Revista CONSERVAS - Ano I - 1936 - nº 6 Junho

Mãos à Obra

É preciso que se não alimentem ilusões acerca da organização externa de C.P.C.P., como conveniente é que se saiba também que, neste capítulo, nada se fez porque nada existe praticamente realizado.

Abordando este tema, pretendemos mais uma vez afirmar que uma das missões a desempenhar pelo organismo máximo das conservas, considerada de capital importância, é indubitavelmente a que corresponde à sua acção externa.

As surpresas de carácter internacional que, dia a dia, se sucedem e a evolução constante do sistema de transaccionar os produtos de exportação, são motivos bastantes para demonstrar quão indispensável é uma organização externa que zele e defenda acrisoladamente os interesses da indústria de conservas.

Impõe-se quanto a nós — que as exportações sejam controladas em relação às possibilidades de compra efectiva dos mercados e, bem assim, que sejam estudados os fenómenos que ocasionam a falta de vendas em certos centros de consumo. Não há razão que explique o despropósito de se embarcar para França, por exemplo, quantidade de mercadoria superior ao contingente estabelecido. Não se compreende também que as transacções de mutualidade com a Alemanha estejam sendo realizadas ao livre sabor de cada qual, porquanto tal critério aproveita a um reduzido número de exportadores com manifesto prejuízo da maioria.

Não se procura, finalmente, com convicção e firmeza debelar o mal que atinge alguns dos principais mercados, onde a maior parte da venda das conservas é efectuada com sensíveis diferenças em detrimento do preço mínimo.

A crise é externa e só externa, já aqui o consignámos e voltamos hoje a repeti-lo.

Urge, portanto, encará-la serenamente, segui-la de perto e estudá-la com reflexão para, depois de seguramente averiguados os fenómenos causadores da intranquilidade e da desorganização que lavra e ameaçadoramente se desenvolve, se estabelecer um plano geral de medidas eficazes susceptíveis de evolução e, consequentemente, de modificação, todas as vezes que a intransigente defesa do património conserveiro o aconselhe.

A situação não se compadece de mais delongas, e não é refastelado na confortável cadeira duma secretaria que se observam os acidentes que agitam e preocupam a indústria conserveira.

A missão dos dirigentes tem de exercer-se em moldes práticos para que resulte útil.

Por isso e porque a transcendência destes problemas o impõe, é que a quem compete solicitamos esta coisa: Mãos à obra.

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