar ao I. P. C. P. uma lista de delinquentes e exigir-lhe a aplicação rigorosa da lei, ou ajudar o I. P. C. P. a fortalecer a sua acção directa procurando impedir que o preço mínimo seja desvirtuado.
A «Voz de Alarme» foi oportuníssima. Dá ao I. P. C. P. o direito de tomar medidas rigorosas para que se cumpram as suas ordens; obriga-o a impor respeito pelas suas instruções com castigos exemplares de dóa a quem doer.
Na sua próxima Assembleia os exportadores vão tratar do preço mínimo, procurando conseguir a sua abolição. Melhor fora que nessa Assembleia, levando as mãos ao coração antes de as levar à cabeça, fizessem exame de consciência e, convictos de suas numerosas faltas, condescendessem na emenda.
A nossa Revista procura ser o veículo do clamor geral de todos os centros bem que, por meras razões de residência, esteja mais em contacto com o do Norte. Os nossos comentários são ingénuos porque todos sabemos quem são os delinquentes e quem pretende desorganizar o que está organizado; todos nós os conhecemos a ponto de podermos dizer: são A B C, etc., os que, por meio de «retorno», nos impedem a nós, fiéis cumpridores do dever, de colocarmos as nossas mercadorias. Tão escandaloso e repetido é o facto delituoso, que os nomes dançam nos mercados e se fala deste exportador e daquele fabricante com toda a franqueza e descaro.
O Grémio dos Exportadores procederá mal discutindo a eliminação do preço mínimo, e procederá bem, merecendo o nosso aplauso, se se ocupar de esclarecer quem são os infractores, estejam eles no seu seio ou no dos produtores. Esta seria uma obra meritória, digna, contribuindo para levantar o véu que nos ofusca.
O que todos devíamos procurar, para bem de todos, era promover o maior prestígio do I. P. C. P. Nestas coisas de interesse comum, o que é preciso é chegar ao puro e simples acto de disciplina que consiste em não prevaricar, em respeitar, em cumprir o que está disposto para bem da colectividade, e em não escarnecer do corporativismo que conseguiu organizar-nos para proveito nosso. Numa palavra, basta que se seja comerciante digno de tal título.
O exportador deve procurar o seu lucro dentro dos limites legais e não coagir o produtor com ofertas à margem do que é consentido. Esta é uma afirmação e não um comentário.
A ruína dos industriais deve ser causada por motivos justificados e nunca deve ser provocada por aqueles que compram as suas mercadorias — nas anarquias ninguém tem a sua fortuna segura.
A baixa imediata de um produto há-de corresponder a factos evidentes na economia e finança, e não ao revolto mar da especulação viciada pela indisciplina e pelo desdém.
A voz da consciência fará sem dúvida bom serviço em todas as reuniões, porque o que há que corrigir não é senão a imoralidade comercial. O comércio é uma coisa séria, de homens conscientes, e não de ciganos.
¿Como é que se consegue evitar a desordem que certos comerciantes produzem nos mercados?
Muito simplesmente: aplicando a lei.
Praticando pura justiça.
Incorporando no I. P. C. P. um corpo policial que actue sem morosidade.
Participando todos ao I. P. C. P. onde estão e quem são os delinquentes, e exigindo do organismo director só justiça, não mais que justiça, mas justiça pura sem pusilanimidades.
O preço mínimo é considerado como um minimum prudencial de lucro para o que produz. A liberdade de preço é o primeiro passo para a hecatombe.
A nossa campanha irá tão longe como queiram os infractores.
Queremos servir o interesse colectivo, a organização e a ordem.
Principiamos pois neste número.
O nosso Alerta Está! não pode ser mais claro.