Catálogo Real Fábrica de Conservas de Matosinhos
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Falar de nós próprios é sempre difícil, e tanto mais difícil quando o que tenhamos a dizer seja em sentido elogioso. Mas, para aqueles que se interessem um pouco pelo desenvolvimento da indústria portuguesa, e especialmente da de conservas, uma história da nossa Fábrica impunha-se. É por isso que, para essa singela história, nos permitimos chamar a boa atenção dos nossos prezados amigos e dedicados clientes.
História Real Fábrica de Conservas de Matosinhos
Em 1889 fundámos no Porto a antiga Especial Fábrica a vapor de Conservas Alimentícias «Lusitana», cuja sede na Rua de S. Pedro de Miragaia n.º 28, estava instalada num prédio de três pavimentos, medindo ao todo 3000 metros quadrados, tendo ao nosso serviço cerca de 80 operários de ambos os sexos.
A firma, da qual fazia parte o nosso actual sócio José Coelho Dias, girava sob a razão de José Coelho Dias & C.ª em comandita, sendo Joaquim António Lopes o sócio comanditário.
As conservas desta fábrica começaram, a breve trecho, a alcançar uma crescente preferência em todos os mercados onde se apresentavam, e para atender, não só ao desenvolvimento que este facto tão lisonjeiro trazia para a fábrica, como que a indicava a necessidade da sua expansão, mas também para nos dedicarmos ao fabrico da sardinha, que nos era instantaneamente pedida pelos nossos estimados clientes, resolvemos proceder à construção de um edifício proposital para a nossa indústria, onde ela pudesse ter o incremento que nós antevíamos, propulsionado pelo favor dos nossos clientes e amigos dedicados.
Assente este propósito, e depois de uma longa e aturada viagem de estudo pelo estrangeiro, onde fomos ver pessoalmente os últimos progressos da indústria conserveira, restava procurar um local próprio para a construção da nova fábrica, e que obedecesse estritamente a todos os preceitos e a todos os valiosos elementos que a nossa observação colheu diretamente nessa viagem de estudo.
Dentre todos os locais que visitámos, o que melhores garantias nos ofereceu, já pela excelência dos seus produtos e magníficos ares, já pelas boas propriedades de água, princípio primordial para a nossa indústria, foi ali a praia de Matosinhos, extremamente próxima do porto artificial de Leixões e da cidade do Porto, de onde dista apenas três quartos de hora de viagem agradabilíssima.
Aqui, por conseguinte, fizemos construir o actual edifício, medindo 14.000 metros quadrados, e que, no género — seja-nos permitida a justa vaidade — é considerado um dos primeiros da Península.
Emprega, em casos normais, cerca de 400 operários de ambos os sexos com uma produção diária de 45.000 latas de conservas, e, em ocasiões de grande movimento, chega a empregar 1.000 operários com uma produção diária relativa.
Iniciámos então, em larga escala e sob os melhores auspícios, a fabricação da excelente e incomparável SARDINHA “LOPES, COELHO DIAS”, o que na antiga fábrica não podíamos praticar pela deficiência da sua instalação e pelo muito que distava da praia.
Todos os nossos serviços foram completamente remodelados, em obediência à capacidade do novo edifício, onde introduzimos todos os maquinismos e processos mais modernos e aperfeiçoados, que as subsequentes viagens ao estrangeiro nos aconselhavam.
Também cuidámos muito da parte material e prática, pois que dotámos a nova fábrica com duas linhas de tracção, sendo uma eléctrica e a outra a vapor, fornecidas — a primeira pela Companhia Carris de Ferro do Porto, e a segunda pela Companhia do Caminho de Ferro do Porto à Póvoa e Famalicão.
Estas duas linhas, que atravessam interiormente a fábrica, são de incomparável vantagem e utilidade para os transportes e serviços de exportação e importação.
Os nossos produtos, bafejados pela significativa aura de uma preferência lisonjeira, começaram a ser conhecidos e apreciados em todos os mercados onde concorriam.
Foi por isso que, quando em 1901 apresentámos o nosso primeiro catálogo de preços correntes, nós prometemos que o nosso maior cuidado consistiria em melhorar sucessivamente todos os ramos do nosso fabrico.
De como cumprimos todas as nossas promessas, fala o testemunho insuspeito e honroso dos prémios conquistados nas diversas exposições — recompensas que guardamos orgulhosamente no nosso escritório, e que, a par da preferência e dos favores dos nossos amigos e clientes, constituem a maior compensação e a maior vaidade a que a nossa alma de trabalhadores modestos e persistentes pode legitimamente aspirar.
ALGUNS CONSELHOS
Geralmente, é conveniente abrir as latas de conservas algum tempo antes de se servirem ou de se prepararem.
As carnes, caças, aves, peixes, salchicha à francesa, linguiça fina, tripas, leitão assado, lombo de porco, rijões, ervilha à portuguesa e em manteiga e mariscos, estão sempre prontas a ser servidas, devendo simplesmente ser aquecidas antes de se abrirem.
Os mariscos estão preparados ao natural, para assim poderem ser adicionados a toda a sorte de cozinhados, pastéis, empadas, pastelinhos, etc.
Os doces, frutas e queijo da serra da Estrela estão sempre prontos a ser servidos tais quais estão.
O atum e as sardinhas em azeite ou em tomate também se usam como estão, exceptuando-se as sardinhas em manteiga e de caldeirada, que poderão ou não ser aquecidas antes de se servirem.
O salpicão especial pode ser servido tal como está nas latas, podendo também ser adicionado a qualquer cozinhado, dando-lhe assim um paladar muito especial e agradável.
Os presuntos, chouriços e paios são geralmente empregados como temperos, exceptuando-se o chouriço de sangue e o presunto cozido, que devem ser servidos tais como estão, sendo previamente aquecidos.
As hortaliças e os legumes, ao abrir-se as latas, devem ser metidos num passador, deitando-se-lhes durante alguns segundos água a ferver e pondo-se, em seguida, a refrescar em água fria durante uma hora.
Os espargos, basta lavá-los em água fria, adicionando-se-lhes em seguida o molho que mais se preferir.
Às nossas sopas, é bom adicionar-se-lhes sempre quantidade de água igual ao líquido contido nas latas, e depois de convenientemente aquecidas podem ser servidas.
Sobre os restantes artigos do nosso catálogo, a que não fazemos referência especial, é tão sabido o seu uso que nos abstemos de qualquer indicação.