Setúbal entre a República do Pós-Guerra e a Ditadura Militar
4.2.2. O declínio da indústria conserveira setubalense e os primeiros reflexos do
‘condicionamento industrial’
Tese de Doutoramento em História Contemporânea – Maio 2023
A publicação que realizamos aqui do trabalho de Diogo Filipe dos Santos Ferreira não é integral. Publicamos as partes que achamos mais relacionadas com a indústria conserveira. O acesso à tese integral está disponível no link à direita.
Resumo
A presente tese de doutoramento é circunscrita no tempo e no espaço, tendo como objeto de estudo a cidade de Setúbal entre o primeiro pós-guerra e as vésperas do Estado Novo. No decurso da investigação procurou-se replicar o paradigma e o modelo analítico e interpretativo da história local britânica, que visa uma compreensão mais profunda, ‘totalizante’ e globalizante do passado de determinado território por via da conjugação da sua vida política, económica e social.
O texto preambula com uma análise detalhada do estado da arte e com uma breve reflexão teórico-metodológica em torno deste ramo historiográfico, tendo em vista contribuir para a sua discussão e perceber o seu posicionamento na historiografia internacional e na portuguesa. Prossegue através de uma contextualização do meio urbano setubalense, na transição de Oitocentos para o século XX, para um melhor entendimento da realidade local antes do armistício de 1918.
Dividido em duas grandes partes (“Setúbal e a segunda vida da Primeira República” e “Setúbal sob o jugo da Ditadura Militar”), este trabalho resultou num estudo pormenorizado da evolução política municipal, dos avanços e recuos dos principais setores de atividade económica (e.g. indústria conserveira, pesca, cimentos ou vitivinícola) e de que forma a comunidade resistiu à repressão de todo o período da ditadura ou como se manifestou, no espaço público, por melhores condições laborais.
A crise da principal matéria-prima da indústria de conservas de peixe, a sardinha, com início no primeiro semestre de 1924, dividiu a história sadina entre 1919 e 1933, em dois blocos temporais. O encerramento de unidades fabris e as falências das firmas de pesca deram início a uma longa vaga recessiva na economia regional, com fortes repercussões no quotidiano da comunidade. Houve um antes e um depois da escassez sardinheira, atingindo tudo e todos no microcosmo da ‘Barcelona Portuguesa’.
Diogo Filipe dos Santos Ferreira
Abstract
This PhD thesis is circumscribed in time and space, having as object of study the city of Set.bal between the first post-war period and the eve of Estado Novo. During the investigation, an attempt was made to replicate the paradigm and the analytical and interpretative model of British local history, which aims at a deeper, ‘totalizing’ and globalizing understanding of the past of a given territory through the combination of its political, economic and social life.
The text preambulates with a detailed analysis of the state of the art and with a brief theoretical-methodological reflection on this historiographical branch, aiming for contributing to its discussion and for understanding its position in international and Portuguese historiography. It continues through a contextualization of the urban environment of Set.bal, in the transition from the 19th century to the 20th century, for a better understanding of the local reality before the armistice of 1918.
Divided into two major parts (“Setúbal and the second life of the First Republic” and “Setúbal under the yoke of the Military Dictatorship”), this work resulted in a detailed study of the municipal political evolution, the advances and setbacks of the main sectors of economic activity (e.g. canning, fishing, cement or wine industry) and how the community resisted to the repression of the entire period of the dictatorship or how it manifested itself in the public space for better working conditions.
The crisis of the main raw material of canned fish industry, sardines, which began in the first half of 1924, divided the history of Setúbal, between 1919 and 1933, into two temporal blocks. The closure of factories and the bankruptcy of fishing companies started a long wave of recession in the regional economy, with strong repercussions in the daily life of the community. There was a before and after of the sardinheira scarcity, affecting everything and everyone in the microcosm of ‘Portuguese Barcelona’.
Diogo Filipe dos Santos Ferreira
Índice
Parte III – Setúbal e a segunda vida da Primeira República
3.1. A evolução do xadrez político sadino entre o pós-guerra e o 28 de Maio
3.1.1. Da transição do pós-sidonismo ao retorno ao status quo pré-dezembrista
3.1.2. As eleições de maio de 1919: os ensaios do bloco anti-Partido Democrático
3.1.3. A oscilação política no poder local e os seus dilemas (1919-1921)
3.1.4. A ida às urnas em 1921 e em 1922 e o rescaldo da ‘Noite Sangrenta’
3.1.5. As eleições municipais de 1922: A diversidade política e as dissidências no Partido Democrático
3.1.6. As acusações de corrupção e a informal cisão democrática (1923)
3.1.7. O golpe palaciano: a coligação monárquico-democrática (1924-1925)
3.1.8. As eleições de 1925: A ‘Lista do Concelho’ assume o controlo da autarquia
3.2. Os efeitos económicos do pós-guerra e os primórdios do declínio (1919-1926)
3.2.1. Entre a hipertrofia da indústria de conservas setubalense e os primeiros sinais da crise sardinheira
3.2.2. A depressão dos setores dos citrinos e do sal de Setúbal
3.2.3. A Casa José Maria da Fonseca e o mercado brasileiro como balão de oxigénio
3.2.4. Em busca de alternativas? A fundação da SPPC, da SECIL e da SAPEC
3.3. O vulcão da ‘Barcelona Portuguesa’: da erupção à extinção (1919-1926)
3.3.1. A perpetuação da crise dos abastecimentos e da carestia de vida no pós-guerra (1919-1923)
3.3.2. A continuidade da luta de classes no pós-guerra: entre a unidade e os sinais de fragmentação (1919-1923)
3.3.3. As ‘Revoltas da Fome’ do verão de 1920: o desespero comunitário
3.3.4. A greve-geral dos 75 dias (1922): O esgotamento das redes de solidariedade
3.3.5. A greve dos estivadores e dos condutores de sal de Setúbal (1923)
3.3.6. A ‘Barcelona Esvaída’ (1924-1926): O enfraquecimento interno, a diminuição da convulsão social e a derrota pela fome e pelo desemprego
3.3.7. As greves-gerais de 1925 e as prisões políticas de João Maria Major
Parte IV – Setúbal sob o jugo da Ditadura Militar
4.1. O coup d’état de 28 de Maio e a vida política da Ditadura Militar na cidade do Sado
4.1.1. Os bastidores das operações militares e o saneamento das estruturas políticas republicanas concelhias
4.1.2. A concretização de uma ‘velha aspiração’: A reforma administrativa de 22 de dezembro de 1926 e a criação do distrito de Setúbal
4.1.3. O ‘longo’ mandato de Carlos Botelho Moniz: entre a estabilidade política e um projeto de modernização (1926-1930)
4.1.4. A instabilidade política municipal: As sucessivas comissões administrativas (1931-1933)
4.2. O agudizar da crise económica setubalense e a propaganda do ‘progresso’ (1926-1933)
4.2.1. A escassez do peixe ‘dourado’ e a implementação do defeso
4.2.2. O declínio da indústria conserveira setubalense e os primeiros reflexos do ‘condicionamento industrial’
4.2.3. O fim da ‘era dourada’ na Casa José Maria da Fonseca
4.2.4. O turismo e a ilusão do ‘progresso’: A Comissão de Iniciativa de Setúbal e a I Exposição Regional do Distrito de Setúbal
4.2.5. As obras de reestruturação do porto de Setúbal (1925-1934)
4.3. Entre a repressão e a resistência (1926-1933): Os confrontos político-sociais à beira Sado durante a Ditadura Militar
4.3.1. A fundação do Comando Distrital de Setúbal da PSP: reestruturação e opressão política (1927-1933)
4.3.2. A revolta de 7 de fevereiro de 1927 à beira Sado e a suspensão d’O Setubalense
4.3.3. A revolta do ‘Castelo’: A sublevação do R.I. n.º 11 no 20 de julho de 1928
4.3.4. O periódico demoliberal A Vitória e os panfletos libertários (1929-1931)
4.3.5. A ‘Greve dos 92 dias’: Os marítimos de Setúbal em luta (1931)
4.3.6. O protesto contra o desconto de 2% para o Fundo de Desemprego (1932)
Parte V – Considerações finais
Fontes, Bibliografia e Webgrafia
Iconografia
4.2.2. O declínio da indústria conserveira setubalense e os primeiros reflexos do
‘condicionamento industrial’
Parte III – Setúbal e a segunda vida da Primeira República
Parte II – De vila piscatória a epicentro industrial: A cidade do Sado entre a segunda metade do século XIX e a Grande Guerra
Setúbal entre a República do Pós-Guerra e a Ditadura Militar – Tese de Doutoramento em História Contemporânea – Diogo Filipe dos Santos Ferreira
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