Glatz GmbH

NOME EMPRESA / COMPANY NAME: Glatz GmbH

Glatz GmbH is an Austrian family company that is now run by the fourth generation. The success story of the traditional company began when the company was founded in 1892.

The Glatz Group currently employs around 60 people. Several domestic subsidiaries as well as one each in Hungary and Italy also contribute to the overall success of the company. The production of the Nuri cult sardines is located in Matosinhos in Portugal.

A Glatz GmbH é uma empresa familiar austríaca atualmente gerida pela quarta geração. A história de sucesso desta empresa tradicional começou com a sua fundação em 1892.

O Grupo Glatz emprega atualmente cerca de 60 pessoas. Várias subsidiárias nacionais, bem como uma na Hungria e outra em Itália, também contribuem para o sucesso global da empresa. A produção das sardinhas de culto Nuri está localizada em Matosinhos, em Portugal.

NOME FÁBRICA / FACTORY NAME: Factory name unknown

PROPRIETÁRIO / OWNER:

FUNDAÇÃO / FOUNDED: 1892

LABOROU EM / WORKED DURING:

ENCERRAMENTO / CLOSURE: Unknown closing date

Nº EMPRESA IPCP / IPCP COMPANY Nº:

ALVARÁ / CHARTER:

MORADA / ADDRESS:

CIDADE / CITY: Matosinhos

NO MESMO LOCAL FUNCIONOU / AT THE SAME LOCATION WORKED:

OUTROS LOCAIS / OTHER PLACES:

TIPO / TYPE: Importers of canned fish in olive oil

FONTES / SOUCES:

MARCAS / BRANDS:

NURI

A três anos de festejar um século de vida, a conserveira Pinhais, de Matosinhos, abre um novo ciclo e conhece como patrão uma nova família. A conserveira transita da terceira geração da família fundadora para a poderosa distribuidora austríaca de produtos alimentares pertencente à família Glatz.

O conglomerado Glatz é um dos principais parceiros comerciais da conserveira, com uma ligação de oito décadas, através da Nuri, que se torna agora na principal marca do portefólio da Pinhais. A conserveira exporta 90% da produção e lida com um catálogo de 10 marcas.

Segundo o Expresso apurou, a Glatz controla a conserveira (74%) através da sociedade de direito português Protagonistmoon, contando, pelo menos formalmente, com sócios portugueses. Mas, nem o novo gerente, João Paulo Teófilo, ex-diretor financeiro dos Estaleiros de Peniche, nem António Pinhal, que permanece na empresa, estiveram disponíveis para prestar esclarecimentos ao Expresso.

A Glatz é o importador exclusivo da Nuri para a Áustria e mercados vizinhos, classificando a marca no seu site como “o expoente máximo das conservas portuguesas, incorporando peixe fresco, ingredientes de qualidade e embalada recorrendo a métodos tradicionais”.

A LITURGIA DO TERÇO ACABOU
A única mudança visível no edifício da Pinhais é a alusão a uma outra marca na loja da fábrica: em vez de Pinhais surge a referência à Nuri, uma palavra de origem árabe que significa brilhante.

Uma outra mudança é de caráter simbólico e litúrgico. A recitação do terço na base fabril em versão vespertina, na última hora antes do regresso do proletariado a casa e que se ouvia nas ruas adjacentes, cessou com a saída da família Pinhal.

“O novo patrão não quer cá essas orações”, reage uma das empregadas conserveiras, mais preocupada com o pagamento dos salários do que com exercícios religiosos.

IMPASSE NA MARCA, EXERCÍCIO DESASTROSO
A Pinhais atravessara no fim de 2016 um período de aperto de tesouraria e protestos laborais por causa de dois meses de salário em atraso, depois de um ano desastroso com as vendas em baixa e as perdas em alta.

A faturação reduziu-se de 2,5 milhões (2015) para um milhão de euros e o prejuízo subiu até 1,9 milhões de euros (207 mil em 2015). Na altura, industriais do sector comentavam que a Pinhais sofria com a excessiva dependência da Glatz e com o diferendo que se abrira em torno da titularidade da marca Nuri nos mercados externos.

O impasse explica a redução da faturação para metade e resolveu-se com a saída da família Pinhal da empresa.

A injeção em 2017 de meio milhão de euros num aumento de capital permitiu melhorar a situação financeira de uma sociedade que no fim de 2016 apresentava um capital próprio negativo (626 mil euros).

Na frente conserveira, a tradição ainda é o que era. A Pinhais é das raras unidades portuguesas que recorre a métodos artesanais na produção e embalamento de conservas de sardinha, cavala e carapau.

A forte incorporação manual no ciclo produtivo explica o elevado universo laboral – 110 assalariados (90% no feminino) para uma faturação tão reduzida, garantindo o caráter gourmet de um produto com acesso direto à primeira categoria mundial

A Pinhais e a vizinha Conservas Portugal Norte são as únicas unidades ativas que convivem com edifícios residenciais na paisagem urbana de Matosinhos, marcada por conserveiras abandonadas e em ruínas.

No universo de 15 empresas conserveiras em Portugal, três já eram de capital estrangeiro – a açoriana Cofaco, ligada ao investidor angolano Álvaro Sobrinho, a Gencoal, da capital italiano e a Idal, de Peniche, detida pelo líder mundial da indústria conserveira, o conglomerado tailandês Thai Union Group.

 

EXPRESSO
20 OUTUBRO 2017 
Abílio Ferreira
Jornalista

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