Catálogo comemorativo 10 Anos - Lage, Ferreira & C.ª L.da

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CREDIT: Edmundo Teixeira

IMAGES: conservasdeportugal.com

Este trabalho é dedicado aos nossos prezados Amigos e Clientes,
em comemoração do décimo aniversário da fundação da nossa Casa, como preito da alta consideração que nos merecem as nossas relações e com o sincero desejo de que as mesmas perdurem por muitos anos, para satisfação mútua.

A firma Lage, Ferreira & C.ª L.da foi organizada em março de 1930, por iniciativa do sócio-gerente Sr. Edmundo Ferreira e com a cooperação dos Srs. António Lage e António Sequeira, também sócios desde a fundação da firma, e hoje ainda, com o Sr. Ferreira, gerentes e seus únicos proprietários.

Desde o seu primeiro dia de existência até hoje, a firma teve sempre a guiá-la um elevado sentido de método, persistência e disciplina, que lhe conquistou o respeito de fornecedores e clientes. Nisto se baseia, com justificado orgulho, o seu maior título de glória.

As duas importantes fábricas que a firma possui estão situadas: uma no grande centro conserveiro de Matosinhos e a outra no novo e promissor centro da Póvoa de Varzim – Vila do Conde.

Cada uma delas, além de escolhido pessoal técnico e operário, está apetrechada com o mais moderno maquinismo necessário à perfeita preparação da saborosíssima sardinha portuguesa.

É justo, porém, destacar a fábrica de Vila do Conde como revelação de esforço e vontade de acertar.

Neste modesto trabalho mostram-se algumas fotografias detalhadas da nossa organização e também a maior parte das nossas marcas, que são já bem conhecidas nos mercados europeus e americanos.

Estas fotografias ilustram, de forma clara, a exemplar limpeza, a perfeita higiene e o asseio com que as sardinhas são preparadas nas nossas fábricas. Indicam também as nossas aptidões e o apetrechamento técnico, que nos permite satisfazer todos os requisitos e exigências das mais rigorosas autoridades sanitárias.

Por esta razão, podemos conscientemente afirmar que estamos em condições de satisfazer as requintadas exigências dos mercados inglês e americano. Para isso, temos feito tudo quanto nos tem sido possível.

E, se já conseguimos algo que revele o nosso grande desejo de satisfazer, estamos ainda dispostos a fazer outro tanto, com o fim de elevar o prestígio da Indústria Portuguesa de Conservas.

O processo de conservar a sardinhas

Mal imagina o consumidor, ao servir-se do hors-d’œuvre ou ao comer a sua sardinha em torrada, por que série de operações ela passou antes de se tornar na iguaria que está a saborear.

Em geral, a maior parte das pessoas compra uma lata de sardinhas a um preço diminuto, abre-a e serve o peixe da forma que mais lhe agrada. Em seguida, poderá talvez comentar o caso da marca ser boa ou má. Sob este aspecto, o público consumidor tem sempre a sua preferência.

No entanto, cessa por aí a curiosidade da maioria das pessoas por este complexo problema, ficando assim no inteiro desconhecimento da soma de trabalho e de canseiras dispendidas na preparação de uma lata de sardinhas e das várias operações por que o delicado peixe tem de passar desde que sai da rede até ser hermeticamente encerrado numa lata e posto no mercado para venda e consumo.

Para esclarecimento daqueles que não o conhecem, propomo-nos esboçar ligeiramente o processo de elaboração das sardinhas numa fábrica moderna de conservas.

Após uma longa noite de faina (e, algumas vezes, mais do que uma, se as circunstâncias o exigirem), as traineiras chegam de madrugada com a sua pesca, que é transferida para barcos denominados bateiras e conduzida para a praia.
Aqui, as sardinhas são passadas para cabazes que comportam cerca de 400 peixes cada um. A pesca é então vendida em leilão, os compradores transferem o peixe adquirido para caixotes especiais que vieram da fábrica em camionetas e para lá o conduzem.
Uma vez ali, o peixe é disposto em mesas de mármore, onde as operárias lhe cortam a cabeça e esvaziam as entranhas, ao mesmo tempo que separam os peixes miúdos dos grandes. Acabada esta operação, o peixe é colocado em salmoura, onde, de acordo com o seu tamanho, permanece o tempo suficiente para adquirir paladar.

Saindo da salmoura, são as sardinhas de novo colocadas nas mesas, de onde passam para grelhas especialmente estanhadas, dispostas de cauda para cima e separadas de forma que não se toquem.

Cheias as grelhas de peixes, são colocadas num tanque com água jorrando por todos os lados e, aqui, muito bem lavadas, terminando esta operação por serem as sardinhas submetidas a um jacto de água limpa ao longo do mesmo tanque.

Se as sardinhas se destinam à preparação “sem pele e sem espinha”, a espinha é retirada nesta ocasião, sendo depois os peixes colocados nas grelhas e lavados de novo.
Depois de convenientemente lavadas, as grelhas são colocadas em carretas e estas, com as grelhas cheias de sardinhas, entram em estufas aquecidas a vapor, onde ficam encerradas certo tempo a uma temperatura de 100 °C.

O importante mercado inglês dá também preferência a sardinhas fritas e, neste caso, são as grelhas colocadas num tapete rolante que as conduz através de uma bassine cheia de finíssimo azeite aquecido a vapor.
As grelhas passam então lentamente submersas em azeite a ferver, levando cerca de 3 a 4 minutos a chegar à extremidade da bassine, onde o azeite é mantido a uma temperatura de 120° a 125° C., e quando os peixes emergem, estão perfeitamente fritos e prontos para enlatar.

— Quando as sardinhas saem das estufas, deixam-se secar ao ar livre, ou, se o tempo estiver húmido, secam-se num secador mecânico especial.

— As grelhas passam depois para a secção de enlatamento, onde mulheres acondicionam dextramente as sardinhas dentro das latas com a perfeição seu aspecto seja atraente ao abrir.

Sardinhas são para preparar “sem pele e sem espinha”, a pele é tirada nesta altura, mas, se são só para “sem espinha”, a espinha é retirada agora em vez de o ser na ocasião já referida.

Estas operações decorrem, as latas são confeccionadas na fábrica.

As latas cheias de peixe passam então para a secção de azeitamento, onde são colocadas numa máquina e sobre um corredor movente que as conduz para debaixo de uma série de torneiras de azeite corrente, onde uma suficiente porção de azeite é vertida em cada lata.

As latas passam agora para outras máquinas especiais, que fecham os tampos hermeticamente, e as latas fechadas são então lançadas em cestos metálicos que, por seu turno, entram num grande esterilizador de ferro. Aqui ficam algum tempo sob uma temperatura de 115 °C, após o que as latas passam para outra máquina que as lava e seca perfeitamente, para saírem por um plano inclinado que as conduz ao salão de embalagem.

Aqui são cuidadosamente examinadas, uma por uma; as que estiverem defeituosas ou mal fechadas são postas de parte, e as outras são colocadas em caixas de madeira prontas para armazenar ou exportar ao seu destino.

— E assim, tão apetitosa iguaria chega à mão do consumidor, depois de uma delicada série de operações e de ter proporcionado tanto trabalho a milhares de famílias que necessitam ganhar o pão de cada dia.

LISTA DOS AGENTES

 

Alfred G. Demski i Ska
– Ulica Sobieskiego 16, KATOWICE, Poland.

André Verhaeghe & C.ª
– 28, Rue de la Commune, ANTWERP, Belgium.

Charles Arnaud
– 1, Rue Lucien Rolmer, MARSEILLE, France.

Charles Klem
– Åbenrågade 44, COPENHAGEN, Denmark.

Charles H. Taylor
– 110, State Street, BOSTON, Mass., U.S.A.

Delfim Vaz & Almeida L.da
– R. S. Rafael, P.O.B. 925, LOURENÇO MARQUES, Moçambique.

F. Ramada
– 83, Bd. Maurice Lemonnier, BRUSSELS, Belgium.

Gilbert, Kimpton & C.ª Ltd.
– King William Street House, Arthur Street, LONDON, E.C.4, England.

Giuseppe Quartino fu P.
– Darsena Sez. X – 6, GENOA, Italy.

 

 

H. Salvarem Agencies Ltd.
– 37, Eastcheap, LONDON, E.C.3, England.

Holtramh Handel Maatschappij N.V.
– Heerengracht, 289, AMSTERDAM C., Holland.

J. Baroly
– 3, Allée Bordelaise, Caudéran, BORDEAUX, France.

Jos. Chapelle
– 43, Rue Blanche, PARIS, IXème, France.

L. J. Rapoport & H. S. Abramski
– Milchkannengasse, 22, DANTZIG.

N. J. Vikélas
– 5, Rue du 3 Septembre, ATHENS, Greece.

Nunes & Freitas
– BOMA, Belgian Congo.

S. Barbanell
– Herkulesgatan, 16, STOCKHOLM, Sweden.

Stavenhagen & C.ª
– Mönckebergstrasse, 17-111, HAMBURG 1, Germany.

Steinhardter & Nordlinger
– 99, Hudson Street, NEW YORK, U.S.A.

Thiessen & C.ª
– Groeningerstrasse, 23/25, HAMBURG 8, Germany.

Ao publicar a lista geral dos nossos actuais Agentes, desejamos exprimir-lhes a nossa gratidão pela colaboração leal e dedicada que sempre demonstraram nos seus negócios com a nossa Firma.

— Permitimo-nos, no entanto, salientar — sem desprestígio para com os outros — o trabalho inteligente e activo que, desde o primeiro dia, sempre nos dispensaram os nossos bons amigos, Senhores Stavenhagen & C.ª, de Hamburgo, e J. Baroly, de Bordéus.

— Com esta referência vão os nossos melhores agradecimentos para todos, e a esperança de que o futuro estreitará ainda mais os laços de amizade e as boas relações comerciais que temos mantido.

Edição portuguesa – 500 exemplares

(Os Artistas Reunidos)

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